Agosto Dourado – Juntos pela Amamentação

SPSP – Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 31/07/2019

 

A amamentação foi um dos primeiros temas a serem selecionados para fazer parte das campanhas mensais da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP). O coordenador das Campanhas da SPSP, Claudio Barsanti, lembra que dentre tantos assuntos importantes, definir apenas doze temas, um para cada mês do ano, foi um grande desafio. “Certamente o aleitamento materno não poderia ficar de fora, tendo em vista os inúmeros benefícios da amamentação, não somente na primeira fase da vida, mas também na saúde futura. Hoje sabemos que muitas doenças crônicas, alergias ou alterações orgânicas podem ser evitadas ou terem os riscos reduzidos graças ao ato de amamentar”, ressalta Barsanti. “Embora exista a possibilidade de uma alimentação que não seja o leite materno, esta escolha deve ser sempre exceção. A regra é a amamentação que, entre outras vantagens, cria um elo de amor entre a mãe e o bebê”, acrescenta o coordenador.

A Organização Mundial da Saúde traçou como meta alcançar o ano de 2025 com pelo menos 50% de aleitamento exclusivo até os seis meses de vida. Certamente a campanha da SPSP abraça esse propósito e visa, inclusive, contribuir para que essa meta seja superada.

 

Aleitamento materno no Brasil

“Em 2017, a revista de Saúde Pública divulgou um artigo sobre a tendência de indicadores do aleitamento materno no Brasil em três décadas. A publicação reuniu os últimos dados disponíveis dos inquéritos nacionais sobre o aleitamento materno que datam 1986, 1996, 2006 e 2013. As conclusões do estudo apontaram uma tendência ascendente nos indicadores de aleitamento materno no País até 2006, com estabilização a partir dessa data. O resultado pode ser considerado um alerta para que novas estratégias sejam traçadas e os indicadores de aleitamento materno se mantenham em uma linha ascendente”, relata Moises Chencinski, presidente do Departamento de Aleitamento Materno da SPSP.

Uma pesquisa nacional sobre alimentação, intitulada Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI) está sendo realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, em conjunto com a Fundação Oswaldo Cruz, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro e a Universidade Federal Fluminense, e conta com a parceria de dezenas de outras universidades e instituições públicas de todo o Brasil. “O ENANI é uma pesquisa científica para avaliar crianças menores de cinco anos quanto as práticas de aleitamento materno, de consumo alimentar, do estado nutricional e as deficiências de micronutrientes. Serão visitados os domicílios de famílias em todas as regiões do Brasil, incluindo as zonas rural e urbana. Os resultados dessa pesquisa provavelmente estarão concluídos em 2020”, informa Chencinski.

 

Aleitamento materno no mundo

Anualmente, a WABA (World Alliance for Breastfeeding Action) define o slogan da Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM). A iniciativa tem o intuito de sensibilizar e mobilizar a população mundial em relação aos diversos assuntos relacionados ao aleitamento materno, bem como criar desafios e propostas. A campanha Agosto Dourado da SPSP procura alinhar sua programação com o conteúdo escolhido para a SMAM.

Moises Chencinski, ressalta que a SMAM vem sendo realizada desde 1992 e, ao longo desses anos, tem abordado importantes assuntos, tais como maternidade, paternidade, questões trabalhistas, redes de apoio a amamentação, entre muitos outros. “Cada tema definido para a SMAM é disseminado para todo o mundo e cada país o traduz para o seu idioma e reenvia para a instituição organizadora, a fim de que todos possam trabalhar de forma conjunta. Em 2019, o foco será a proteção social parental equitativa em todas as suas formas para ajudar as mulheres a amamentar de forma mais exitosa”, explica o pediatra.

Acompanhando o tema proposto, a campanha da SPSP irá abordar o respeito ao trabalho da mulher e a equidade de gêneros considerando melhores condições salariais, de modo que as mulheres possam contribuir de forma mais dinâmica na vida financeira da família, permitindo ao pai que participe mais nos cuidados da criança e da casa.

A campanha visa abranger tanto profissionais da saúde quanto a sociedade em geral. “Para o primeiro público faremos encontros, reuniões e jornadas específicas sobre o tema, discutindo aspectos fisiológicos, naturais e legais relacionados à amamentação. Para a população em geral, faremos divulgações através da imprensa e outras atividades que estão sendo planejadas, inclusive com participação dos médicos para orientação e esclarecimento”, adianta Claudio Barsanti.