O que é a bronquiolite?
A bronquiolite é uma infecção aguda do sistema respiratório, causada por vírus, que afeta predominantemente os bronquíolos (as menores ramificações dos brônquios). A maioria das crianças acometidas está na faixa etária inferior a 6 meses.

Cerca de 10% das crianças desenvolverão bronquiolite no primeiro ano de vida e, destas, cerca de 10% necessitarão de hospitalização em enfermaria ou em Unidades de Terapia semi-intensiva ou intensiva. A mortalidade em pacientes hospitalizados é de 4% a 7% e atinge 35% em crianças portadoras de doenças cardíacas congênitas.

Quais são os sintomas?
O quadro clínico inicial assemelha-se a um resfriado comum com obstrução nasal, febre baixa, coriza e tosse. No entanto, dependendo da intensidade da inflamação e da obstrução causada pelos vírus nos bronquíolos, pode evoluir rápida e progressivamente para graus variados de falta de ar ou desconforto respiratório.

A doença dura em média cerca de uma semana, na maioria dos pacientes. A radiografia de tórax mostra sinais de inflamação dos brônquios e bronquíolos e aprisionamento de ar nos pulmões. Em alguns casos pode-se observar atelectasias (áreas de colapso de segmentos ou lobos dos pulmões).

Quais são os principais agentes da doença?
O vírus sincicial respiratório (VSR) é o agente mais comum, sendo responsabilizado por até 80% dos casos. Outros agentes incluem: vírus parainfluenza 1 e 3, adenovírus, rinovírus e Mycoplasma pneumoniae.

Estima-se que anualmente nos Estados Unidos, 95.000 crianças são hospitalizadas com doença do sistema respiratório pelo VSR e cerca de 55 morrem. No Canadá, o custo anual da infecção pelo VSR é de 18 milhões de dólares, sendo utilizados 62% dos gastos em hospitalização e 38% no seguimento ambulatorial.

Qual é o tratamento da bronquiolite?
O tratamento dos casos leves pode ser realizado no domicílio e consiste de hidratação oral, desobstrução nasal com soluções à base de soro fisiológico, administração de antitérmicos e fisioterapia respiratória quando houver secreção pulmonar.

As principais etapas da estratégia terapêutica para os casos que necessitam de internação incluem: suplementação com oxigênio, hidratação endovenosa, suporte ventilatório e fisioterapia respiratória. Alguns pacientes podem se beneficiar da nebulização com broncodilatadores e em casos selecionados e mais graves pode ser utilizado corticosteróide por via oral ou parenteral.

Não existe até o momento uma droga que seja eficaz contra o principal tipo de vírus responsável pela bronquiolite (VSR).

A bronquiolite pode causar seqüelas?
As principais seqüelas que podem ocorrer após a bronquiolite são: a hiperreatividade brônquica pós-infecção viral e a bronquiolite obliterante.

A hiperreatividade brônquica corresponde clinicamente à recorrência de crises de chiado no peito (sibilância) após o episódio de bronquiolite. Os fatores de risco associados ao seu desenvolvimento são: história familiar de alergia e asma, episódio agudo prolongado de bronquiolite e exposição a poluentes e ao fumo no domicílio.

A bronquiolite obliterante é uma complicação rara, sendo considerada uma forma crônica de bronquiolite. As crianças que desenvolvem este processo permanecem com sintomas respiratórios e sinais de obstrução persistente das vias aéreas inferiores caracterizados por chiado contínuo, aumento de secreção pulmonar e queda na taxa de oxigenação do sangue.

Este diagnóstico deve ser considerado em crianças que, após 4 semanas do surto agudo de bronquiolite, perpetuem com sintomas respiratórios. Os casos mais graves desenvolvem, ao longo do tempo, doença pulmonar obstrutiva crônica e complicações cardíacas. O tratamento da bronquiolite obliterante consiste na administração de corticosteróides.

Quais são as medidas de prevenção?
Apesar dos esforços nesse sentido, ainda não existe uma vacina eficaz e segura contra o vírus sincicial respiratório (VSR), o principal agente da bronquiolite.

A única medida de prevenção que pode ser utilizada até o momento é a imunoglobulina hiperimune contra o VSR produzida por meio de técnicas de biologia molecular. A sua utilização é recomendada particularmente em bebês prematuros portadores de displasia broncopulmonar e nas crianças portadoras de doenças cardíacas congênitas graves. Estas crianças, quando acometidas pelo VSR, têm alto risco de hospitalização, de desenvolver bronquiolite grave, de necessitar de ventilação mecânica em Unidades de terapia intensiva e de evoluir com seqüelas pulmonares.

Relator: Dr. Joaquim Carlos Rodrigues e Departamento de Pneumologia da SPSP
Presidente do Departamento de Pneumologia da SPSP – gestão 2007-2009; Professor Colaborador do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da USP; Chefe da Unidade de Pneumologia Pediátrica do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, São Paulo, SP.

Texto elaborado em 11/12/2007.