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	<title>Arquivos Símbolos Nacionais - SPSP</title>
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	<description>Sociedade de Pediatria de São Paulo</description>
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	<title>Arquivos Símbolos Nacionais - SPSP</title>
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		<title>A liturgia do cargo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fabio Teófilo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Sep 2022 18:32:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Vovó dizia]]></category>
		<category><![CDATA[Liturgia]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Símbolos Nacionais]]></category>
		<category><![CDATA[spsp]]></category>
		<category><![CDATA[Vovó]]></category>
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					<description><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-Liturgia-1024x683-1-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-Liturgia-1024x683-1-150x150.jpg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-Liturgia-1024x683-1-75x75.jpg 75w" sizes="(max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p>Saiu na mídia: “A primeira-ministra mais jovem da Europa enfrentou (08/2022) uma crise de imagem após o vazamento de um vídeo em que ela é vista dançando e cantando animada em uma festa em sua residência. A gravação foi publicada em uma rede social. À beira das lágrimas, com a voz trêmula, durante um ato organizado por seu partido, disse: &#8220;Sou um ser humano. Às vezes também busco alegria, luz e prazer em meio a essas nuvens escuras&#8221;. Acrescentou: &#8220;Isso é algo privado, é alegria e vida&#8221;, declarou ela, com os olhos marejados. &#8220;Mas eu não faltei um único dia de trabalho&#8221;. Para &#8220;dissipar qualquer suspeita&#8221; de uso de drogas, fez um exame toxicológico, que deu negativo. &#8220;Quero acreditar que as pessoas observam o que fazemos enquanto trabalhamos e não o que fazemos em nosso tempo livre&#8221;, declarou admitindo que a semana foi &#8220;muito difícil&#8221;. O ex-primeiro-ministro inglês – aquele do penteado “desconstruído” – também foi punido publicamente pela festa particular que realizou em sua residência durante o período restritivo na pandemia, desrespeitando a própria recomendação que impunha à população naquele momento pandêmico – não ajuntar. Nestas notícias, fartamente veiculadas na imprensa, estampam-se o conflito entre a vida pública e a vida particular, o direito à privacidade de todo e qualquer cidadão, o perigo da exposição nas mídias sociais da intimidade, a notícia como fonte de venda para a promoção pessoal ou institucional de terceiros, o julgamento moral. Do outro lado desse ringue está uma pessoa que foi à “lona”. Acusou o golpe, com dor e sofrimento. A política mulher naquele momento foi julgada não como política, mas como pessoa; não por suas atitudes no cargo, mas pelas suas atitudes como indivíduo. Esse é o dilema da pessoa pública, em que a vida pessoal não se distancia da vida pública, o cargo é uma verdadeira tatuagem que não sai da sua pele. Cargos públicos, ou não, têm uma conotação simbólica associada aos mesmos. A vovó, muito curiosa, diz para os seus netinhos, comentando a notícia da ministra, em particular: &#8211; “Ah! meus queridos &#8230; é a liturgia do cargo”. &#8211; “Que coisa é essa vovó, liturgia*?” &#8211; “É o cerimonial, é o ritual, é o que a pessoa deve aparentar no exercício de um cargo ou de uma função. É uma linguagem religiosa, meus netinhos. &#8211; Que papo mais careta, vó! A mulher tem o direito de fazer o que ela quer em sua casa. &#8211; Tem coisas que são complicadas. Aí, &#8220;não basta ser, tem que parecer&#8221;. &#8211; “Vó, dá pra mudar de assunto?”. Em 18 de setembro é comemorado o “Dia dos Símbolos Nacionais”. Um símbolo, grosso modo, é algo que evoca a presença de outra pessoa ou de algo &#8211; é como se fosse um substituto daquela pessoa ou daquele algo. Assim, os símbolos nacionais, como a bandeira ou o hino nacional, remetem-nos àquilo que chamamos de pátria, e com quem nos identificamos com senso de pertencimento. O fato é que os símbolos nacionais estão em baixa. No tempo da vovó se hasteava a bandeira nacional nos pátios das escolas toda semana. Nas aulas de canto se aprendiam os hinos pátrios: Nacional, da Bandeira, Nove de Julho, da Proclamação da República, do Estado de São Paulo. Tempo em que os alunos se levantavam das carteiras e ficavam em pé quando o professor entrava na sala de aula. Tempo de respeito a determinados valores, determinados cargos, de respeito à hierarquia. Hoje somos mais liberais. Parece que não se dá muita bola para tudo isso. Quando se toca o hino nacional nos estádios de futebol, ninguém ouve, pois os cânticos dos hinos das torcidas ecoam, simultaneamente, mais altos. Nem o minuto de silêncio em homenagem póstuma é respeitado – não dura um minuto, muito menos gera silêncio. Qual a importância prática desses símbolos e dessas “liturgias” para uma nação, neste século XXI? O assunto é mais complexo do que parece. Na resposta se questiona autoridade, o conceito de desenvolvimento dos povos, a distribuição geopolítica da humanidade, o sistema de distribuição de riquezas e muito mais. O enfraquecimento desses símbolos é um dos mecanismos disruptivos, de crítica social, que caracteriza o início deste século. Ao ouvir um hino pátrio, pelo contemplar de uma bandeira, arregimentam-se pessoas e movem-se sentimentos. Em época de “copa do mundo de futebol” esse fenômeno explode. Há poder nesses símbolos. Ao mesmo tempo que nos unem, também nos separam de outros ao nos tornar únicos – somos os habitantes daquele solo e, no nosso caso, habitantes do Brasil. O não cumprimento da liturgia do cargo pode ofender. Não esperamos que nossos líderes sejam destemperados, falem errado nosso idioma, não saibam se comportar à mesa (gastronômica ou de conversação). A liturgia do cargo significa cumprir a representação que é delegada de capacidade, honestidade, seriedade, responsabilidade. (*) O vocábulo &#8220;Liturgia&#8220;, em grego, formado pelas raízes leit- (de &#8220;laós&#8221;, povo) e -urgía (trabalho, ofício) significa serviço ou trabalho público. Por extensão de sentido, passou a significar também, no mundo grego, o ofício religioso, na medida em que a religião no mundo antigo tinha um caráter eminentemente público. (Wikipédia)   Relator:Fernando MF OliveiraCoordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP   Foto: @yanadjana / br.freepik.com</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-Liturgia-1024x683-1-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-Liturgia-1024x683-1-150x150.jpg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-Liturgia-1024x683-1-75x75.jpg 75w" sizes="(max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p style="text-align: justify;">Saiu na mídia: <em>“A primeira-ministra mais jovem da Europa enfrentou (08/2022) uma crise de imagem após o vazamento de um vídeo em que ela é vista dançando e cantando animada em uma festa em sua residência. A gravação foi publicada em uma rede social. À beira das lágrimas, com a voz trêmula, durante um ato organizado por seu partido, disse: &#8220;Sou um ser humano. Às vezes também busco alegria, luz e prazer em meio a essas nuvens escuras&#8221;. Acrescentou: &#8220;Isso é algo privado, é alegria e vida&#8221;, declarou ela, com os olhos marejados. &#8220;Mas eu não faltei um único dia de trabalho&#8221;. Para &#8220;dissipar qualquer suspeita&#8221; de uso de drogas, fez um exame toxicológico, que deu negativo. &#8220;Quero acreditar que as pessoas observam o que fazemos enquanto trabalhamos e não o que fazemos em nosso tempo livre&#8221;, declarou admitindo que a semana foi &#8220;muito difícil&#8221;. </em></p>
<p style="text-align: justify;">O ex-primeiro-ministro inglês – aquele do penteado “desconstruído” – também foi punido publicamente pela festa particular que realizou em sua residência durante o período restritivo na pandemia, desrespeitando a própria recomendação que impunha à população naquele momento pandêmico – não ajuntar.</p>
<p style="text-align: justify;">Nestas notícias, fartamente veiculadas na imprensa, estampam-se o conflito entre a vida pública e a vida particular, o direito à privacidade de todo e qualquer cidadão, o perigo da exposição nas mídias sociais da intimidade, a notícia como fonte de venda para a promoção pessoal ou institucional de terceiros, o julgamento moral.</p>
<p style="text-align: justify;">Do outro lado desse ringue está uma pessoa que foi à “lona”. Acusou o golpe, com dor e sofrimento. A política mulher naquele momento foi julgada não como política, mas como pessoa; não por suas atitudes no cargo, mas pelas suas atitudes como indivíduo. Esse é o dilema da pessoa pública, em que a vida pessoal não se distancia da vida pública, o cargo é uma verdadeira tatuagem que não sai da sua pele. Cargos públicos, ou não, têm uma conotação simbólica associada aos mesmos.</p>
<p style="text-align: justify;">A vovó, muito curiosa, diz para os seus netinhos, comentando a notícia da ministra, em particular:</p>
<p style="text-align: justify;">&#8211; “Ah! meus queridos &#8230; é a liturgia do cargo”.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8211; “Que coisa é essa vovó, liturgia*?”</p>
<p style="text-align: justify;">&#8211; “É o cerimonial, é o ritual, é o que a pessoa deve aparentar no exercício de um cargo ou de uma função. É uma linguagem religiosa, meus netinhos.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8211; Que papo mais careta, vó! A mulher tem o direito de fazer o que ela quer em sua casa.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8211; Tem coisas que são complicadas. Aí, &#8220;não basta ser, tem que parecer&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8211; “Vó, dá pra mudar de assunto?”.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 18 de setembro é comemorado o “Dia dos Símbolos Nacionais”.</p>
<p style="text-align: justify;">Um símbolo, grosso modo, é algo que evoca a presença de outra pessoa ou de algo &#8211; é como se fosse um substituto daquela pessoa ou daquele algo. Assim, os símbolos nacionais, como a bandeira ou o hino nacional, remetem-nos àquilo que chamamos de pátria, e com quem nos identificamos com senso de pertencimento.</p>
<p style="text-align: justify;">O fato é que os símbolos nacionais estão em baixa. No tempo da vovó se hasteava a bandeira nacional nos pátios das escolas toda semana. Nas aulas de canto se aprendiam os hinos pátrios: Nacional, da Bandeira, Nove de Julho, da Proclamação da República, do Estado de São Paulo. Tempo em que os alunos se levantavam das carteiras e ficavam em pé quando o professor entrava na sala de aula. Tempo de respeito a determinados valores, determinados cargos, de respeito à hierarquia.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje somos mais liberais. Parece que não se dá muita bola para tudo isso. Quando se toca o hino nacional nos estádios de futebol, ninguém ouve, pois os cânticos dos hinos das torcidas ecoam, simultaneamente, mais altos. Nem o minuto de silêncio em homenagem póstuma é respeitado – não dura um minuto, muito menos gera silêncio.</p>
<p style="text-align: justify;">Qual a importância prática desses símbolos e dessas “liturgias” para uma nação, neste século XXI? O assunto é mais complexo do que parece. Na resposta se questiona autoridade, o conceito de desenvolvimento dos povos, a distribuição geopolítica da humanidade, o sistema de distribuição de riquezas e muito mais. O enfraquecimento desses símbolos é um dos mecanismos disruptivos, de crítica social, que caracteriza o início deste século. Ao ouvir um hino pátrio, pelo contemplar de uma bandeira, arregimentam-se pessoas e movem-se sentimentos. Em época de “copa do mundo de futebol” esse fenômeno explode. Há poder nesses símbolos. Ao mesmo tempo que nos unem, também nos separam de outros ao nos tornar únicos – somos os habitantes daquele solo e, no nosso caso, habitantes do Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;">O não cumprimento da liturgia do cargo pode ofender. Não esperamos que nossos líderes sejam destemperados, falem errado nosso idioma, não saibam se comportar à mesa (gastronômica ou de conversação). A liturgia do cargo significa cumprir a representação que é delegada de capacidade, honestidade, seriedade, responsabilidade.</p>
<p style="text-align: justify;">(*) O vocábulo &#8220;<em>Liturgia</em>&#8220;, em <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Grego">grego</a>, formado pelas raízes leit- (de &#8220;laós&#8221;, povo) e -urgía (trabalho, ofício) significa serviço ou trabalho público. Por extensão de sentido, passou a significar também, no mundo grego, o ofício religioso, na medida em que a religião no mundo antigo tinha um caráter eminentemente público. (Wikipédia)</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Relator:<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Fernando MF Oliveira<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Foto: @<a href="https://br.freepik.com/autor/yanadjana">yanadjana</a> / br.freepik.com</strong></p>
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