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	<title>Arquivos Ansiedade - SPSP</title>
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	<title>Arquivos Ansiedade - SPSP</title>
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		<title>Discriminação: muitos ainda ficam de fora</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fabio Teófilo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Mar 2026 11:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adolescência]]></category>
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<p style="text-align: justify;">Segundo o dicionário, a palavra “discriminar” significa perceber diferenças ou distinguir. Podemos encontrar também outra definição, que diz que “discriminar é colocar à parte por algum critério”. Infelizmente, quando pensamos em diversos aspectos da sociedade, ainda é amplamente presente a segunda definição, que exclui e priva crianças e adultos de direitos básicos.</p>
<p style="text-align: justify;">O Dia Mundial de Zero Discriminação é celebrado no dia 1º de março em todo o mundo, a fim de promover igualdade, inclusão e respeito aos direitos de todos, sem distinção de raça, gênero, idade ou características físicas e cognitivas. Quando a discriminação atinge a infância, colocamos em risco o futuro de toda uma geração, pois comprometemos o direito a aprender, a brincar, à saúde e, consequentemente, ao desenvolvimento em pleno potencial.</p>
<p style="text-align: justify;">Estudos demonstram que a discriminação está associada a desfechos negativos na saúde infantil. Experiências de racismo, por exemplo,  levam a maior risco de depressão, ansiedade, baixa autoestima, além de problemas comportamentais e pior estado geral de saúde em crianças e adolescentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Outras evidências recentes também relacionam a discriminação a alterações em biomarcadores inflamatórios, maior índice de massa corporal (IMC), obesidade, aumento da pressão arterial e maiores níveis de cortisol, indicando ativação de vias biológicas relacionadas ao estresse.</p>
<p style="text-align: justify;">Sabemos também que o momento e a duração da exposição à discriminação durante a infância e a adolescência são fatores que contribuem em níveis distintos para mudança da arquitetura cerebral. O chamado estresse tóxico, causado pela discriminação sistemática e contínua, está associado a maior tendência a comportamentos de risco e abuso de substâncias. Estudos demonstram efeitos negativos sobre a saúde mental, uma vez que a discriminação aumenta o risco de ansiedade e depressão, que, por sua vez, estão associadas a pior saúde global.</p>
<p style="text-align: justify;">Quanto maior a vulnerabilidade da criança ou do adolescente, as diferentes camadas de discriminação se sobrepõem, aumentando o risco de exclusão e impacto negativo em saúde.</p>
<p style="text-align: justify;">Um estudo publicado na revista Pediatrics em 2025 mostrou que em adultos, a discriminação em saúde leva a perda de confiança, evitação de cuidados e mudança no comportamento de busca por assistência. Dados pediátricos eram escassos, até que em 2025 uma grande análise, usando um banco de dados com mais de 14 milhões de crianças, observou que 1 em cada 10 crianças com necessidades específicas sofre discriminação na saúde. Esse cenário está associado a uma chance duas vezes maior de abandono de cuidados e 45% maior de ida ao pronto-socorro por agravamento de questões que não foram direcionadas. Daqueles que sofrem discriminação constante nos serviços de saúde, 87% referiram impacto funcional significativo nas atividades diárias. Uma em cada cinco crianças com deficiência tem seu cuidado negado ou abandona o seguimento em saúde por mais de 12 meses e praticamente metade das crianças discriminadas eram adolescentes. Com frequência, é quem mais precisa do cuidado coletivo que fica à margem.</p>
<p style="text-align: justify;">São inúmeras as evidências de que quanto maior o investimento na infância, buscando equiparar desigualdades e garantir direitos em saúde, educação e na construção de ambientes livres de violência, menores serão os gastos necessários para frear as consequências dos impactos negativos que a falta desses recursos traz.</p>
<p style="text-align: justify;">Não são apenas as barreiras estruturais, como as dificuldades de acesso físico, as restrições de atendimento ou tratamento e a falta de profissionais preparados, que discriminam determinadas populações. A repercussão do ciclo negativo de cuidado acaba por trazer evitação ativa de cuidados, por parte das crianças e famílias envolvidas, que perdem a confiança no sistema, têm medo de novas experiências ruins que os exponham novamente à discriminação.</p>
<p style="text-align: justify;">No Dia Mundial de Zero Discriminação, que possamos entender que um mundo em que não cabe um, não caberá nenhum de nós eventualmente.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Saiba mais:</p>
<ol style="text-align: justify;">
<li>Ames et al. Disability-based discrimination and forgone health care in children with special health care needs. Pediatrics 2025;156(1).</li>
<li>Trent et al. The impact of racism on child and adolescent health. Pediatrics 2019;144(2):e20191765.</li>
<li>Priest et al. Racism and health and wellbeing among children and youth &#8211; An updated systematic review and meta-analysis. <br />Soc Sci Med 2024 Nov:361:117324.</li>
</ol>
<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Relatora:<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Anna Dominguez Bohn<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Presidente do Núcleo de Estudos Sobre a Criança e o Adolescente com Deficiência da SPSP</strong></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>



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			</item>
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		<title>Conhecer, identificar e tratar a dislexia o mais precocemente possível é fundamental para se obter melhores resultados</title>
		<link>https://www.spsp.org.br/conhecer-identificar-e-tratar-a-dislexia-o-mais-precocemente-possivel-e-fundamental-para-se-obter-melhores-resultados/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fabio Teófilo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Nov 2025 10:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adolescência]]></category>
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					<description><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/11/Imagem-Dislexia-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/11/Imagem-Dislexia-150x150.jpg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/11/Imagem-Dislexia-75x75.jpg 75w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/11/Imagem-Dislexia-500x500.jpg 500w" sizes="(max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p>16 de novembro é o Dia Nacional de Atenção à Dislexia, uma condição relacionada ao desenvolvimento </p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/11/Imagem-Dislexia-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/11/Imagem-Dislexia-150x150.jpg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/11/Imagem-Dislexia-75x75.jpg 75w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/11/Imagem-Dislexia-500x500.jpg 500w" sizes="auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p style="text-align: justify;">16 de novembro é o Dia Nacional de Atenção à Dislexia, uma condição relacionada ao desenvolvimento do cérebro que torna a leitura mais difícil do que o esperado, mesmo para crianças que têm inteligência normal, motivação e uma boa escolaridade. Na prática, ela causa dificuldades na hora de reconhecer palavras rapidamente, soletrar corretamente e entender o que se está lendo, o que pode ser frustrante, tanto para os pequenos quanto para os adultos.</p>
<p style="text-align: justify;">Por que isso acontece? A dislexia tem uma origem neurológica, ou seja, ela está relacionada a diferenças na estrutura e funcionamento de algumas áreas do cérebro que lidam com a linguagem escrita. Além disso, ela costuma ser herdada, com uma chance de até 70% de passar de geração em geração.</p>
<p style="text-align: justify;">Estudos mostram que a dislexia afeta cerca de 5% a 10% das crianças em idade escolar, podendo chegar a 17,5%, dependendo do grupo estudado. Acomete meninos e meninas, embora meninos sejam mais frequentemente encaminhados para avaliação, devido a outras dificuldades comportamentais que podem estar presentes.</p>
<p style="text-align: justify;">O impacto da dislexia vai além da escola. Crianças e adultos com esse transtorno podem ter mais dificuldades na autoestima, sofrer de ansiedade ou até depressão, e encontrar dificuldades para manter boas relações com colegas, amigos e familiares. Quando o diagnóstico e o início do apoio chegam tarde, essas dificuldades podem se ampliar, levando a desigualdades na educação, problemas emocionais e maior estresse na família.</p>
<p style="text-align: justify;">Por isso, conhecer e identificar a dislexia cedo é fundamental. Quanto mais cedo ela for reconhecida, maiores as chances de se oferecer o suporte adequado, ajudando a pessoa a superar essas dificuldades e a desenvolver todo seu potencial, com mais confiança e bem-estar, na escola e na vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Para entender como se identifica e se trata a dislexia, é importante saber que o diagnóstico envolve uma avaliação detalhada, realizada por uma equipe especializada. Essa avaliação inclui conversar com os pais e professores, observar o histórico escolar da criança e aplicar testes padronizados, que avaliam habilidades de leitura, escrita, linguagem e raciocínio. O objetivo é detectar dificuldades específicas na leitura e na escrita, que não sejam apenas decorrentes de questões sensoriais, neurológicas ou falta de oportuna instrução. A equipe recomendada é composta por educadores, psicólogos, fonoaudiólogos e médicos (pediatras, foniatras e neurologistas), trabalhando juntos para uma avaliação que permita identificar a dislexia cedo, oferecendo apoio antes que as dificuldades afetem seu desempenho escolar de forma mais grave.</p>
<p style="text-align: justify;">O tratamento da dislexia é baseado em métodos educacionais desenvolvidos especialmente para cada pessoa. Essas intervenções focam na conscientização fonológica, no entendimento do princípio alfabético, na prática da fonética, na decodificação, na leitura fluente, no fortalecimento do vocabulário e na compreensão do texto. É fundamental que esse trabalho seja feito por profissionais treinados, com prática constante e feedbacks que ajudem a criança a evoluir. Quanto mais cedo a intervenção começar, melhores os resultados. A adaptação escolar também é importante: podem ser necessários tempo extra para provas, uso de tecnologia assistiva e materiais adaptados, tudo com o objetivo de garantir o aprendizado e a inclusão do aluno.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando a criança também apresenta dificuldades emocionais, como ansiedade ou depressão, o apoio psicológico pode ser necessário. Além disso, programas de exercícios visuais, atenção e recursos digitais vêm mostrando benefícios no desenvolvimento da fluência de leitura e na compreensão do texto. Vale destacar que, atualmente, não há evidências de que medicamentos ou terapias alternativas sejam eficazes para tratar a dislexia, recomendando-se a combinação de estratégias educativas e apoio terapêutico individualizado.Parte superior do formulário</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Relatora:</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sulene Pirana<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Médica Otorrinolaringologista e Foniatra<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Vice-Presidente do Núcleo de Estudos de Desenvolvimento e Aprendizagem da SPSP</strong></p>



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			</item>
		<item>
		<title>Juventude em movimento: o papel do esporte na saúde física e mental</title>
		<link>https://www.spsp.org.br/juventude-em-movimento-o-papel-do-esporte-na-saude-fisica-e-mental/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fabio Teófilo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Mar 2025 19:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
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					<description><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/03/Imagem-Dia-Mundial-da-Juventude-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/03/Imagem-Dia-Mundial-da-Juventude-150x150.jpeg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/03/Imagem-Dia-Mundial-da-Juventude-75x75.jpeg 75w" sizes="auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p>O Dia Mundial da Juventude, celebrado em 30 de março, convida-nos a refletir sobre a saúde e os desafios enfrentados pelos jovens na atualidade. Entre esses desafios, o sedentarismo</p>
<p>O post <a href="https://www.spsp.org.br/juventude-em-movimento-o-papel-do-esporte-na-saude-fisica-e-mental/">Juventude em movimento: o papel do esporte na saúde física e mental</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.spsp.org.br">SPSP</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/03/Imagem-Dia-Mundial-da-Juventude-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/03/Imagem-Dia-Mundial-da-Juventude-150x150.jpeg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/03/Imagem-Dia-Mundial-da-Juventude-75x75.jpeg 75w" sizes="auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p style="text-align: justify;">O Dia Mundial da Juventude, celebrado em 30 de março, convida-nos a refletir sobre a saúde e os desafios enfrentados pelos jovens na atualidade. Entre esses desafios, o sedentarismo e os transtornos de saúde mental se destacam, criando um cenário preocupante. O aumento da inatividade física está diretamente relacionado ao crescimento dos índices de obesidade, doenças metabólicas e transtornos emocionais, como ansiedade e depressão.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A geração ansiosa e a epidemia do sedentarismo</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Vivemos em uma era hiperconectada, em que o tempo de tela e a vida digital estão substituindo, cada vez mais, as interações presenciais e a prática de atividades ao ar livre. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 80% dos adolescentes entre 11 e 17 anos não atingem o nível recomendado de atividade física, que é de pelo menos 60 minutos diários de exercícios moderados a intensos. Esse comportamento sedentário compromete não apenas a saúde física, mas também contribui para o aumento dos casos de ansiedade e depressão.</p>
<p style="text-align: justify;">Um estudo publicado no JAMA Pediatrics revelou que jovens que passam mais de sete horas diárias em dispositivos eletrônicos têm o dobro do risco de desenvolver sintomas ansiosos e depressivos em comparação a aqueles com menos tempo de exposição. No Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) apontou que quase 30% dos adolescentes relataram se sentir tristes ou desesperançosos de forma recorrente: um número alarmante!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O poder transformador da atividade física</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Se o sedentarismo e a ansiedade são problemas crescentes, a boa notícia é que a solução está ao alcance de todos. A prática esportiva tem um papel essencial na promoção da saúde física e mental, ajudando a juventude a construir um futuro mais equilibrado e cheio de vitalidade.</p>
<p style="text-align: justify;">A atividade física regular traz inúmeros benefícios, como melhoria do condicionamento físico, fortalecimento dos músculos, aumento da resistência e melhora da circulação sanguínea. Além disso, reduz o risco de obesidade, diabetes, problemas cardíacos e hipertensão, além de proporcionar mais energia e disposição para as atividades diárias.</p>
<p style="text-align: justify;">Além dos impactos no corpo, a atividade física exerce uma influência direta na saúde mental. Estudos demonstram que praticar esportes reduz em até 30% os sintomas de ansiedade e depressão em adolescentes. Isso acontece porque o exercício libera hormônios como endorfina, serotonina e dopamina, neurotransmissores fundamentais para a regulação do humor e do bem-estar.</p>
<p style="text-align: justify;">A prática esportiva também melhora a autoestima e a confiança, fortalece os laços sociais e promove valores como disciplina, respeito e cooperação. Outro ponto positivo é o impacto no desempenho acadêmico, pois a atividade física contribui para um cérebro mais ativo e preparado para aprender.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O papel da família e do pediatra: como incentivar o adolescente a se movimentar?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A adolescência é um período de transição, no qual os jovens buscam autonomia e identidade. Por isso, impor regras rígidas pode ser menos eficaz do que estimular o engajamento e a descoberta de uma atividade prazerosa. O incentivo deve vir tanto da família quanto dos pediatras e profissionais de saúde.</p>
<p style="text-align: justify;">Para os pais, ser exemplo é essencial. Crianças e adolescentes que crescem em um ambiente familiar ativo têm mais chances de valorizar o exercício físico. Apresentar diferentes esportes, equilibrar o tempo de telas e transformar a atividade física em um momento de conexão familiar são estratégias fundamentais para que o jovem se envolva no processo.</p>
<p style="text-align: justify;">Para os pediatras, a recomendação de atividade física deve fazer parte da rotina de avaliação da saúde dos adolescentes. A cada consulta, é importante questionar sobre o nível de atividade do paciente e reforçar os benefícios do movimento. Além disso, o profissional pode sugerir modalidades esportivas adaptadas ao perfil do jovem, mostrar que a atividade física traz benefícios além da saúde física e incentivar metas realistas para manter o engajamento ao longo do tempo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Juntos, podemos transformar o futuro da juventude</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A juventude é uma fase de crescimento, descobertas e aprendizado. E nada melhor do que garantir que essa geração tenha saúde, energia e equilíbrio emocional para enfrentar os desafios da vida. Como pais, educadores e pediatras, temos um papel essencial em incentivar hábitos saudáveis desde cedo.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao proporcionar oportunidades para o movimento, estimular o esporte como parte da rotina e apoiar os jovens na escolha de uma atividade física de que gostem, estamos investindo não apenas na saúde presente, mas no futuro deles. Pequenas mudanças no dia a dia podem fazer toda a diferença na prevenção do sedentarismo e na promoção do bem-estar.</p>
<p style="text-align: justify;">Que tal começar hoje? Incentive, apoie e faça parte dessa mudança. A juventude precisa de movimento, e o primeiro passo pode começar com você. Vamos juntos construir uma geração mais saudável, ativa e equilibrada.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Relator:<br />Núcleo de Estudos da Prática de Atividade Física e Esportes na Infância e Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo</strong> </p>
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			</item>
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		<title>22 de outubro: Dia Internacional da Gagueira</title>
		<link>https://www.spsp.org.br/22-de-outubro-dia-internacional-da-gagueira/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fabio Teófilo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Oct 2023 19:57:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Crescimento e desenvolvimento]]></category>
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					<description><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-fono-gagueira-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-fono-gagueira-150x150.jpg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-fono-gagueira-75x75.jpg 75w" sizes="auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p>Falar é externar seu eu – emoções, desejos – mesmo sem ver, apenas escutando a voz, podemos identificar várias características das pessoas.</p>
<p>O post <a href="https://www.spsp.org.br/22-de-outubro-dia-internacional-da-gagueira/">22 de outubro: Dia Internacional da Gagueira</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.spsp.org.br">SPSP</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-fono-gagueira-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-fono-gagueira-150x150.jpg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2023/10/Imagem-fono-gagueira-75x75.jpg 75w" sizes="auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p style="text-align: justify;">Falar é externar seu eu &#8211; emoções, desejos &#8211; mesmo sem ver, apenas escutando a voz, podemos identificar várias características das pessoas. A fala deve sair fluente, sem esforço&#8230; o foco principal deve ser na mensagem e não na forma.</p>
<p style="text-align: justify;">E quando a fala está alterada? Há prejuízo na comunicação, o ouvinte foca mais em como está a fala do que no conteúdo. A gagueira, uma alteração da fluência da fala, com quebras, repetições, pausas, movimentos associados, chama muito a atenção para o interlocutor, gera julgamento&#8230; muitas vezes a pessoa que gagueja é vista como insegura, incapaz, sem controle emocional. Durante muitas décadas supôs-se, sem base científica, que era criada quando os pais chamavam a atenção dos filhos para a disfluência da fala, de que estes supostamente não teriam consciência. Wendel Johnson, que teve grande influência, era defensor da teoria de que “a gagueira começa no ouvido dos pais e não na boca da criança”. Isto fez com que a orientação dada era a de que não se devia chamar a atenção para os momentos de disfluência, deviam ignorar, sendo considerado normal gaguejar até os 5 anos de idade.</p>
<p style="text-align: justify;">Por muitos anos a gagueira foi considerada uma alteração emocional. Hoje sabemos que não é assim; a gagueira é um transtorno do neurodesenvolvimento, perturbação do funcionamento das áreas cerebrais responsáveis pela temporalização da fala, afetando seu ritmo e coordenação. Sua manifestação é intermitente: pode ficar dias, semanas sem se manifestar e em outros momentos ser muito acentuada.</p>
<p style="text-align: justify;">Suas causas ainda não são completamente compreendidas, há combinação de fatores genéticos e ambientais, inclusive infecciosos, que podem desencadear as disfluências. É importante notar que não está relacionada à inteligência ou capacidade cognitiva da pessoa. Muitos indivíduos são altamente inteligentes e bem-sucedidos em sua vida pessoal e profissional.</p>
<p style="text-align: justify;">Tem início nos primeiros anos da infância, tanto em meninos quanto em meninas. A maioria vai ter resolução espontânea da gagueira e nenhum tratamento é necessário. Porém devemos ficar atentos aos fatores que aumentam muito a chance de cronificação (persistência dos sintomas): ser menino, instalação gradual da gagueira, história familiar com outras pessoas que gaguejam, especialmente se forem do sexo masculino, outras alterações de fala e linguagem associadas, início após os três anos de idade, história familiar, tensões musculares durante a fala, alterações emocionais, mais de duas repetições por episódio e início da terapia fonoaudiológica após 1 ano do início dos sintomas.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos casos com fatores de risco, uma investigação médica e fonoterapia devem ser iniciadas o mais breve possível. Pois o tratamento é benéfico em qualquer idade.</p>
<p style="text-align: justify;">O Dia Internacional da Gagueira é celebrado em 22 de outubro; tem por objetivo aumentar a conscientização sobre a gagueira e promover a compreensão e aceitação das pessoas que gaguejam.</p>
<p style="text-align: justify;">Lembre-se que cada criança é única e o que funciona para uma pode não funcionar para outra. O apoio da família é fundamental para ajudar as crianças a lidar com a gagueira e desenvolver habilidades de fala mais fluentes.</p>
<p>Como os pais, familiares e professores podem apoiar as crianças que gaguejam?</p>
<ul>
<li>Busque orientação profissional: Se você suspeita que seu filho está gaguejando, é importante procurar a orientação de um foniatra ou fonoaudiólogo. Eles podem avaliar a gravidade do problema e criar um plano de tratamento adequado.</li>
<li>Evite pressionar a criança: É fundamental não pressionar a criança a falar mais devagar ou corrigir sua fala constantemente. Isso pode aumentar a ansiedade e agravar a gagueira.</li>
<li>Ouça com paciência: Dê atenção às palavras da criança e demonstre interesse pelo que ela está dizendo. Isso ajuda a reduzir o estresse e a pressão associados à fala.</li>
<li>Fale com calma e devagar: Modelar uma fala tranquila e pausada pode ser útil. Fale naturalmente, mas evite apressar a conversa.</li>
<li>Evite interrupções: Não interrompa a criança enquanto ela está falando. Permita que ela termine suas frases e pense no que quer dizer.</li>
<li>Crie um ambiente de apoio: Incentive a autoestima da criança e seu senso de confiança. Ajude-a a entender que a gagueira não a torna menos valiosa como pessoa.</li>
<li>Pratique a escuta ativa: Faça perguntas abertas e mostre interesse genuíno pelo que seu filho tem a dizer. Isso pode ajudar a reduzir a pressão e a ansiedade associadas à fala.</li>
<li>Estabeleça uma rotina de prática: Se o fonoaudiólogo recomendar exercícios ou técnicas para praticar em casa, siga a orientação e crie uma rotina regular para praticar com seu filho.</li>
<li>Esteja atento a mudanças emocionais: A gagueira pode ser uma fonte de estresse para as crianças. Esteja atento a quaisquer mudanças emocionais ou comportamentais e converse com um profissional de saúde, se necessário.</li>
<li>Mantenha-se informado: Aprenda sobre a gagueira e como melhor apoiar seu filho. Há muitas organizações e recursos disponíveis para pais de crianças que gaguejam.</li>
</ul>
<p> </p>
<p><strong>Relatora:<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Sulene Pirana<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Núcleo de Estudos de Desenvolvimento e Aprendizagem da Sociedade de Pediatria de São Paulo</strong></p>
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		<title>Quarentena: fazendo do limão uma limonada</title>
		<link>https://www.spsp.org.br/quarentena-fazendo-do-limao-uma-limonada/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[pediatria@spsp.org.br]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Apr 2020 21:26:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O novo coronavírus chegou ao Brasil e vem mostrando toda a sua agressividade. Embora os idosos sejam o maior grupo afetado, o vírus mostrou que não respeita idade e espalha-se com enorme rapidez. É invisível aos nossos olhos, um inimigo inodoro, incolor e impalpável, porém suas consequências são bastante evidentes e desastrosas. Um conjunto de complicações orgânicas pode ocorrer no corpo humano, podendo ser muito grave quando atinge os pulmões, causando pneumonia, devido ao grande processo de inflamação que se instala no local e muita falta de ar. Nesses casos, é necessário o uso dos respiradores artificiais – as máquinas mais preciosas do momento – para a manutenção da vida. E haja estrutura emocional para dar conta do medo, das angústias e do risco de morte daquelas pessoas que estão passando por esses momentos. No setor de saúde, providências vêm sendo adotadas na ampliação de espaços de atendimento, recursos humanos, aparelhagem eletrônica, equipamentos de proteção individual (EPIs), medicamentos e outros recursos no tratamento dos pacientes. Como atitude de prevenção à disseminação do vírus, foi determinada a quarentena, enfatizando que as pessoas ficassem em suas casas, permanecendo em atividade somente os serviços essenciais. Por força dessa crise, a família voltou a reunir-se e conviver diariamente por várias horas, o que, possivelmente, será por prazo longo. Numa apreciação inicial, dentro do contexto social, um ganho valioso para o desenvolvimento das crianças, já que pais e filhos voltaram a ter contato próximo e frequente. Novo padrão de convivência familiar Trata-se de um novo padrão de convivência familiar estabelecido de modo rápido, sem ter havido qualquer planejamento prévio. Como, então, dar conta das atividades de cuidados da casa diariamente, prover alimentos e prepará-los, administrar o orçamento (entradas e saídas) e cuidar também dos filhos? Como lidar com a ansiedade e insegurança geradas pela Covid-19 não só na própria casa, mas também nos avós e outros parentes em condição de risco? E ainda, como lidar com as crianças vivendo continuamente no mesmo ambiente, dia após dia, distantes de outros parentes e amigos? É natural que o nível de ansiedade aumente devido a essa situação inusitada. O desejado é que esse convívio pouco a pouco se harmonize, com opções diversas de interesses individuais e/ou mútuos. No entanto, o que estamos tomando consciência é que esse estado de isolamento não tem duração prevista e vem sendo ampliado sucessivamente de acordo com a evolução da doença. O grupo familiar continuará em quarentena e demandará condições emocionais e de criatividade para suportá-la. Como lidar com o estresse que se acentua, inicialmente pela necessidade de estar nesta nova situação de isolamento que se alonga, para depois ser um estresse chamado tóxico (ansiedade excessiva e continuada), no qual poderão se agregar alterações no aprendizado, no comportamento e também igualmente orgânicas, trazendo prejuízos tanto para as crianças como para os adultos? A produção de hormônios do estresse – como a adrenalina e o cortisol – mostra-se exagerada, levando ao aumento dos batimentos cardíacos, hipertensão arterial, que quando prolongada, é capaz de alterar a estrutura e funções cerebrais, gerando prejuízos no processo de desenvolvimento, mais especificamente das crianças. Mesmo não tendo Covid-19, o prejuízo funcional poderá ser considerável. Organize uma nova rotina Se não houve planejamento para organizar as novas atividades diárias da família, não seria hora de estabelecê-lo e tirar proveito da situação? Com a mudança recente das rotinas, decorrente do isolamento social, o novo dia a dia necessitará ser repensado: tomando o modelo empresarial, é uma questão de ajustes da gestão familiar. Como sugestão, fazer uma programação diária e estabelecer por escrito as atividades desde o período da manhã até o final do dia, definindo e limitando programas dos pais com os filhos, outros em que os filhos farão independentemente e pai e mãe poderão ocupar-se com interesses próprios ou trabalhos profissionais online, havendo um respeito mútuo às prévias combinações da programação. As variações seriam introduzidas de acordo com os gostos e aptidões de cada família.&#160; Assim, ao mesmo tempo, ficarão todos interessados, ocupados e usufruindo de momentos para divertir-se e tranquilizar-se. Dessa forma, inclusive os pais, estarão incentivando e construindo a sua individualidade e autonomia e também a de seus filhos. É bom lembrar: lidar com a realidade é um atributo do desenvolvimento emocional da criança. Torna-se essencial que reconheçam que a realidade que temos no momento é esta, gostemos ou não, e é com ela que teremos que aprender a lidar com a experiência que nos impõe. Pode ser estressante, difícil, complexo, mas a situação poderá ser revertida em uma melhoria para toda a família em termos de entrosamento, conhecimento mútuo, como lidar com mudanças, como tolerar frustrações. Como diz a sabedoria popular, “faça do limão uma limonada”. Dessa forma, pode-se minimizar os contras e potencializar os prós, “tirando proveito de um mau negócio”. ___Relator: Dr. Saul CypelDepartamento Científico de Neurologia da Sociedade de Pediatria de São PauloGrupo de Estudos de Desenvolvimento e Aprendizagem da Sociedade de Pediatria de São Paulo</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O novo coronavírus chegou ao Brasil e vem mostrando toda a sua agressividade. Embora os idosos sejam o maior grupo afetado, o vírus mostrou que não respeita idade e espalha-se com enorme rapidez. É invisível aos nossos olhos, um inimigo inodoro, incolor e impalpável, porém suas consequências são bastante evidentes e desastrosas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um conjunto de complicações orgânicas pode ocorrer no corpo humano, podendo ser muito grave quando atinge os pulmões, causando pneumonia, devido ao grande processo de inflamação que se instala no local e muita falta de ar. Nesses casos, é necessário o uso dos respiradores artificiais – as máquinas mais preciosas do momento – para a manutenção da vida. E haja estrutura emocional para dar conta do medo, das angústias e do risco de morte daquelas pessoas que estão passando por esses momentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No setor de saúde, providências vêm sendo adotadas na ampliação de espaços de atendimento, recursos humanos, aparelhagem eletrônica, equipamentos de proteção individual (EPIs), medicamentos e outros recursos no tratamento dos pacientes. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Como atitude de prevenção à disseminação do vírus, foi determinada a <a href="https://www.pediatraorienta.org.br/carta-aos-pais-na-quarentena/">quarentena</a>, enfatizando que as pessoas ficassem em suas casas, permanecendo em atividade somente os serviços essenciais. Por força dessa crise, a família voltou a reunir-se e conviver diariamente por várias horas, o que, possivelmente, será por prazo longo. Numa apreciação inicial, dentro do contexto social, um ganho valioso para o desenvolvimento das crianças, já que pais e filhos voltaram a ter contato próximo e frequente.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://www.pediatraorienta.org.br/wp-content/uploads/2020/04/Depositphotos_215946412_monkeybusiness-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-3171"/><figcaption><em>monkeybusiness | depositphotos.com</em></figcaption></figure>



<h4 class="wp-block-heading">Novo padrão de convivência familiar</h4>



<p class="wp-block-paragraph">Trata-se de um novo padrão de convivência familiar estabelecido de modo rápido, sem ter havido qualquer planejamento prévio. Como, então, dar conta das atividades de cuidados da casa diariamente, prover alimentos e prepará-los, administrar o orçamento (entradas e saídas) e cuidar também dos filhos? Como lidar com a ansiedade e insegurança geradas pela Covid-19 não só na própria casa, mas também nos avós e outros parentes em condição de risco? E ainda, como lidar com as crianças vivendo continuamente no mesmo ambiente, dia após dia, distantes de outros parentes e amigos?</p>



<p class="wp-block-paragraph">É natural que o nível de ansiedade aumente devido a essa situação inusitada. O desejado é que esse convívio pouco a pouco se harmonize, com opções diversas de interesses individuais e/ou mútuos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No
entanto, o que estamos tomando consciência é que esse estado de isolamento não
tem duração prevista e vem sendo ampliado sucessivamente de acordo com a
evolução da doença. O grupo familiar continuará em quarentena e demandará
condições emocionais e de criatividade para suportá-la. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Como
lidar com o estresse que se acentua, inicialmente pela necessidade de estar
nesta nova situação de isolamento que se alonga, para depois ser um estresse
chamado tóxico (ansiedade excessiva e continuada), no qual poderão se agregar alterações
no aprendizado, no comportamento e também igualmente orgânicas, trazendo
prejuízos tanto para as crianças como para os adultos?</p>



<p class="wp-block-paragraph">A produção de hormônios do estresse – como a adrenalina e o cortisol – mostra-se exagerada, levando ao aumento dos batimentos cardíacos, hipertensão arterial, que quando prolongada, é capaz de alterar a estrutura e funções cerebrais, gerando prejuízos no processo de desenvolvimento, mais especificamente das crianças. Mesmo não tendo Covid-19, o prejuízo funcional poderá ser considerável.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Organize uma nova rotina</h4>



<p class="wp-block-paragraph">Se
não houve planejamento para organizar as novas atividades diárias da família, não
seria hora de estabelecê-lo e tirar proveito da situação? Com a mudança recente
das rotinas, decorrente do isolamento social, o novo dia a dia necessitará ser
repensado: tomando o modelo empresarial, é uma questão de ajustes da gestão
familiar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como sugestão, fazer uma programação diária e estabelecer por escrito as atividades desde o período da manhã até o final do dia, definindo e limitando programas dos pais com os filhos, outros em que os filhos farão independentemente e pai e mãe poderão ocupar-se com interesses próprios ou trabalhos profissionais <em>online</em>, havendo um respeito mútuo às prévias combinações da programação. As variações seriam introduzidas de acordo com os gostos e aptidões de cada família.&nbsp; Assim, ao mesmo tempo, ficarão todos interessados, ocupados e usufruindo de momentos para divertir-se e tranquilizar-se. Dessa forma, inclusive os pais, estarão incentivando e construindo a sua individualidade e autonomia e também a de seus filhos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É bom lembrar: lidar com a realidade é um atributo do desenvolvimento emocional da criança. Torna-se essencial que reconheçam que a realidade que temos no momento é esta, gostemos ou não, e é com ela que teremos que aprender a lidar com a experiência que nos impõe.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pode
ser estressante, difícil, complexo, mas a situação poderá ser revertida em uma melhoria
para toda a família em termos de entrosamento, conhecimento mútuo, como lidar
com mudanças, como tolerar frustrações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como diz a sabedoria popular, “faça do limão uma limonada”. Dessa forma, pode-se minimizar os contras e potencializar os prós, “tirando proveito de um mau negócio”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">___<br><strong>Relator</strong>: <br><strong>Dr. Saul Cypel</strong><br><strong>Departamento Científico de Neurologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo</strong><br><strong>Grupo de Estudos de Desenvolvimento e Aprendizagem da Sociedade de Pediatria de São Paulo</strong></p>



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<p>O post <a href="https://www.spsp.org.br/quarentena-fazendo-do-limao-uma-limonada/">Quarentena: fazendo do limão uma limonada</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.spsp.org.br">SPSP</a>.</p>
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