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	<title>Arquivos comunicação - SPSP</title>
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	<title>Arquivos comunicação - SPSP</title>
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		<title>Transtorno do Espectro Autista: avanços, desafios e novos olhares em relação ao diagnóstico</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fabio Teófilo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Apr 2026 18:02:02 +0000</pubDate>
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<p>O Transtorno do Espectro Autista (TEA) passou por profundas transformações conceituais ao longo das últimas décadas. Desde sua descrição inicial</p>
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<p style="text-align: justify;">O Transtorno do Espectro Autista (TEA) passou por profundas transformações conceituais ao longo das últimas décadas. Desde sua descrição inicial por Leo Kanner e Hans Asperger, na década de 1940, até as classificações atuais, o entendimento do autismo reflete não apenas avanços científicos, mas também mudanças na forma como compreendemos o desenvolvimento humano e como as neurodiversidades são percebidas e inseridas em nossa sociedade.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas primeiras versões do <em>Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders</em> (DSM), o autismo era visto de forma mais restrita e por muito tempo associado a quadros psicóticos e à esquizofrenia infantil. Foi a partir do DSM-III (1980) que o autismo passou a ser reconhecido como uma entidade diagnóstica própria. Já no DSM-IV (1994), o conceito foi ampliado para os chamados Transtornos Globais do Desenvolvimento, incluindo subcategorias, como a síndrome de Asperger, transtorno autista e transtorno invasivo do desenvolvimento sem outra especificação.</p>
<p style="text-align: justify;">A grande mudança ocorreu com a publicação do DSM-5, em 2013, quando essas categorias foram unificadas sob um único diagnóstico: o Transtorno do Espectro Autista. Essa reformulação consolidou a ideia de que o autismo não é uma condição única e homogênea, mas um contínuo de manifestações clínicas, com diferentes apresentações. Para organizar essa variabilidade, o DSM-5 introduziu três níveis de suporte: o Nível 1, em que o indivíduo requer algum suporte; o Nível 2, que requer suporte substancial; e o Nível 3, que requer suporte muito substancial. O diagnóstico passou a considerar dois domínios centrais – comunicação e interação social, de um lado, e comportamentos e interesses restritos e repetitivos, de outro – e a levar em conta fatores modificadores, como presença de deficiência intelectual, comprometimento de linguagem, condições médicas associadas e intensidade dos sintomas.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse novo modelo trouxe ganhos importantes, como reconhecer a heterogeneidade do TEA, e com isso ampliou-se a capacidade de identificar indivíduos previamente não diagnosticados, especialmente aqueles com quadros mais sutis ou atípicos.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas últimas décadas, observou-se um aumento expressivo na prevalência do autismo em diversos países. Dados dos EUA (CDC) mostram um crescimento consistente nas estimativas, atualmente em torno de uma a cada 31 crianças aos oito anos de idade. O cenário internacional confirma a tendência. No Reino Unido, um grande estudo publicado em 2021 no <em>JAMA Pediatrics</em>, que analisou dados de mais de sete milhões de crianças em escolas inglesas, estimou que cerca de uma em cada 57 crianças estava no espectro autista – número significativamente superior às estimativas anteriores. Mais recentemente, um estudo de 2023, publicado no <em>The Lancet Regional Health – Europe,</em> estimou que entre 150.000 e 500.000 pessoas com idades entre 20 e 49 anos na Inglaterra podem ser autistas sem terem recebido diagnóstico – o que indica que a subestimação ainda é expressiva, especialmente na população adulta.</p>
<p style="text-align: justify;">Diante desses números, surge a pergunta inevitável: estamos diante de um aumento real na ocorrência do autismo, ou estamos simplesmente ficando melhores em reconhecê-lo? A resposta é que provavelmente as duas coisas ocorrem, em proporções desiguais. Fatores ambientais e sociais têm sido estudados como possíveis contribuintes para um aumento real – entre eles, a maior idade paterna no momento da concepção, o crescimento das taxas de prematuridade extrema e de gestações múltiplas. Outros fatores, como mudanças nos hábitos alimentares e exposição a poluentes, seguem sob investigação. No entanto, o principal motor desse crescimento é o aumento no reconhecimento e no diagnóstico, impulsionado por razões convergentes: o desenvolvimento de ferramentas diagnósticas mais precisas e acessíveis; a ampliação da capacitação de profissionais de saúde; campanhas de triagem ativa nas consultas de puericultura – como as realizadas pela Academia Americana de Pediatria (AAP) desde 2006 e pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) desde 2017; a consolidação dos critérios diagnósticos com o DSM-5; e o aumento do conhecimento da população sobre os sinais de alerta do TEA, o que leva famílias e educadores a buscarem avaliações de forma mais precoce.</p>
<p style="text-align: justify;">A ampliação do conceito diagnóstico trouxe ganhos inegáveis – mas também gerou um debate científico importante. A pesquisadora Uta Frith, professora emérita de desenvolvimento cognitivo no University College London e pesquisadora que ajudou a fundamentar a compreensão atual do autismo, expressou preocupação com a expansão do diagnóstico. Ela aponta que o conceito pode ter sido expandido a ponto de englobar quadros muito distintos, levantando a reflexão de que talvez estejamos agrupando condições extremamente heterogêneas sob uma mesma denominação. Em suas palavras, o autismo pode estar se tornando um “guarda-chuva” amplo demais para realidades clínicas muito diversas.</p>
<p style="text-align: justify;">Sua preocupação central é de que o crescimento no número de diagnósticos – especialmente de TEA em Nível de Suporte 1 – leva ao risco de diluir a atenção, os recursos e as políticas públicas destinadas aos casos mais graves. Crianças e adultos com TEA de Nível 3, que apresentam comprometimentos significativos na comunicação e intensa dependência de cuidados, têm necessidades urgentes e específicas que não podem ser ofuscadas por uma narrativa única sobre o espectro. Por outro lado, seria um equívoco grave concluir que indivíduos com TEA de Nível 1 – mais funcionais em sua vida cotidiana – estejam isentos de sofrimento ou de necessidades de suporte. Ao contrário: a literatura científica evidencia que esses indivíduos apresentam altíssimas taxas de comorbidades psiquiátricas. Estudos populacionais estimam que, até os 30 anos de idade, mais de 54% dos indivíduos com TEA terão diagnóstico de depressão e 50% de transtorno de ansiedade – taxas significativamente superiores às da população geral. Comparados com indivíduos sem TEA, aqueles com o transtorno têm quatro vezes mais chance de desenvolver depressão ao longo da vida, e o risco aumenta com o nível de funcionamento intelectual mais elevado e com a idade, especialmente durante a adolescência – período em que a consciência das próprias diferenças se torna mais aguda e dolorosa.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa realidade aponta para uma necessidade fundamental: não existe uma conduta única no tratamento de indivíduos com TEA. É importante reconhecer a diversidade do espectro, as necessidades específicas de cada indivíduo e direcionar as intervenções mais adequadas caso a caso. Isso implica fortalecer políticas públicas que garantam acesso equitativo a intervenções, respeitando tanto aqueles com maior necessidade de suporte quanto aqueles cujas dificuldades são menos visíveis, porém igualmente relevantes.</p>
<p style="text-align: justify;">No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, é fundamental reforçar que o avanço no conhecimento científico deve caminhar junto com uma prática clínica sensível, individualizada e baseada em evidências. O conceito de espectro não deve restringir o olhar clínico, pelo contrário, deve ampliá-lo.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Relator:<br />Grupo de Trabalho sobre o Transtorno do Espectro Autista da SPSP</strong></p>
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		<title>Celebrando o espaço onde o cuidado e o aprendizado se encontram</title>
		<link>https://www.spsp.org.br/celebrando-o-espaco-onde-o-cuidado-e-o-aprendizado-se-encontram/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fabio Teófilo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Mar 2026 11:00:00 +0000</pubDate>
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<p style="text-align: justify;">O Dia da Escola, celebrado em 15 de março, é mais do que uma data no calendário. É um convite a reconhecer a importância desse espaço na formação de crianças e adolescentes, não apenas como local de ensino formal, mas como ambiente essencial de desenvolvimento humano.</p>
<p style="text-align: justify;">A escola é um dos principais cenários da infância e da adolescência. É ali que se constroem conhecimentos acadêmicos, habilidades sociais, emocionais e cognitivas, que acompanham o indivíduo por toda a vida. Aprender a ler e escrever é fundamental. Aprender a conviver, cooperar, argumentar, respeitar diferenças, construir autonomia e lidar com frustrações é igualmente transformador. Esses aprendizados não estão apenas no currículo, estão nas interações diárias, nas regras compartilhadas, nos combinados coletivos.</p>
<p style="text-align: justify;">Sob a perspectiva da saúde e do desenvolvimento infantil, a escola ocupa papel estratégico. Ambientes estruturados, com rotina previsível e adultos de referência, favorecem segurança emocional e autorregulação. A convivência com pares estimula empatia, comunicação e senso de pertencimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao longo das diferentes fases do crescimento, a escola assume funções específicas. Na infância, o brincar e a descoberta estruturam a aprendizagem e estimulam o desenvolvimento neurológico. No ensino fundamental, consolidam-se competências acadêmicas e habilidades sociais mais complexas. Na adolescência, a escola se torna espaço de construção de identidade, valores, autonomia e projeto de vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais do que transmitir conteúdos, a escola desenvolve o pensamento crítico, a capacidade de resolução de problemas, responsabilidade e consciência social. Forma cidadãos.</p>
<p style="text-align: justify;">A integração entre família e escola é uma parceria essencial para o desenvolvimento saudável. Comunicação aberta, alinhamento de expectativas e escuta ativa contribuem para que crianças e adolescentes se sintam seguros e apoiados. Também é na escola que, muitas vezes, se identificam precocemente dificuldades de aprendizagem, alterações comportamentais ou sinais de sofrimento emocional. Quando integrada a uma rede de cuidado, que inclui família e profissionais de saúde, a escola atua como potente fator de proteção.</p>
<p style="text-align: justify;">Acompanhar o cotidiano escolar não se resume a avaliar notas. Envolve observar bem-estar emocional, relações interpessoais e adaptação às demandas de cada fase.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>No Dia da Escola, um convite à reflexão</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Celebrar o Dia da Escola é reconhecer o valor dos educadores, das equipes pedagógicas e de todos os profissionais que sustentam esse ambiente diariamente. É também lembrar que a experiência escolar impacta profundamente a autoestima, a saúde emocional e a trajetória de vida das crianças e adolescentes.</p>
<p style="text-align: justify;">É, sobretudo, reafirmar que educação e desenvolvimento caminham juntos. Investir na escola é investir na saúde, na cidadania e nas oportunidades das próximas gerações.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste 15 de março, que a escola seja celebrada como aquilo que verdadeiramente é: um dos pilares mais importantes na formação integral de crianças e adolescentes. Um espaço de crescimento, descobertas e construção de futuro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Relatora:<br />Betina Lahterman<br />Presidente do Departamento Científico de Saúde Escolar da SPSP</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Meu filho está gaguejando &#8211; e agora?</title>
		<link>https://www.spsp.org.br/meu-filho-esta-gaguejando-e-agora/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fabio Teófilo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Feb 2026 14:22:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2026/02/Imagem-Gagueira-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2026/02/Imagem-Gagueira-150x150.jpg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2026/02/Imagem-Gagueira-75x75.jpg 75w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2026/02/Imagem-Gagueira-500x500.jpg 500w" sizes="auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
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										<content:encoded><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2026/02/Imagem-Gagueira-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2026/02/Imagem-Gagueira-150x150.jpg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2026/02/Imagem-Gagueira-75x75.jpg 75w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2026/02/Imagem-Gagueira-500x500.jpg 500w" sizes="auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p style="text-align: justify;">O que é gagueira? é uma alteração da fluência da fala, caracterizada por repetições (por exemplo, “-pa-pa-papai”), prolongamentos de sons (“ssssala”) ou bloqueios (pausas em que a palavra não sai). É comum em crianças pequenas, enquanto a fala e o controle da linguagem estão em desenvolvimento. Nem toda gagueira na infância vira gagueira persistente (aquela que acompanha a pessoa por mais tempo).</p>
<p style="text-align: justify;">As causas prováveis, baseadas em evidências, incluem</p>
<ol style="text-align: justify;">
<li>Alteração ou imaturidade do desenvolvimento neurológico: algumas crianças têm um padrão de desenvolvimento da fala mais sensível; há diferenças na forma como o cérebro processa a linguagem e a coordenação motora da fala.</li>
<li>Genética: estudos mostram maior risco em famílias com histórico de gagueira.</li>
<li>Fatores linguísticos e do ambiente: períodos de rápido ganho de linguagem, falar muito rápido ou frases complexas podem sobrecarregar a criança. Não é culpa dos pais, mas o ambiente pode influenciar a expressão.</li>
</ol>
<p style="text-align: justify;">Fatores emocionais e de temperamento, ansiedade e frustração, eventos estressantes podem agravar a gagueira, mas não são a causa dela.</p>
<p style="text-align: justify;">Eventos estressantes: grandes modificações na vida da criança (mudança, chegada de irmão) podem coincidir com o início, mas também não são a causa da gagueira.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como agir quando a criança começa a gaguejar</strong></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li>Manter a calma: reações de nervosismo ou correção imediata aumentam a pressão sobre a criança.</li>
<li>Escutar com atenção e paciência: oferecer tempo para que termine, manter contato visual e não completar as palavras.</li>
<li>Reduzir a pressa: falar de forma lenta e relaxada com a criança; usar frases curtas e pausas para modelar o ritmo natural.</li>
<li>Evitar cobrar falando: “diga certo” ou corrigir a fala durante a conversa. Elogiar tentativas de comunicação, não a fluência.</li>
<li>Criar momentos de interação tranquila: leitura conjunta, brincadeiras que valorizem a comunicação sem pressão.</li>
<li>Procurar orientação profissional se houver dúvida: foniatras e fonoaudiólogos.</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quando se preocupar (procurar avaliação em curto prazo)</strong></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li>Início após os 4–5 anos sem sinais de melhora em 3–6 meses.</li>
<li>A criança evita falar em situações sociais, demonstra angústia significativa, ou a gagueira aumenta em frequência/intensidade.</li>
<li>Há bloqueios longos, esforço evidente, sons cortados ou tremores na fala.</li>
<li>Histórico familiar de gagueira persistente.</li>
<li>Desenvolvimento da linguagem atrasado, problemas auditivos ou outras condições neurológicas/psicológicas associadas.</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quando é razoável aguardar (observação ativa)</strong></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li>Início entre 18 meses e 4 anos, especialmente durante um período de rápido desenvolvimento da linguagem.</li>
<li>Gagueira intermitente, com intensidade baixa e sem sinais de angústia ou evitação.</li>
<li>Melhora observada em semanas a poucos meses. Nesses casos, acompanhamento cuidadoso (monitoramento por pais e, se possível, por fonoaudiólogo) é apropriado. Manter estratégias de comunicação calmas e apoio emocional costumam ajudar.</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">A gagueira na infância é comum e muitas vezes melhora com apoio e tempo. Agir com calma, oferecer um ambiente de fala seguro e buscar avaliação profissional quando houver sinais de risco são as melhores atitudes.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Relatora:</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sulene Pirana</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Médica Otorrinolaringologista com Área de Atuação em Foniatria e Medicina do Sono</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Membro do Departamento Científico de Otorrinolaringologia da SPSP</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Vice-Presidente do Núcleo de Estudos de Desenvolvimento e Aprendizagem da SPSP </strong></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
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			</item>
		<item>
		<title>Dia Nacional da Família: honrando os laços que nos unem e nos formam</title>
		<link>https://www.spsp.org.br/dia-nacional-da-familia-honrando-os-lacos-que-nos-unem-e-nos-formam/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fabio Teófilo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Dec 2025 18:25:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adolescência]]></category>
		<category><![CDATA[Bebê]]></category>
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					<description><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/12/Imagem-Dia-Nacional-da-Familia-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/12/Imagem-Dia-Nacional-da-Familia-150x150.jpeg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/12/Imagem-Dia-Nacional-da-Familia-75x75.jpeg 75w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/12/Imagem-Dia-Nacional-da-Familia-500x500.jpeg 500w" sizes="auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p>O Dia Nacional da Família é celebrado em 8 de dezembro, conforme instituído pelo Decreto nº 52.748 de 1963, de 24 de outubro de 1963.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/12/Imagem-Dia-Nacional-da-Familia-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/12/Imagem-Dia-Nacional-da-Familia-150x150.jpeg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/12/Imagem-Dia-Nacional-da-Familia-75x75.jpeg 75w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/12/Imagem-Dia-Nacional-da-Familia-500x500.jpeg 500w" sizes="auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p style="text-align: justify;">O Dia Nacional da Família é celebrado em 8 de dezembro, conforme instituído pelo Decreto nº 52.748 de 1963, de 24 de outubro de 1963.</p>
<p style="text-align: justify;">As relações familiares, conforme suas características e qualidades, podem proteger ou vulnerabilizar os indivíduos, moldar os estilos de autoestima, habilidades sociais, vínculos e apego; influenciar a saúde mental, o desempenho escolar, a longevidade e servir como rede de apoio prática e emocional nas transições da vida.</p>
<p style="text-align: justify;">A família é um dos principais contextos de socialização e apoio ao longo de toda a vida, embora suas funções mudem conforme os ciclos; sua influência pode permanecer significativa em termos de bem-estar e desenvolvimento emocional, cognitivo e social.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8211; Na primeira infância: nesta fase – dos 0 aos 6 anos – a família é a base de tudo. O apoio dos pais e o ambiente familiar positivo são essenciais para o crescimento saudável e para trazer segurança, afeto, linguagem, hábitos e limites. Deve favorecer vínculos seguros, autoconfiança, autoestima, curiosidade e autonomia. Nesse período, o cérebro precisa de muita estimulação para aprender e formar novas conexões e o resultado será ainda maior se for acompanhado de um elo afetivo.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8211; Na idade escolar (6-10 anos): época de ampliar seu mundo (escola, amigos) e, ao ter convivência familiar saudável, haverá redução da ansiedade e melhora das habilidades sociais. A família deve continuar sendo estruturante, continuar presente e atenta, fornecer apoio acadêmico e emocional, estabelecer limites claros e consistentes e incentivar a autonomia.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8211; Na adolescência: começa aos 10 anos (segundo a Organização Mundial da Saúde &#8211; OMS) e aos 12 anos (de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente &#8211; ECA) e é etapa marcada por busca da identidade e de maior independência. É fundamental nesta fase mostrar modelos parentais coerentes na tomada de decisões, valores e limites, manter diálogo e comunicação abertos, dar apoio emocional e suporte (sem controle excessivo), fornecer apoio, orientação e compreensão durante essa fase desafiadora, transmitir valores e orientações sobre escolhas de vida, educação e carreira.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8211; Na fase de adulto jovem e vida adulta (19–35 anos): relações familiares equilibradas, padrões aprendidos e heranças emocionais devem estar introjetados, para que ocorra transição fácil para a independência, início da vida profissional e formação de sua própria família. Nesta época, mesmo que haja afastamento, a fonte de apoio emocional e social deve continuar a existir em todos os momentos: responsabilidades, sensos de pertencimento e conexão, além de laços familiares fortes, para que seus membros compartilhem experiências, conquistas e desafios.</p>
<p style="text-align: justify;">Como fazer? Criando laços familiares mais fortes, reunir a família, dedicar tempo de qualidade, compartilhar histórias, todos procurarem se comunicar, criar novas tradições, estabelecer limites que sejam saudáveis, ensinar valores éticos.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta data oferece excelente espaço para enfrentar desafios e conflitos, superar obstáculos, manter comunicação aberta, apoio mútuo e perdoar. E para agradecer por todo o suporte, dedicação e ensinamentos que recebemos ao longo da vida.</p>
<p> </p>
<p><strong>Relatora:</strong></p>
<p><strong>Renata D Waksman<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Vice-Presidente da SPSP<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP</strong></p>
<p> </p>
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		<title>Quando se fala em “segurança do paciente”, do que estamos falando?</title>
		<link>https://www.spsp.org.br/quando-se-fala-em-seguranca-do-paciente-do-que-estamos-falando/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Sep 2024 14:46:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Voz do Blog]]></category>
		<category><![CDATA[assistência médica]]></category>
		<category><![CDATA[Cateteres]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Identificação]]></category>
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		<category><![CDATA[Lesões]]></category>
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		<category><![CDATA[Segurança do Paciente]]></category>
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		<category><![CDATA[Transfusão]]></category>
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					<description><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2024/09/Imagem-Seguranca-paciente-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2024/09/Imagem-Seguranca-paciente-150x150.jpeg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2024/09/Imagem-Seguranca-paciente-75x75.jpeg 75w" sizes="auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p>O erro, no mundo todo, tem contribuído com percentual significativo para desfechos desfavoráveis e para a oneração dos custos na assistência médica. Essa constatação motivou</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2024/09/Imagem-Seguranca-paciente-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2024/09/Imagem-Seguranca-paciente-150x150.jpeg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2024/09/Imagem-Seguranca-paciente-75x75.jpeg 75w" sizes="auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p style="text-align: justify;">O erro, no mundo todo, tem contribuído com percentual significativo para desfechos desfavoráveis e para a oneração dos custos na assistência médica. Essa constatação motivou o desencadear pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de ações para o seu enfrentamento, uma delas foi a instituição do Dia Mundial da Segurança do Paciente, que é celebrado em 17 de setembro.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando se fala em “Segurança do Paciente” estamos falando de “prevenir o que é prevenível” no exercício dessa atividade complexa (a arte de curar) e que não é “matemática”. Falhas podem ocorrer em todas as etapas do processo da assistência médica. Oito grandes ocorrências já foram identificadas e são objeto de ações, em nosso país, pelo Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP). Destacamos:</p>
<ul style="text-align: justify;">
<li>Identificação do paciente:</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">Erros podem levar, por exemplo, à aplicação de medicamento ou transfusão, ou realização de testes diagnósticos, ou algum procedimento, em paciente errado e/ou em local errado. Soluções simples e eficazes: pulseiras de identificação, etiquetas em prontuários e solicitações de exames e a confirmação indispensável dos dados pessoais junto ao paciente.</p>
<ul style="text-align: justify;">
<li>Higienização das mãos:</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">As mãos são a principal via de transmissão de germes durante a prestação de cuidados de saúde. Soluções: a higiene das mãos deve ser realizada, obrigatoriamente, antes e após o contato com o paciente; antes e após a realização de procedimentos; após contato com material biológico e com o mobiliário e equipamentos próximos ao paciente.</p>
<ul style="text-align: justify;">
<li>Cateteres e sondas:</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">A infusão de soluções em vias erradas, como aquelas que deveriam ser administradas em sondas enterais serem realizadas em cateteres intravenosos. Soluções: Verificação, obrigatória, das conexões antes da infusão.</p>
<ul style="text-align: justify;">
<li>Cirurgia segura:</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">Evitar a possibilidade de realizar o procedimento errado no local errado ou no paciente errado. Evitar também as surpresas pela falta ou falhas em equipamentos ou de suprimentos indispensáveis ao ato cirúrgico, passíveis de identificação preventiva. Soluções: Utilização de “listas de verificação” (<em>check-lists</em>), aplicadas em três momentos cruciais: antes da indução anestésica, antes da incisão na pele e antes de o paciente sair da sala de cirurgia, que permitem avaliar/rever todo o processo, desde o início até a conclusão.</p>
<ul style="text-align: justify;">
<li>Sangue e hemocomponentes:</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">Evitar a transfusão incompatível. Soluções: a transfusão só poderá ocorrer após a confirmação da identidade do paciente e sua compatibilidade com o produto (glóbulos vermelhos, plaquetas, fatores de coagulação, plasma fresco congelado).</p>
<ul style="text-align: justify;">
<li>Prevenção de queda:</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">Essa possibilidade é maior em menores de 5 anos e em maiores de 65 anos. Soluções: atenção especial para: agitação/confusão, déficit sensitivo, distúrbios neurológicos, uso de sedativos, visão reduzida, dificuldades de marcha, hiperatividade e riscos ambientais (iluminação inadequada, pisos escorregadios, superfícies irregulares).</p>
<ul style="text-align: justify;">
<li>Prevenção de lesão por pressão:</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">Lesões por pressão são lesões na pele, geralmente localizadas sobre uma proeminência óssea, resultantes de pressão isolada. Soluções: a avaliação periódica dos riscos que cada paciente apresenta para a ocorrência de úlceras por pressão e instalação de medidas protetivas específicas.</p>
<ul style="text-align: justify;">
<li>Comunicação efetiva:</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">O paciente recebe cuidados de diversos profissionais e em diferentes locais, o que torna imprescindível a comunicação eficaz entre os envolvidos no processo. Soluções: a passagem de plantão e o registro em prontuário são exemplos de ferramentas de comunicação efetiva, oral e escrita, onde é necessário transmitir as informações com clareza e fidedignidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Como eu desejaria ser tratado caso estivesse&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Preencha o pontilhado com a sua imaginação. Por exemplo: se estivesse internado; se estivesse na sala de espera de um Pronto-Socorro ou na recepção de um Laboratório de Análises Clínicas.</p>
<p style="text-align: justify;">Tenho certeza de que a minha avó responderia da mesma forma que meu pai e da mesma maneira que eu ou você. Nós todos desejaríamos ser tratados com competência, profissionalismo, compreensão, amabilidade, respeito, não sermos deixados abandonados e mantidos em segurança.*</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Para saber mais:</p>
<p style="text-align: justify;">* Fernando MF Oliveira. O novo. Reflexões baseadas em evidências. São Paulo: Fonte Editorial. 2019.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Relator:<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Fernando MF Oliveira<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP</strong></p>
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		<title>Dia Mundial de Conscientização do Autismo 2024</title>
		<link>https://www.spsp.org.br/dia-mundial-de-conscientizacao-do-autismo-2024/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fabio Teófilo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Apr 2024 17:41:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Voz do Blog]]></category>
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		<category><![CDATA[Transtorno do espectro autista]]></category>
		<category><![CDATA[tratamento]]></category>
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					<description><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2024/04/Imagem-TEA-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2024/04/Imagem-TEA-150x150.jpg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2024/04/Imagem-TEA-75x75.jpg 75w" sizes="auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p>“Valorize as capacidades e respeite os limites” é o slogan que marca este ano o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Uma importante recomendação para nos lembrar</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2024/04/Imagem-TEA-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2024/04/Imagem-TEA-150x150.jpg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2024/04/Imagem-TEA-75x75.jpg 75w" sizes="auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p style="text-align: justify;"><em>“Valorize as capacidades e respeite os limites</em>” é o slogan que marca este ano o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Uma importante recomendação para nos lembrar da importância da singularidade e do respeito às diferenças, que não estão presentes apenas nos transtornos, mas que ganham eloquência quando somos convocados a compreender um universo tão peculiar como o desses indivíduos.</p>
<p style="text-align: justify;">No dia 2 de abril, a temática ganha destaque e com isso diminui o abismo separatista que pode tornar essa vivência ainda mais solitária, numa sociedade que tanto valoriza a adaptação e o desempenho.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma das importantes ressalvas é considerar que são “muitos autismos” e que um indivíduo com características de TEA – Transtorno do Espectro Autista precisa ser compreendido em sua individualidade, para que possamos facilitar sua inclusão e socialização. São ações que precisam estar nas prioridades das políticas públicas, mas que não deixam de ser responsabilidade de cada um de nós. E é nessa direção que o slogan nos convoca, para que possamos evitar os preconceitos e os estigmas.</p>
<p style="text-align: justify;">Temos muito ainda a compreender. E muitos equívocos ainda impedem que essas crianças possam se desenvolver de forma mais rica, adquirindo capacidade de subjetivação, que faz com que elas se apropriem de sua existência e desejos. O engodo é muitas vezes se resignar na falsa informação de que é uma criança que só pode ser treinada e tornar-se apenas funcional.</p>
<p style="text-align: justify;">O percurso histórico dos últimos 80 anos nos mostra o quanto já se avançou; mas é o interesse e o empenho de cada um de nós que permitirão que essas crianças que apresentam sinais de risco não sejam condenadas a um viver empobrecido.</p>
<p style="text-align: justify;">O autismo foi primeiramente descrito e nomeado por Leo Kanner, em 1943, a partir da descrição de 11 casos de crianças que apresentavam forte tendência ao retraimento, sem, no entanto, terem características que justificassem um retardo mental. Kanner denominou essa síndrome de “<em>autismo infantil precoce”</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde essa época, muitos estudos têm sido feitos com o intuito de compreender a etiologia do que hoje denominamos <em>transtorno do espectro autista.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Pesquisas recentes falam a favor de causas multifatoriais para os TEAs, isto é, muitos são os elementos que podem compor a etiologia desse transtorno. Além de que por meio da epigenética (campo de pesquisa que investiga como os estímulos ambientais podem ativar determinados genes e silenciar outros), os estudos demonstram uma interação importante entre fatores genéticos e ambientais, reforçando consideravelmente o ponto de vista do ambiente da criança, tanto em termos gerais como emocionais.</p>
<p>O transtorno do espectro autista é considerado um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado pelos seguintes comportamentos, iniciados na infância:</p>
<ul>
<li>Dificuldades ou incapacidade de se relacionar, isto é baixa interação social;</li>
<li>Ausência ou atraso na aquisição da linguagem;</li>
<li>Não dirige o olhar &#8211; esse muitas vezes é desviante ou é como se atravessasse o interlocutor;</li>
<li>Fala ecolálica, isto é, repetição de palavras ou frases ditas na TV ou em filmes que assiste, sem nenhuma intenção comunicativa;</li>
<li>Flappings (balanceio das mãos na altura dos ombros, como asas de pássaros) ou movimentos estereotipados (esses podem ser os mais variados: pular incessantemente, escrever no ar, etc.);</li>
<li>Manutenção rígida de rotinas, inclusive na alimentação;</li>
<li>Uso não simbólico dos brinquedos, isto é, esses não são usados para brincadeiras de faz de conta e nem utilizados para as funções às quais foram destinados;</li>
<li>Uso de pessoas como instrumento. É muito comum que em vez de pedir ajuda, a criança pegue a pessoa pela mão e a leve no lugar onde quer que ela faça alguma coisa. Por exemplo: pegar a mão e levar a uma gaveta ou porta para que seja aberta, sem nenhuma solicitação e nem mesmo um direcionamento de olhares</li>
<li>Não responde a um chamado;</li>
<li>Gira objetos ou gira em torno do próprio eixo;</li>
<li>Bastante sensibilidade a sons altos;</li>
<li>Preferência por objetos duros ou que causam sensações, muito mais do que usados com função lúdica</li>
</ul>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">Muito tem sido estudado para compreender sua etiologia e saber como ajudar essas crianças e suas famílias. Alguns apontam para falhas precoces no desenvolvimento dos bebês antes mesmo de completarem um ano de idade, que podem ser consideradas portas abertas para os TEAs. No entanto, se detectadas a tempo e trabalhadas preferencialmente em sessões conjuntas pais-bebê, com o apoio de uma equipe multiprofissional, muitas conquistas significativas podem ser alcançadas. Há um fortalecimento dos vínculos, o que propicia um desenvolvimento mais satisfatório. Essa é a conduta adotada pela psicanálise.</p>
<p style="text-align: justify;">Por muitos anos, a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) foi o tipo de tratamento indicado para o autismo, por vários profissionais. Essa escolha devia-se à ideia de que o indivíduo dentro do espectro não teria condições de subjetivação, como proposta pela psicanálise, e deveria ser apenas treinado para uma adaptação. No ano passado a AMA (American Medical Association), compreendendo os avanços nas pesquisas psicanalíticas e as evidências de possibilidades de subjetivação e qualidade interativa, retirou seu apoio exclusivo à ABA por falta de evidências e por problemas que foram sendo evidenciados a longo prazo com crianças que haviam sido submetidas ao programa.</p>
<p style="text-align: justify;">Torna-se, assim, imprescindível o estudo do desenvolvimento psíquico e como vamos trabalhar com essas crianças, dentro desse referencial que considera a <em>psique</em> e o emocional. Essa abordagem é mais abrangente do que o mero foco na modificação padronizada de comportamentos sociais não adaptados, pois, como vimos, cada criança é única, tem uma história de desenvolvimento, uma família, um psiquismo que lhe é próprio.</p>
<p style="text-align: justify;">O atendimento dentro do referencial psicanalítico é erroneamente entendido como tratamento que conta apenas com comunicação verbal, uso do divã, análise de sonho, ou, no caso de análise infantil, de jogo simbólico, comunicação verbal. O exercício da psicanálise, principalmente para aqueles pacientes com questões sérias nas áreas emocional e cognitiva, relacionadas aos estágios iniciais do desenvolvimento, vai muito além disso. A ênfase recai sobre a técnica adaptada. O trabalho psicanalítico com crianças dentro do TEA vem sendo estudado e praticado com sucesso por profissionais qualificados, tanto no Brasil como em várias partes do mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">O grupo Prisma de Psicanálise e Autismo (GPPA), ligado à Sociedade de Psicanálise de São Paulo, desenvolveu uma pesquisa buscando analisar dados e material clínico do trabalho psicanalítico com crianças que apresentam TEA, avaliando as mudanças e os resultados em um período de 18 meses de tratamento. Ficou demonstrado que o tratamento psicanalítico oferece oportunidades efetivas para o desenvolvimento psíquico e emocional, com ganhos significativos em termos de habilidades sociais, sem treinamentos específicos e padronizado.</p>
<p> </p>
<p>Saiba mais:</p>
<p><a href="https://www.icdl.com/about/News/ama">https://www.icdl.com/about/News/ama</a></p>
<p> </p>
<p><strong>Relatoras:</strong></p>
<p><strong>Denise de Sousa Feliciano<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Psicóloga e Psicanalista pela International Psychoanalytical Association (IPA)<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Membro Associado na Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP)<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Professora e Coordenadora do curso <em>Relação Pais-Bebê: Da Observação à Intervenção</em> (Instituto Sedes Sapientiae)<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Presidente do Núcleo de Estudos de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo</strong></p>
<p> </p>
<p><strong>Fatima Maria Vieira Batistelli<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Psicóloga graduada pela Universidade de São Paulo (USP)<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Membro Associado da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo </strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">(SBPSP)<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Membro da clínica 0 a 3 Intervenção nas relações iniciais pais\bebê-criança pequena do Centro de Atendimento Psicanalítico da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Membro do Núcleo de Estudos de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo</strong></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Do homo habilis ao homo ciberneticus</title>
		<link>https://www.spsp.org.br/do-homo-habilis-ao-homo-ciberneticus/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fabio Teófilo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 May 2023 17:23:56 +0000</pubDate>
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<p>A evolução do ser humano como espécie sempre está atrelada a uma conquista “tecnológica”. Ao dominar o fogo conseguimos amenizar o frio, cozinhar alimentos, proteger-nos de animais</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-internet-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-internet-150x150.jpg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2023/05/Imagem-internet-75x75.jpg 75w" sizes="auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p style="text-align: justify;">A evolução do ser humano como espécie sempre está atrelada a uma conquista “tecnológica”. Ao dominar o fogo conseguimos amenizar o frio, cozinhar alimentos, proteger-nos de animais ferozes, moldar o ferro, o barro e a argila. Ao dominar o plantio das sementes, fixamo-nos na terra, criamos a agricultura, deixamos de ser nômades, facilitamos o surgimento das cidades. Ao descobrir a escrita facilitamos a comunicação, criamos um meio de perpetuar a cultura. Ao descobrir a prensa, criamos livros, jornais e revistas. Ao criar a roda, possibilitamos o surgimento de novos meios de locomoção. Ao criar a máquina a vapor, desenvolvemos locomotivas e navios. Ao criar o telégrafo, facilitamos a comunicação, encurtamos distâncias. Ao dominar a eletricidade, criamos a lâmpada, desenvolvemos a televisão, o rádio, a sétima arte, etc.</p>
<p style="text-align: justify;">A cada nova descoberta evoluímos. De <em>hominídeos </em>para <em>Homo sapiens sapiens</em>, uma jornada de pelo menos seis milhões de anos. Uma conquista gera outra; um conhecimento gera outro.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse impulso extraordinário de criatividade e curiosidade leva o homem a ser descobridor de mistérios. O possível está em sua mente – basta pensar algo novo que se tornará realidade concreta em algum momento. As histórias em quadrinhos, as séries de animações para a TV, os livros de ficção científica, foram grandes precursores, profetizaram um amanhã que hoje desfrutamos. A WEB, a internet, já tinham sido vislumbradas muitos anos antes do seu aparecimento, incrivelmente, pelos “<em>Jetsons</em>”, ou pelos tripulantes da “<em>Enterprise</em>”.</p>
<p style="text-align: justify;">O computador (1944) e a Web (1993) nos transformaram. O uso da internet, desde a sua comercialização na década de 1990, foi mudando o jeito de como fazemos diversas coisas, desde a nossa forma de comunicação até o nosso trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando comemoramos o Dia Mundial da Internet estabelecido pela ONU no ano de 2006, convém refletirmos sobre os avanços que a inteligência humana nos proporciona. A data em questão &#8211; 17 de maio &#8211; é, também, o Dia Internacional das Telecomunicações, criado por conta da expansão do telégrafo em 1865.</p>
<p>O outro lado da medalha: a maravilha da internet esconde perigos. Cito alguns cuidados que devem ser tomados pelas famílias para preservar os filhos de riscos ao navegar pela internet:</p>
<ol>
<li style="text-align: justify;">Tomar cuidado com a exposição das crianças nas fotos: existem pessoas que encontram esses conteúdos e os divulgam em sites de pedofilia ou de prostituição infantil. Restringir suas redes sociais para que somente amigos possam ver suas publicações. Instrua seus filhos a não usar a webcam e não trocar fotos ou informações sobre a família.</li>
<li style="text-align: justify;">Proteger as informações pessoais: os golpistas podem se aproveitar dos dados, independentemente da fonte. Tome cuidado ao expor o endereço, o nome da escola dos seus filhos, os locais que a família costuma frequentar. É importante orientar a criança a não compartilhar informações pessoais na internet, nem se cadastrar em sites desconhecidos.</li>
<li style="text-align: justify;">Monitorar o acesso dos filhos à internet: as crianças não dispõem de repertório suficiente para escolherem sozinhas o que pode ser visto na internet e, por isso, é importante monitorar o acesso. A família deve acompanhar essa interação para garantir que a criança entre em contato apenas com o que é saudável. Dependendo da idade dos filhos, é melhor que eles acessem a internet apenas em locais visíveis, o que torna mais fácil acompanhar o que está sendo feito e visto. Ainda que esteja em um site ou canal direcionado a crianças, é importante ter a presença de um adulto, pois é possível que apareçam propagandas e outros conteúdos que tirem a criança da página, levando a locais inapropriados.</li>
<li style="text-align: justify;">Verificar com quais pessoas as crianças têm contato on-line: infelizmente, nem todos são verdadeiros no ambiente das redes sociais; muitos adultos se fazem passar por crianças e procuram outras para conversar. É importante orientar as crianças a conversarem apenas com familiares e amigos conhecidos. É fundamental que elas não troquem mensagens com estranhos.</li>
<li style="text-align: justify;">Avaliar o tipo de conteúdo que os filhos estão consumindo: talvez os materiais acessados não sejam ofensivos ou perigosos, mas também podem não ser relevantes ou interessantes para o desenvolvimento das crianças. Cuidado com jogos e desafios que circulam na rede.</li>
<li style="text-align: justify;">Estabelecer um limite de tempo para o uso da internet: o desafio é saber equilibrar o tempo de exposição a esses conteúdos, de maneira que não prejudique o desenvolvimento e as demais atividades que precisam ser feitas durante o dia. É interessante estabelecer quanto tempo seus filhos podem utilizar o celular, o computador e outros dispositivos. O acesso às tecnologias é importante, mas é preciso ter tempo para as brincadeiras com os amigos, as atividades ao ar livre e outras diversões.</li>
<li style="text-align: justify;">Dialogar sobre os hábitos: o diálogo em casa é eficiente e contribui para que as crianças compreendam os riscos que a internet oferece e saibam lidar com situações em que os responsáveis não estão próximos. O diálogo cria uma relação de confiança.</li>
</ol>
<p style="text-align: justify;">Riscos ainda mais difíceis de serem avaliados estão ocultos no que chamamos de Inteligência Artificial (IA). Não foi à toa que uma plêiade de pensadores de nomeada pediu, recentemente, uma pausa por seis meses para avaliação sobre o desenvolvimento das pesquisas com IA (ChatGPT &#8211; robô virtual que responde a várias perguntas, realiza tarefas por escrito, conversa de maneira fluída e até dá conselhos sobre problemas pessoais). Que “mundo novo” estamos criando, só o futuro nos esclarecerá. Hoje, o medo pode nos paralisar, a arrogância pode nos destruir, a moderação e a ética, entretanto, podem nos amparar. Uma certeza podemos ter – a tecnologia sempre continuará nos transformando.</p>
<p> </p>
<p><strong>Relator:<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Fernando MF Oliveira<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP</strong></p>
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		<title>23 de setembro &#8211; Dia Internacional das Línguas de Sinais</title>
		<link>https://www.spsp.org.br/23-de-setembro-dia-internacional-das-linguas-de-sinais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fabio Teófilo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Sep 2022 19:28:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
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					<description><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-Lingua-de-Sinais-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-Lingua-de-Sinais-150x150.jpg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-Lingua-de-Sinais-75x75.jpg 75w" sizes="auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p>A essência de ser humano é a comunicação – transmitirmos nossos pensamentos: ideias e sentimentos. Dominar uma língua é fundamental para o desenvolvimento da inteligência</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-Lingua-de-Sinais-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-Lingua-de-Sinais-150x150.jpg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-Lingua-de-Sinais-75x75.jpg 75w" sizes="auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p style="text-align: justify;">A essência de ser humano é a comunicação – transmitirmos nossos pensamentos: ideias e sentimentos. Dominar uma língua é fundamental para o desenvolvimento da inteligência; sem um código para nos expressarmos não conseguimos atingir todo nosso potencial, por isso é muito importante a exposição a uma língua logo ao nascimento, pois as crianças irão aprendê-la de forma natural, convivendo com as pessoas, sendo incluídas nas conversas.</p>
<p style="text-align: justify;">Expor a criança desde muito cedo a uma língua gestual amplia suas capacidades de desenvolvimento e sua competência linguística.</p>
<p style="text-align: justify;">As crianças surdas, que não podem se apropriar da língua oral de forma espontânea, se apropriam das línguas de sinais, desenvolvem sua linguagem e conseguem atingir seu pleno desenvolvimento.</p>
<p style="text-align: justify;">As línguas são códigos que permitem que estruturemos nossos pensamentos. Surgem espontaneamente em uma sociedade; são uma convenção social, têm regras, estrutura e organização cerebral específica. Apesar da diversidade, têm muitas características em comum.</p>
<p style="text-align: justify;">As línguas podem ser classificadas de acordo com o canal sensorial utilizado para sua transmissão: as línguas orais, que utilizam as vias oral – auditiva e as línguas de sinais, que utilizam as vias manual – visual. As línguas de sinais são originárias das comunidades surdas.</p>
<p style="text-align: justify;">Você sabia que as línguas de sinais, assim como as orais, se organizam no cérebro nos mesmos locais e permitem a estruturação do pensamento? São línguas naturais, ou seja, surgem espontaneamente nas sociedades, resultado da criação coletiva de uma comunidade surda e não uma cópia de uma língua oral. São tão diversas quanto as línguas orais, temos a LIBRAS – língua brasileira de sinais, BSL &#8211; língua inglesa de sinais, LGP língua portuguesa de sinais&#8230; aliás, a língua brasileira de sinais tem origem na língua francesa de sinais e, portanto, é muito diversa da língua portuguesa de sinais.</p>
<p style="text-align: justify;">As pessoas que dominam mais de uma língua são chamadas de bilíngues, quando essas línguas utilizam o mesmo canal sensorial, dizemos que são bilíngues monomodais, e quando são línguas que utilizam canais sensoriais diferentes, são bilíngues bimodais. O bilinguismo amplia a capacidade cognitiva, ser bilíngue é uma vantagem para o desenvolvimento cerebral da criança.</p>
<p style="text-align: justify;">Aprender uma nova língua mantém o cérebro ativo mesmo na vida adulta e, se for uma língua em outra modalidade, mais ainda. Aprenda LIBRAS, seja bilíngue, amplie suas possibilidades cognitivas e sociais!</p>
<p><em> </em><em>Curiosidade: os sons que formam as línguas orais são os fonemas e as configurações de mãos que formam as línguas de sinais são os quiremas.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong>Relatora:<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Sulene Pirana<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Departamento Científico de Otorrinolaringologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Foto: </strong><strong>@</strong><strong><a href="https://br.freepik.com/autor/user3802032">user3802032</a> / br.freepik.com</strong></p>
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		<title>23 de Fevereiro dia do Surdo-mudo</title>
		<link>https://www.spsp.org.br/23-de-fevereiro-dia-do-surdo-mudo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fabio Teófilo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Feb 2022 14:51:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Crescimento e desenvolvimento]]></category>
		<category><![CDATA[Datas comemorativas]]></category>
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		<category><![CDATA[Dia do Surdo-mudo]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[língua de sinais]]></category>
		<category><![CDATA[Teste da orelhinha]]></category>
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					<description><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2022/02/Depositphotos_2721239_svitlana10-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2022/02/Depositphotos_2721239_svitlana10-150x150.jpg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2022/02/Depositphotos_2721239_svitlana10-75x75.jpg 75w" sizes="auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p>Os indivíduos com surdez são muito diversos entre si e suas capacidades intelectuais, motoras e emocionais não são iguais. Definir uma pessoa apenas por uma característica, como a dificuldade de usar a audição como meio para comunicação</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2022/02/Depositphotos_2721239_svitlana10-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2022/02/Depositphotos_2721239_svitlana10-150x150.jpg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2022/02/Depositphotos_2721239_svitlana10-75x75.jpg 75w" sizes="auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p class="wp-block-paragraph">Sociedade de Pediatria de São Paulo<br>Texto divulgado em 23/02/2022</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p class="wp-block-paragraph">Os indivíduos com surdez são muito diversos entre si e, como todos os seres humanos, suas capacidades intelectuais, motoras e emocionais não são iguais. Definir uma pessoa apenas por uma característica, como a dificuldade de usar a audição como meio para comunicação, é um estereótipo inadequado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Podem utilizar a comunicação oral (oralizados) ou língua de sinais (sinalizadores) e muitos se utilizam das duas formas. O mais importante é que tenham uma língua introduzida logo nos primeiros meses de vida, não importa qual o canal. Apesar de ainda pouco divulgada, a língua de sinais tem todas as características das línguas orais e permite um desenvolvimento intelectual e emocional adequados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O importante é o diagnóstico precoce, pois o desenvolvimento cerebral, incluindo a linguagem (que nos permite pensar, falar consigo mesmo, desenvolver nossa inteligência), ocorre predominantemente nos 3 primeiros anos de vida. A Triagem Auditiva Neonatal Universal (TANU), popularmente conhecida como Teste da orelhinha, é fundamental e deve ser realizada nos primeiros 15 dias de vida, de preferência ainda na maternidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando o teste de triagem está alterado ou há alguma observação por parte da família ou da escola, o diagnóstico deve ser realizado por um médico otorrinolaringologista que, junto com o fonoaudiólogo, vai determinar se há ou não surdez, qual o tipo, o grau e qual método de reabilitação pode ser indicado em cada caso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 23 de Fevereiro é celebrado no Brasil o Dia do Surdo-mudo. A expressão surdo-mudo muitas vezes é usada para se referir aos indivíduos com surdez, porém ela não é correta, os indivíduos com surdez não são mudos!! Tem a capacidade de gerar som (voz) articular (fala), podem apresentar uma dificuldade maior por não terem a referência da audição para aprender e monitorizar sua emissão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A <a href="https://feneis.org.br/o-que-e/">Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos</a> (FENEIS), fundada em maio de 1987, defende os direitos e a assistência da comunidade surda brasileira. Filiada à Federação Mundial dos Surdos, conta com uma rede de seis Administrações Regionais, e, face à sua importância, suas atividades foram reconhecidas como de utilidade pública federal, estadual e municipal. Uma de suas bandeiras é: “surdo-mudo: apague essa ideia”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Relatora:</strong><a id="_msocom_1"></a><br><strong>Sulene Pirana</strong><br><strong>Núcleo de Estudos de Desenvolvimento e Aprendizagem e da Sociedade de Pediatria de São Paulo</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Foto: svitlana10 |&nbsp;<a href="http://depositphotos.com/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">depositphotos.com</a></p>



<p class="wp-block-paragraph"><a id="_msocom_1"></a></p>
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