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	<title>Arquivos Transtorno do espectro autista - SPSP</title>
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	<description>Sociedade de Pediatria de São Paulo</description>
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	<title>Arquivos Transtorno do espectro autista - SPSP</title>
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		<title>Transtorno do Espectro Autista: avanços, desafios e novos olhares em relação ao diagnóstico</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fabio Teófilo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Apr 2026 18:02:02 +0000</pubDate>
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<p>O Transtorno do Espectro Autista (TEA) passou por profundas transformações conceituais ao longo das últimas décadas. Desde sua descrição inicial</p>
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<p style="text-align: justify;">O Transtorno do Espectro Autista (TEA) passou por profundas transformações conceituais ao longo das últimas décadas. Desde sua descrição inicial por Leo Kanner e Hans Asperger, na década de 1940, até as classificações atuais, o entendimento do autismo reflete não apenas avanços científicos, mas também mudanças na forma como compreendemos o desenvolvimento humano e como as neurodiversidades são percebidas e inseridas em nossa sociedade.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas primeiras versões do <em>Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders</em> (DSM), o autismo era visto de forma mais restrita e por muito tempo associado a quadros psicóticos e à esquizofrenia infantil. Foi a partir do DSM-III (1980) que o autismo passou a ser reconhecido como uma entidade diagnóstica própria. Já no DSM-IV (1994), o conceito foi ampliado para os chamados Transtornos Globais do Desenvolvimento, incluindo subcategorias, como a síndrome de Asperger, transtorno autista e transtorno invasivo do desenvolvimento sem outra especificação.</p>
<p style="text-align: justify;">A grande mudança ocorreu com a publicação do DSM-5, em 2013, quando essas categorias foram unificadas sob um único diagnóstico: o Transtorno do Espectro Autista. Essa reformulação consolidou a ideia de que o autismo não é uma condição única e homogênea, mas um contínuo de manifestações clínicas, com diferentes apresentações. Para organizar essa variabilidade, o DSM-5 introduziu três níveis de suporte: o Nível 1, em que o indivíduo requer algum suporte; o Nível 2, que requer suporte substancial; e o Nível 3, que requer suporte muito substancial. O diagnóstico passou a considerar dois domínios centrais – comunicação e interação social, de um lado, e comportamentos e interesses restritos e repetitivos, de outro – e a levar em conta fatores modificadores, como presença de deficiência intelectual, comprometimento de linguagem, condições médicas associadas e intensidade dos sintomas.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse novo modelo trouxe ganhos importantes, como reconhecer a heterogeneidade do TEA, e com isso ampliou-se a capacidade de identificar indivíduos previamente não diagnosticados, especialmente aqueles com quadros mais sutis ou atípicos.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas últimas décadas, observou-se um aumento expressivo na prevalência do autismo em diversos países. Dados dos EUA (CDC) mostram um crescimento consistente nas estimativas, atualmente em torno de uma a cada 31 crianças aos oito anos de idade. O cenário internacional confirma a tendência. No Reino Unido, um grande estudo publicado em 2021 no <em>JAMA Pediatrics</em>, que analisou dados de mais de sete milhões de crianças em escolas inglesas, estimou que cerca de uma em cada 57 crianças estava no espectro autista – número significativamente superior às estimativas anteriores. Mais recentemente, um estudo de 2023, publicado no <em>The Lancet Regional Health – Europe,</em> estimou que entre 150.000 e 500.000 pessoas com idades entre 20 e 49 anos na Inglaterra podem ser autistas sem terem recebido diagnóstico – o que indica que a subestimação ainda é expressiva, especialmente na população adulta.</p>
<p style="text-align: justify;">Diante desses números, surge a pergunta inevitável: estamos diante de um aumento real na ocorrência do autismo, ou estamos simplesmente ficando melhores em reconhecê-lo? A resposta é que provavelmente as duas coisas ocorrem, em proporções desiguais. Fatores ambientais e sociais têm sido estudados como possíveis contribuintes para um aumento real – entre eles, a maior idade paterna no momento da concepção, o crescimento das taxas de prematuridade extrema e de gestações múltiplas. Outros fatores, como mudanças nos hábitos alimentares e exposição a poluentes, seguem sob investigação. No entanto, o principal motor desse crescimento é o aumento no reconhecimento e no diagnóstico, impulsionado por razões convergentes: o desenvolvimento de ferramentas diagnósticas mais precisas e acessíveis; a ampliação da capacitação de profissionais de saúde; campanhas de triagem ativa nas consultas de puericultura – como as realizadas pela Academia Americana de Pediatria (AAP) desde 2006 e pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) desde 2017; a consolidação dos critérios diagnósticos com o DSM-5; e o aumento do conhecimento da população sobre os sinais de alerta do TEA, o que leva famílias e educadores a buscarem avaliações de forma mais precoce.</p>
<p style="text-align: justify;">A ampliação do conceito diagnóstico trouxe ganhos inegáveis – mas também gerou um debate científico importante. A pesquisadora Uta Frith, professora emérita de desenvolvimento cognitivo no University College London e pesquisadora que ajudou a fundamentar a compreensão atual do autismo, expressou preocupação com a expansão do diagnóstico. Ela aponta que o conceito pode ter sido expandido a ponto de englobar quadros muito distintos, levantando a reflexão de que talvez estejamos agrupando condições extremamente heterogêneas sob uma mesma denominação. Em suas palavras, o autismo pode estar se tornando um “guarda-chuva” amplo demais para realidades clínicas muito diversas.</p>
<p style="text-align: justify;">Sua preocupação central é de que o crescimento no número de diagnósticos – especialmente de TEA em Nível de Suporte 1 – leva ao risco de diluir a atenção, os recursos e as políticas públicas destinadas aos casos mais graves. Crianças e adultos com TEA de Nível 3, que apresentam comprometimentos significativos na comunicação e intensa dependência de cuidados, têm necessidades urgentes e específicas que não podem ser ofuscadas por uma narrativa única sobre o espectro. Por outro lado, seria um equívoco grave concluir que indivíduos com TEA de Nível 1 – mais funcionais em sua vida cotidiana – estejam isentos de sofrimento ou de necessidades de suporte. Ao contrário: a literatura científica evidencia que esses indivíduos apresentam altíssimas taxas de comorbidades psiquiátricas. Estudos populacionais estimam que, até os 30 anos de idade, mais de 54% dos indivíduos com TEA terão diagnóstico de depressão e 50% de transtorno de ansiedade – taxas significativamente superiores às da população geral. Comparados com indivíduos sem TEA, aqueles com o transtorno têm quatro vezes mais chance de desenvolver depressão ao longo da vida, e o risco aumenta com o nível de funcionamento intelectual mais elevado e com a idade, especialmente durante a adolescência – período em que a consciência das próprias diferenças se torna mais aguda e dolorosa.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa realidade aponta para uma necessidade fundamental: não existe uma conduta única no tratamento de indivíduos com TEA. É importante reconhecer a diversidade do espectro, as necessidades específicas de cada indivíduo e direcionar as intervenções mais adequadas caso a caso. Isso implica fortalecer políticas públicas que garantam acesso equitativo a intervenções, respeitando tanto aqueles com maior necessidade de suporte quanto aqueles cujas dificuldades são menos visíveis, porém igualmente relevantes.</p>
<p style="text-align: justify;">No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, é fundamental reforçar que o avanço no conhecimento científico deve caminhar junto com uma prática clínica sensível, individualizada e baseada em evidências. O conceito de espectro não deve restringir o olhar clínico, pelo contrário, deve ampliá-lo.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Relator:<br />Grupo de Trabalho sobre o Transtorno do Espectro Autista da SPSP</strong></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Qual o papel do geneticista no diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA)?</title>
		<link>https://www.spsp.org.br/qual-o-papel-do-geneticista-no-diagnostico-do-transtorno-do-espectro-autista-tea/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fabio Teófilo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Aug 2025 19:34:58 +0000</pubDate>
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<p>O diagnóstico do TEA é essencialmente clínico e comportamental. Ainda não existem marcadores bioquímicos ou moleculares que auxiliem </p>
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<p style="text-align: justify;">O diagnóstico do TEA é essencialmente clínico e comportamental. Ainda não existem marcadores bioquímicos ou moleculares que auxiliem no diagnóstico da condição.</p>
<p style="text-align: justify;">Por se tratar de um distúrbio complexo, seu diagnóstico pode implicar numa jornada trabalhosa, realizado por profissionais especializados, que envolve anamnese, avaliação clínica, estudo do histórico familiar, observação do comportamento da criança, avaliação por médico especializado, psicólogo, entrevistas com os pais, terapeutas e a aplicação de instrumentos específicos.</p>
<p style="text-align: justify;">O TEA é causado pela combinação de múltiplos fatores genéticos e ambientais. Os fatores de risco genéticos para TEA se sobrepõem a outros diversos transtornos do desenvolvimento e psiquiátricos.</p>
<p style="text-align: justify;">Estudos científicos com pacientes gêmeos estimam que a herdabilidade do TEA gira em torno de 50% a 90% e que o diagnóstico em irmãos de crianças diagnosticadas seja de 6,1% a 18,7%. É relevante lembrar que a recorrência em irmãos do sexo masculino é mais alta.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de claramente importantes, os fatores genéticos não atuam sozinhos, sendo sua ação influenciada pelos fatores ambientais e epigenéticos.</p>
<p style="text-align: justify;">Levando todo esse contexto em consideração, o componente genético no TEA pode variar, desde ser a única causa associada à condição (ocorre mais raramente, apenas 1% dos casos), como estar associado em menor grau a uma das causas, conferindo apenas um aumento da suscetibilidade.</p>
<p style="text-align: justify;">É exatamente nesse ponto que o médico geneticista, em parceria com a equipe multidisciplinar, atua na investigação do TEA. O médico geneticista avaliará o paciente e procurará sinais clínicos que indiquem situações em que possíveis causas genéticas possam estar presentes e solicitar os exames genéticos, quando forem aplicáveis.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas situações em que é possível estabelecer uma causa genética, pode-se calcular a chance de recorrência na família, diferenciar se a alteração é exclusiva do paciente, ou vem herdada dos pais, e com isso programar próximas gestações e, inclusive, a programação de filhos do próprio paciente quando chegar o momento. Em algumas situações, quando há outros indivíduos descritos com a mesma alteração, é possível estabelecer um paralelo de como é o histórico do transtorno para essas pessoas e prever alguns eventos clínicos para o paciente diretamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Somente o médico, com base no histórico pessoal e familiar do paciente, pode avaliar os benefícios e limitações da realização de um teste genético para o Transtorno do Espectro Autista.</p>
<p style="text-align: justify;">O que os exames genéticos podem indicar sobre o futuro?</p>
<p style="text-align: justify;">Considerando todas as ferramentas de investigação genética disponíveis atualmente, é possível, hoje em dia, identificar alterações genéticas que expliquem a etiologia do TEA em aproximadamente 25% dos indivíduos. Esse número tende a aumentar conforme os testes genéticos forem mais utilizados, uma vez que os bancos de dados para interpretação dos resultados vão sendo progressivamente alimentados.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos dias atuais muitas pesquisas pelo mundo estão dedicadas a entender as bases genéticas dos TEA. Consórcios de bancos de dados genéticos para investigação do autismo funcionam como plataformas colaborativas que reúnem informações genômicas de indivíduos com autismo, visando identificar padrões genéticos associados ao transtorno. Esses consórcios facilitam o compartilhamento de dados entre pesquisadores, promovendo estudos mais amplos e robustos sobre a genética do autismo e acelerando o desenvolvimento de testes diagnósticos e terapias mais eficazes.</p>
<p style="text-align: justify;">Só para citar alguns exemplos de consórcios:</p>
<p style="text-align: justify;">1. <em>Autism Sequencing Consortium</em> (ASC)</p>
<p style="text-align: justify;">2. EU-AIMS (<em>European Autism Interventions – A Multicentre Study for Developing New Medications</em>)</p>
<p style="text-align: justify;">3. SPARK (<em>Simons Foundation Powering Autism Research for Knowledge</em>)</p>
<p style="text-align: justify;">4. IBIS <em>Network</em> (<em>Infant Brain Imaging Study</em>)</p>
<p style="text-align: justify;">Embora os exames genéticos apresentem limitações, existem muitos benefícios importantes a serem levados em consideração, especialmente nos casos de pacientes com o diagnóstico de TEA e mais outras situações, como:</p>
<ul style="text-align: justify;">
<li>Associação com outras condições neurológicas, especialmente epilepsia de difícil controle</li>
<li>Histórico familiar de TEA e/ou histórico familiar de síndrome genética</li>
<li>Regressão no desenvolvimento</li>
<li>Sinais clínicos de dismorfismos, que são alterações físicas atípicas. Destacamos a medida do perímetro cefálico. Entre 20% e 30% das crianças com TEA apresentam circunferência da cabeça maior que o percentil 97 (macrocefalia). A microcefalia também pode ser um sinal de alerta.</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">Novamente vale citar que somente o médico, com base no histórico pessoal e familiar do paciente, pode avaliar os benefícios e limitações da realização de um teste genético para o Transtorno do Espectro Autista.</p>
<p style="text-align: justify;">Por fim, é importante que as famílias entendam que um resultado negativo em um exame genético não exclui a possibilidade de autismo. O transtorno é complexo e multifatorial, e muitos fatores ambientais e genéticos ainda não são totalmente compreendidos. E devem sempre procurar o pediatra de seu filho, para que oriente e faça os encaminhamentos necessários.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Relatora:<br />Patrícia Salmona<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Médica Pediatra e Geneticista<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Presidente do Departamento Científico de Genética da Sociedade de Pediatria de São Paulo</strong></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Entendendo o Transtorno do Espectro Autista (TEA): sinais, causas e a importância da intervenção precoce</title>
		<link>https://www.spsp.org.br/entendendo-o-transtorno-do-espectro-autista-tea-sinais-causas-e-a-importancia-da-intervencao-precoce/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fabio Teófilo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Apr 2025 14:14:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/04/Imagem-Dia-Mundial-do-Autismo-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/04/Imagem-Dia-Mundial-do-Autismo-150x150.jpg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/04/Imagem-Dia-Mundial-do-Autismo-75x75.jpg 75w" sizes="auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p>No dia 2 de abril celebra-se o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, uma data estabelecida</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/04/Imagem-Dia-Mundial-do-Autismo-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/04/Imagem-Dia-Mundial-do-Autismo-150x150.jpg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/04/Imagem-Dia-Mundial-do-Autismo-75x75.jpg 75w" sizes="auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p style="text-align: justify;">No dia 2 de abril celebra-se o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, uma data estabelecida pela ONU em 2007. A iniciativa busca promover a compreensão e a empatia em relação às pessoas no espectro autista, além de incentivar a criação de políticas públicas que garantam a inclusão e a proteção desses indivíduos. O símbolo da conscientização, representado por um laço colorido, reflete a diversidade e a importância de apoiar a causa.</p>
<p style="text-align: justify;">O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição que aparece de várias maneiras, podendo afetar a fala, o comportamento e as habilidades sociais da criança. A partir dos dois anos, os pais começam a notar alguns comportamentos que podem ser sinais do transtorno, como dificuldades para falar, repetir ações constantemente, ter hipersensibilidade a certos estímulos e dificuldades em interagir socialmente. Alguns sinais comuns incluem atraso na fala ou até uma fala muito repetitiva ou sem intenção comunicativa; não manter contato visual; inquietação motora, como balanceio do corpo para frente e para trás, <em><u>flappings</u></em> (chacoalhar as mãos ritmicamente). Além disso, é comum a criança rodar objetos, andar na ponta dos pés e a busca por objetos rígidos e aleatórios e brincadeiras que não envolvem um faz de conta.</p>
<p>Muitos desses comportamentos já haviam sido descritos e nomeados de <em>autismo infantil precoce</em>, em 1943, por Leo Kanner, psiquiatra austríaco naturalizado norte-americano.</p>
<p style="text-align: justify;">O autismo se apresenta de formas variadas: pode-se dizer que são vários autismos, ainda que algumas características se apresentem em todos eles. Entendemos que todos os indivíduos são únicos, por isso há uma multiplicidade de fenômenos e várias formas e intensidade em que esses comportamentos se apresentam em cada criança. Assim, faz sentido falar em espectro.</p>
<p style="text-align: justify;">As últimas pesquisas apontam para causas multifatoriais, em que há uma interação de causas orgânicas, genéticas, emocionais e ambientais. E as novas descobertas da Epigenética demonstram uma interação importante entre elementos genéticos e ambientais, chamando a atenção para os fatores que interferem na expressividade genética, sem que haja alterações no DNA. Além disso, a plasticidade neuronal, nos primeiros anos de vida, pode ajudar a modificar padrões neuronais.</p>
<p style="text-align: justify;">Vários estudos já apontam para falhas precoces no desenvolvimento dos bebês, que seriam consideradas “portas abertas” para os TEAs. Assim, se pudermos intervir a tempo, em sessões conjuntas pais-bebê, muitas conquistas significativas podem ser alcançadas, fortalecendo os vínculos afetivos e, desta forma, propiciando um desenvolvimento mais satisfatório das funções psíquicas.</p>
<p>Existem cada vez mais estudos e investigações sobre o desenvolvimento dos bebês e as possíveis falhas nesse processo, se detectadas precocemente e trabalhadas, incidirão positivamente na saúde psíquica, muitas vezes desviando essas crianças de um caminho que as levaria ao autismo, ou ao menos amenizando um quadro que poderia vir a ser mais grave.</p>
<p style="text-align: justify;">Muratori e Apicella, dois pesquisadores do autismo, acreditam que as anormalidades no desenvolvimento motor podem estar relacionadas às atipicidades sociais. Os autores postulam que a presença de habilidades motoras precoces fora do padrão, por exemplo, hipoatividade, repertório motor pobre e assimetria postural, pode ser entendida como possível precursora corporal das dificuldades sociais. Esses pesquisadores também salientaram que as intervenções psicanalíticas nas relações iniciais pais-bebês demonstram ganhos significativos nas funções sociais e cognitivas de crianças autistas, principalmente porque acontecem em um momento de maior plasticidade neuronal.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda que seja importante pensarmos em desenvolvimento cognitivo e nos entraves que possam surgir nesse quesito, é imprescindível atentar ao fato de que o cognitivo se constrói junto ao desenvolvimento psíquico e emocional.</p>
<p style="text-align: justify;">Dessa forma, é cada vez mais necessário o estudo do desenvolvimento psíquico e a maneira como trabalharmos com essas crianças, dentro desse referencial que considera a psique e o emocional. Essa abordagem é mais abrangente do que o mero foco na modificação padronizada de comportamentos sociais não adaptados, pois cada criança é única, tem uma história de desenvolvimento, uma família, um psiquismo que lhe é próprio.</p>
<p> </p>
<p><strong>Relatora:</strong></p>
<p><strong>Fátima Maria Vieira Batistelli<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Psicanalista da SBPSP &#8211; Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. Membro do GPPA &#8211; Grupo de Pesquisa e Psicanálise em Autismo.<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Membro da Clínica 0 a 3 &#8211; Intervenção nas relações iniciais pais-bebê e criança pequena, da SBPSP.<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Membro do Núcleo de Estudos de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo</strong></p>


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			</item>
		<item>
		<title>Dia Mundial de Conscientização do Autismo 2024</title>
		<link>https://www.spsp.org.br/dia-mundial-de-conscientizacao-do-autismo-2024/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fabio Teófilo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Apr 2024 17:41:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
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					<description><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2024/04/Imagem-TEA-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2024/04/Imagem-TEA-150x150.jpg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2024/04/Imagem-TEA-75x75.jpg 75w" sizes="auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p>“Valorize as capacidades e respeite os limites” é o slogan que marca este ano o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Uma importante recomendação para nos lembrar</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2024/04/Imagem-TEA-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2024/04/Imagem-TEA-150x150.jpg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2024/04/Imagem-TEA-75x75.jpg 75w" sizes="auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p style="text-align: justify;"><em>“Valorize as capacidades e respeite os limites</em>” é o slogan que marca este ano o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Uma importante recomendação para nos lembrar da importância da singularidade e do respeito às diferenças, que não estão presentes apenas nos transtornos, mas que ganham eloquência quando somos convocados a compreender um universo tão peculiar como o desses indivíduos.</p>
<p style="text-align: justify;">No dia 2 de abril, a temática ganha destaque e com isso diminui o abismo separatista que pode tornar essa vivência ainda mais solitária, numa sociedade que tanto valoriza a adaptação e o desempenho.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma das importantes ressalvas é considerar que são “muitos autismos” e que um indivíduo com características de TEA – Transtorno do Espectro Autista precisa ser compreendido em sua individualidade, para que possamos facilitar sua inclusão e socialização. São ações que precisam estar nas prioridades das políticas públicas, mas que não deixam de ser responsabilidade de cada um de nós. E é nessa direção que o slogan nos convoca, para que possamos evitar os preconceitos e os estigmas.</p>
<p style="text-align: justify;">Temos muito ainda a compreender. E muitos equívocos ainda impedem que essas crianças possam se desenvolver de forma mais rica, adquirindo capacidade de subjetivação, que faz com que elas se apropriem de sua existência e desejos. O engodo é muitas vezes se resignar na falsa informação de que é uma criança que só pode ser treinada e tornar-se apenas funcional.</p>
<p style="text-align: justify;">O percurso histórico dos últimos 80 anos nos mostra o quanto já se avançou; mas é o interesse e o empenho de cada um de nós que permitirão que essas crianças que apresentam sinais de risco não sejam condenadas a um viver empobrecido.</p>
<p style="text-align: justify;">O autismo foi primeiramente descrito e nomeado por Leo Kanner, em 1943, a partir da descrição de 11 casos de crianças que apresentavam forte tendência ao retraimento, sem, no entanto, terem características que justificassem um retardo mental. Kanner denominou essa síndrome de “<em>autismo infantil precoce”</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde essa época, muitos estudos têm sido feitos com o intuito de compreender a etiologia do que hoje denominamos <em>transtorno do espectro autista.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Pesquisas recentes falam a favor de causas multifatoriais para os TEAs, isto é, muitos são os elementos que podem compor a etiologia desse transtorno. Além de que por meio da epigenética (campo de pesquisa que investiga como os estímulos ambientais podem ativar determinados genes e silenciar outros), os estudos demonstram uma interação importante entre fatores genéticos e ambientais, reforçando consideravelmente o ponto de vista do ambiente da criança, tanto em termos gerais como emocionais.</p>
<p>O transtorno do espectro autista é considerado um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado pelos seguintes comportamentos, iniciados na infância:</p>
<ul>
<li>Dificuldades ou incapacidade de se relacionar, isto é baixa interação social;</li>
<li>Ausência ou atraso na aquisição da linguagem;</li>
<li>Não dirige o olhar &#8211; esse muitas vezes é desviante ou é como se atravessasse o interlocutor;</li>
<li>Fala ecolálica, isto é, repetição de palavras ou frases ditas na TV ou em filmes que assiste, sem nenhuma intenção comunicativa;</li>
<li>Flappings (balanceio das mãos na altura dos ombros, como asas de pássaros) ou movimentos estereotipados (esses podem ser os mais variados: pular incessantemente, escrever no ar, etc.);</li>
<li>Manutenção rígida de rotinas, inclusive na alimentação;</li>
<li>Uso não simbólico dos brinquedos, isto é, esses não são usados para brincadeiras de faz de conta e nem utilizados para as funções às quais foram destinados;</li>
<li>Uso de pessoas como instrumento. É muito comum que em vez de pedir ajuda, a criança pegue a pessoa pela mão e a leve no lugar onde quer que ela faça alguma coisa. Por exemplo: pegar a mão e levar a uma gaveta ou porta para que seja aberta, sem nenhuma solicitação e nem mesmo um direcionamento de olhares</li>
<li>Não responde a um chamado;</li>
<li>Gira objetos ou gira em torno do próprio eixo;</li>
<li>Bastante sensibilidade a sons altos;</li>
<li>Preferência por objetos duros ou que causam sensações, muito mais do que usados com função lúdica</li>
</ul>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">Muito tem sido estudado para compreender sua etiologia e saber como ajudar essas crianças e suas famílias. Alguns apontam para falhas precoces no desenvolvimento dos bebês antes mesmo de completarem um ano de idade, que podem ser consideradas portas abertas para os TEAs. No entanto, se detectadas a tempo e trabalhadas preferencialmente em sessões conjuntas pais-bebê, com o apoio de uma equipe multiprofissional, muitas conquistas significativas podem ser alcançadas. Há um fortalecimento dos vínculos, o que propicia um desenvolvimento mais satisfatório. Essa é a conduta adotada pela psicanálise.</p>
<p style="text-align: justify;">Por muitos anos, a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) foi o tipo de tratamento indicado para o autismo, por vários profissionais. Essa escolha devia-se à ideia de que o indivíduo dentro do espectro não teria condições de subjetivação, como proposta pela psicanálise, e deveria ser apenas treinado para uma adaptação. No ano passado a AMA (American Medical Association), compreendendo os avanços nas pesquisas psicanalíticas e as evidências de possibilidades de subjetivação e qualidade interativa, retirou seu apoio exclusivo à ABA por falta de evidências e por problemas que foram sendo evidenciados a longo prazo com crianças que haviam sido submetidas ao programa.</p>
<p style="text-align: justify;">Torna-se, assim, imprescindível o estudo do desenvolvimento psíquico e como vamos trabalhar com essas crianças, dentro desse referencial que considera a <em>psique</em> e o emocional. Essa abordagem é mais abrangente do que o mero foco na modificação padronizada de comportamentos sociais não adaptados, pois, como vimos, cada criança é única, tem uma história de desenvolvimento, uma família, um psiquismo que lhe é próprio.</p>
<p style="text-align: justify;">O atendimento dentro do referencial psicanalítico é erroneamente entendido como tratamento que conta apenas com comunicação verbal, uso do divã, análise de sonho, ou, no caso de análise infantil, de jogo simbólico, comunicação verbal. O exercício da psicanálise, principalmente para aqueles pacientes com questões sérias nas áreas emocional e cognitiva, relacionadas aos estágios iniciais do desenvolvimento, vai muito além disso. A ênfase recai sobre a técnica adaptada. O trabalho psicanalítico com crianças dentro do TEA vem sendo estudado e praticado com sucesso por profissionais qualificados, tanto no Brasil como em várias partes do mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">O grupo Prisma de Psicanálise e Autismo (GPPA), ligado à Sociedade de Psicanálise de São Paulo, desenvolveu uma pesquisa buscando analisar dados e material clínico do trabalho psicanalítico com crianças que apresentam TEA, avaliando as mudanças e os resultados em um período de 18 meses de tratamento. Ficou demonstrado que o tratamento psicanalítico oferece oportunidades efetivas para o desenvolvimento psíquico e emocional, com ganhos significativos em termos de habilidades sociais, sem treinamentos específicos e padronizado.</p>
<p> </p>
<p>Saiba mais:</p>
<p><a href="https://www.icdl.com/about/News/ama">https://www.icdl.com/about/News/ama</a></p>
<p> </p>
<p><strong>Relatoras:</strong></p>
<p><strong>Denise de Sousa Feliciano<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Psicóloga e Psicanalista pela International Psychoanalytical Association (IPA)<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Membro Associado na Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP)<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Professora e Coordenadora do curso <em>Relação Pais-Bebê: Da Observação à Intervenção</em> (Instituto Sedes Sapientiae)<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Presidente do Núcleo de Estudos de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo</strong></p>
<p> </p>
<p><strong>Fatima Maria Vieira Batistelli<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Psicóloga graduada pela Universidade de São Paulo (USP)<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Membro Associado da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo </strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">(SBPSP)<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Membro da clínica 0 a 3 Intervenção nas relações iniciais pais\bebê-criança pequena do Centro de Atendimento Psicanalítico da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Membro do Núcleo de Estudos de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo</strong></p>
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		<item>
		<title>Crianças com autismo e isolamento social</title>
		<link>https://www.spsp.org.br/criancas-com-autismo-e-isolamento-social/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[pediatria@spsp.org.br]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 May 2020 18:40:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adolescência]]></category>
		<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Covid-19]]></category>
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		<category><![CDATA[Pandemia]]></category>
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		<category><![CDATA[Sars-CoV-2]]></category>
		<category><![CDATA[Transtorno do espectro autista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Como sabemos, as crianças com autismo não se encontram no grupo de risco da Covid-19, mas as consequências advindas do isolamento social ao qual estamos todos submetidos vão se fazer sentir mais intensamente nessas crianças e seus familiares. Todas as famílias estão precisando se adaptar a essa nova realidade: ausência da rotina a que estavam acostumados, mudança de hábitos, busca de novas alternativas, aumento da capacidade de tolerar frustrações e incertezas. Se nada disso é fácil para todos nós, para as crianças com autismo e seus pais pode representar um desafio maior ainda. Essas crianças têm muita dificuldade em lidar com o que é novo e diferente, com o que foge à sua sensação de controle. Muitas delas não se comunicam verbalmente nem brincam e o fato de serem submetidas a grandes mudanças de ritmo e rotina pode fazer emergir comportamentos agressivos e outros que já haviam sido abandonados. Isso acarreta uma dificuldade maior ainda para os pais que agora precisam permanecer em casa, muitos em home office e sem a rede de apoio terapêutica com a qual contavam. Vale sempre lembrar que existe, em qualquer situação, a possibilidade de crescimento e aprendizado. Quem sabe esta não é uma oportunidade para conhecer melhor seu filho(a), sentir-se mais próximo e, também, descobrir-se capaz de acolher e aprender muito com ele? Trabalhando há anos com crianças dentro do espectro autista, eles têm me ensinado muito sobre a vida. O que poderíamos sugerir que se levasse em consideração no acompanhamento de seus filhos com autismo? Primeiro, ainda que o uso da tecnologia seja necessário e inevitável em certos momentos, é importante a utilização com parcimônia, sem exagero, pois sabemos que o excesso no uso de celulares, tablets e televisão favorece o isolamento autístico e o contato com um mundo bidimensional e não compartilhável. Além disso, gera uma sobrecarga de excitação que se reflete em agitação e insônia para muitas dessas crianças. Em segundo lugar, manter a rotina: ela é importante para seus filhos, assim como para todos nós, pois ela é organizadora e permite a sensação de segurança. Por outro lado, estabelecer uma rotina não significa inflexibilidade, nem comportamentos totalmente mecânicos, preestabelecidos, pois se assim o fizermos corremos o risco de fortalecer as manobras autísticas e os comportamentos rígidos. Em terceiro, assim como com qualquer criança, precisamos estar atentos às emoções que essa situação inusitada está gerando e conversar com elas sobre isso. Poder nomear seus medos, sua raiva, seu desconforto, porque ainda que as crianças com autismo não falem, ou não demonstrem seus sentimentos, elas sentem e sofrem, assim como todos nós. Enfim, mesmo que o comportamento das crianças com autismo seja, muitas vezes, estereotipado e rígido, é nossa função é trazê-las para o mundo compartilhável. Oferecermos a possibilidade de uma nova experiência, de usarmos nossa criatividade para ajudá-las a vivenciar outras situações. Podem ter certeza, vocês irão se surpreender com elas e com suas potencialidades ainda desconhecidas.&#160;&#160;&#160; ___Relatora:Dra. Fátima M. Vieira BatistelliMembro do Departamento Científico de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Como sabemos, as crianças com autismo não se encontram no grupo de risco da Covid-19, mas as consequências advindas do isolamento social ao qual estamos todos submetidos vão se fazer sentir mais intensamente nessas crianças e seus familiares. </p>



<p>Todas
as famílias estão precisando se adaptar a essa nova realidade: ausência da
rotina a que estavam acostumados, mudança de hábitos, busca de novas
alternativas, aumento da capacidade de tolerar frustrações e incertezas. Se
nada disso é fácil para todos nós, para as crianças com autismo e seus pais
pode representar um desafio maior ainda.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://www.pediatraorienta.org.br/wp-content/uploads/2020/05/pixabay_286789_white77-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-3211"/><figcaption><em>white77 | pixabay.com</em></figcaption></figure>



<p>Essas crianças têm muita dificuldade em lidar com o que é novo e diferente, com o que foge à sua sensação de controle. Muitas delas não se comunicam verbalmente nem brincam e o fato de serem submetidas a grandes mudanças de ritmo e rotina pode fazer emergir comportamentos agressivos e outros que já haviam sido abandonados. Isso acarreta uma dificuldade maior ainda para os pais que agora precisam permanecer em casa, muitos em <em>home office </em>e sem a rede de apoio terapêutica com a qual contavam. </p>



<p>Vale sempre lembrar que existe, em qualquer situação, a possibilidade de crescimento e aprendizado. Quem sabe esta não é uma oportunidade para conhecer melhor seu filho(a), sentir-se mais próximo e, também, descobrir-se capaz de acolher e aprender muito com ele? Trabalhando há anos com crianças dentro do espectro autista, eles têm me ensinado muito sobre a vida.</p>



<h4 class="wp-block-heading">O que poderíamos sugerir que se levasse em consideração no acompanhamento de seus filhos com autismo?</h4>



<p>Primeiro, ainda que o uso da tecnologia seja necessário e inevitável em certos momentos, é importante a utilização com parcimônia, sem exagero, pois sabemos que o excesso no uso de celulares, <em>tablets</em> e televisão favorece o isolamento autístico e o contato com um mundo bidimensional e não compartilhável. Além disso, gera uma sobrecarga de excitação que se reflete em agitação e insônia para muitas dessas crianças.</p>



<p>Em segundo lugar, manter a rotina: ela é importante para seus filhos, assim como para todos nós, pois ela é organizadora e permite a sensação de segurança. Por outro lado, estabelecer uma rotina não significa inflexibilidade, nem comportamentos totalmente mecânicos, preestabelecidos, pois se assim o fizermos corremos o risco de fortalecer as manobras autísticas e os comportamentos rígidos. </p>



<p>Em
terceiro, assim como com qualquer criança, precisamos estar atentos às emoções
que essa situação inusitada está gerando e conversar com elas sobre isso. Poder
nomear seus medos, sua raiva, seu desconforto, porque ainda que as crianças com
autismo não falem, ou não demonstrem seus sentimentos, elas sentem e sofrem,
assim como todos nós.</p>



<p>Enfim,
mesmo que o comportamento das crianças com autismo seja, muitas vezes,
estereotipado e rígido, é nossa função é trazê-las para o mundo compartilhável.
Oferecermos a possibilidade de uma nova experiência, de usarmos nossa
criatividade para ajudá-las a vivenciar outras situações. Podem ter certeza, vocês
irão se surpreender com elas e com suas potencialidades ainda
desconhecidas.&nbsp;&nbsp;&nbsp; </p>



<p><strong>___<br>Relatora:<br>Dra. Fátima M. Vieira Batistelli<br>Membro do Departamento Científico de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo</strong></p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide"/>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide"/>




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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Retrospectiva Momento Saúde: desenvolvimento da fala</title>
		<link>https://www.spsp.org.br/retrospectiva-momento-saude-desenvolvimento-da-fala/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[pediatria@spsp.org.br]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Dec 2018 17:30:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bebê]]></category>
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					<description><![CDATA[<div></div>
<p>Apresentamos &#8211; nesta época de férias &#8211; uma retrospectiva de todos os artigos publicados em nossa coluna Momento Saúde, criada em 2017 pela equipe do blog Pediatra Orienta para que você possa ter informações rápidas sobre um determinado tema de relevância para a saúde das crianças e adolescentes, com textos curtos e de linguagem simples. Republicando sobre: Atraso no desenvolvimento da fala &#160; Errando, acertando&#8230; falando! A fala é uma importante manifestação da linguagem (ideias, pensamentos, sentimentos) e depende de um complexo sistema integrativo entre audição e motricidade oral. As primeiras emissões surgem ao redor de 7-8 meses, com o balbucio, e vão evoluindo até o aparecimento das primeiras palavras entre 12 e 18 meses. Aos dois anos, a criança deve ter um vocabulário mínimo de seis a oito palavras, aos três anos usa sentenças e sua fala deve ser compreensível para um estranho. A articulação estará perfeita até o quinto ano de vida. Cerca de 10% das crianças apresenta algum tipo de alteração da produção motora da fala – os transtornos articulatórios – dificuldades na realização de um ou mais sons da língua. Outras alterações podem ocorrer na fluência da fala – a gagueira – quando aparecem repetições, prolongamentos e bloqueios. A apraxia da fala é o quadro em que a programação motora da fala no cérebro está alterada, levando a falhas graves na articulação dos sons, podendo tornar a fala ininteligível. Essas alterações devem ser avaliadas o mais precocemente possível para possibilitar a distinção entre o que é apenas um processo normal dentro da aquisição da fala ou alterações e atrasos do desenvolvimento. Autismo e linguagem A linguagem é o meio pelo qual os seres humanos estabelecem relações sociais, conexões emocionais e profissionais. O transtorno do espectro autista afeta primordialmente a capacidade de estabelecer relações sociais. Sendo assim, tanto a linguagem verbal quanto a não verbal (gestos, expressões faciais, entonação) estarão afetadas. Os autistas têm uma comunicação ineficaz porque não conseguem adaptar a mensagem às necessidades do ouvinte e perceber as sutis informações não verbais, ironias, piadas. Podem adquirir e reconhecer o significado de muitas palavras, mas sua linguagem está limitada a significados concretos. Tendem a compreender a informação de forma literal. Muitas crianças com autismo não desenvolvem a linguagem oral e quase 65% apresentam apraxia de fala (falha na articulação dos sons). O diagnóstico envolve a diferenciação entre autismo e distúrbios de linguagem, onde a interação social também pode estar prejudicada pela dificuldade de entendimento da fala da criança. A avaliação e reabilitação devem centrar nas necessidades comunicativas e sociais levando em consideração os ambientes da vida cotidiana do indivíduo: família, escola e trabalho. Ouvindo e falando A ligação entre ouvir e falar é bem estabelecida. Sabemos que a integridade do sistema auditivo é uma das condições fundamentais para que a fala se desenvolva. Assim como a linguagem, são a comunicação interpessoal e o aprendizado. A criança já é capaz de ouvir desde a vida intrauterina. Ouvindo, a criança começa a estabelecer uma comunicação com a mãe e outros ao seu redor que vai se moldando com o passar do tempo em palavras e orações. A maioria das crianças hoje é submetida ao teste da orelhinha, ainda na maternidade. É apenas uma triagem da integridade da audição naquele momento. Outros problemas auditivos podem aparecer nos primeiros anos de vida comprometendo a audição. Mesmo perdas auditivas leves podem estar associadas ao desenvolvimento das habilidades de comunicação receptiva e expressiva, problemas de aprendizado, dificuldade de comunicação e isolamento, assim como trocas de fonemas na fala e prejuízo do vocabulário. Na presença de atrasos no desenvolvimento da fala é fundamental a avaliação auditiva. A criança nem sempre entende o que ouve Essa situação é uma queixa frequente e caracteriza Distúrbio do Processamento Auditivo (DPA): condição que torna difícil reconhecer diferenças sutis entre sons das palavras e afeta a habilidade de processar/compreender o que se fala. Esse distúrbio afeta a comunicação (atraso no desenvolvimento da fala) e a memória auditiva, trazendo dificuldade em compreender ordens complexas, que se estendem aos problemas escolares, como alfabetização, leitura, soletramento, compreensão de problemas, etc. As crianças apresentam dificuldade nas relações sociais, problemas em contar histórias ou piadas e evitam conversas longas, principalmente ao telefone. Solicitam a repetição do que se fala, usam “Ah”, “Que?”. São, em geral, crianças distraídas, com pobre habilidade musical, dificuldades em decorar letras musicais, ritmos. As causas vão além da perda auditiva, destacando-se, ainda, a prematuridade, baixo peso ao nascer, distúrbios neurológicos, otites de repetição etc. São comumente associadas a perda auditiva o TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade) e a dislexia. Os testes de diagnóstico devem ser realizados acima dos seis anos. &#160; ___ Relator: Departamento Científico de Otorrinolaringologia da SPSP. Republicado em 12/12/2018. Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.</p>
<p>O post <a href="https://www.spsp.org.br/retrospectiva-momento-saude-desenvolvimento-da-fala/">Retrospectiva Momento Saúde: desenvolvimento da fala</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.spsp.org.br">SPSP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div></div><p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-1994 size-medium" src="http://www.pediatraorienta.org.br/wp-content/uploads/2018/03/MomentoOtorrino-300x200.png" alt="otorrinolaringologia" width="300" height="200">Apresentamos &#8211; nesta época de férias &#8211; uma retrospectiva de todos os artigos publicados em nossa coluna <strong><em>Momento Saúde</em></strong>, criada em 2017 pela equipe do blog Pediatra Orienta para que você possa ter informações rápidas sobre um determinado tema de relevância para a saúde das crianças e adolescentes, com textos curtos e de linguagem simples.</p>
<p>Republicando sobre:<br />
<strong>Atraso no desenvolvimento da fala</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<h1><strong>Errando, acertando&#8230; falando!</strong></h1>
<p>A fala é uma importante manifestação da linguagem (ideias, pensamentos, sentimentos) e depende de um complexo sistema integrativo entre audição e motricidade oral. As primeiras emissões surgem ao redor de 7-8 meses, com o balbucio, e vão evoluindo até o aparecimento das primeiras palavras entre 12 e 18 meses. Aos dois anos, a criança deve ter um vocabulário mínimo de seis a oito palavras, aos três anos usa sentenças e sua fala deve ser compreensível para um estranho. A articulação estará perfeita até o quinto ano de vida.</p>
<p>Cerca de 10% das crianças apresenta algum tipo de alteração da produção motora da fala – os transtornos articulatórios – dificuldades na realização de um ou mais sons da língua. Outras alterações podem ocorrer na fluência da fala – a gagueira – quando aparecem repetições, prolongamentos e bloqueios. A apraxia da fala é o quadro em que a programação motora da fala no cérebro está alterada, levando a falhas graves na articulação dos sons, podendo tornar a fala ininteligível.</p>
<p>Essas alterações devem ser avaliadas o mais precocemente possível para possibilitar a distinção entre o que é apenas um processo normal dentro da aquisição da fala ou alterações e atrasos do desenvolvimento.</p>
<h1><strong>Autismo e linguagem</strong></h1>
<p>A linguagem é o meio pelo qual os seres humanos estabelecem relações sociais, conexões emocionais e profissionais. O transtorno do espectro autista afeta primordialmente a capacidade de estabelecer relações sociais. Sendo assim, tanto a linguagem verbal quanto a não verbal (gestos, expressões faciais, entonação) estarão afetadas.</p>
<p>Os autistas têm uma comunicação ineficaz porque não conseguem adaptar a mensagem às necessidades do ouvinte e perceber as sutis informações não verbais, ironias, piadas. Podem adquirir e reconhecer o significado de muitas palavras, mas sua linguagem está limitada a significados concretos. Tendem a compreender a informação de forma literal.</p>
<p>Muitas crianças com autismo não desenvolvem a linguagem oral e quase 65% apresentam apraxia de fala (falha na articulação dos sons).<br />
O diagnóstico envolve a diferenciação entre autismo e distúrbios de linguagem, onde a interação social também pode estar prejudicada pela dificuldade de entendimento da fala da criança.</p>
<p>A avaliação e reabilitação devem centrar nas necessidades comunicativas e sociais levando em consideração os ambientes da vida cotidiana do indivíduo: família, escola e trabalho.</p>
<h1><strong>Ouvindo e falando</strong></h1>
<p>A ligação entre ouvir e falar é bem estabelecida. Sabemos que a integridade do sistema auditivo é uma das condições fundamentais para que a fala se desenvolva. Assim como a linguagem, são a comunicação interpessoal e o aprendizado. A criança já é capaz de ouvir desde a vida intrauterina. Ouvindo, a criança começa a estabelecer uma comunicação com a mãe e outros ao seu redor que vai se moldando com o passar do tempo em palavras e orações.</p>
<p>A maioria das crianças hoje é submetida ao teste da orelhinha, ainda na maternidade. É apenas uma triagem da integridade da audição naquele momento. Outros problemas auditivos podem aparecer nos primeiros anos de vida comprometendo a audição. Mesmo perdas auditivas leves podem estar associadas ao desenvolvimento das habilidades de comunicação receptiva e expressiva, problemas de aprendizado, dificuldade de comunicação e isolamento, assim como trocas de fonemas na fala e prejuízo do vocabulário.</p>
<p>Na presença de atrasos no desenvolvimento da fala é fundamental a avaliação auditiva.</p>
<h1><strong>A criança nem sempre entende o que ouve</strong></h1>
<p>Essa situação é uma queixa frequente e caracteriza Distúrbio do Processamento Auditivo (DPA): condição que torna difícil reconhecer diferenças sutis entre sons das palavras e afeta a habilidade de processar/compreender o que se fala. Esse distúrbio afeta a comunicação (atraso no desenvolvimento da fala) e a memória auditiva, trazendo dificuldade em compreender ordens complexas, que se estendem aos problemas escolares, como alfabetização, leitura, soletramento, compreensão de problemas, etc.</p>
<p>As crianças apresentam dificuldade nas relações sociais, problemas em contar histórias ou piadas e evitam conversas longas, principalmente ao telefone. Solicitam a repetição do que se fala, usam “Ah”, “Que?”. São, em geral, crianças distraídas, com pobre habilidade musical, dificuldades em decorar letras musicais, ritmos.</p>
<p>As causas vão além da perda auditiva, destacando-se, ainda, a prematuridade, baixo peso ao nascer, distúrbios neurológicos, otites de repetição etc.</p>
<p>São comumente associadas a perda auditiva o TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade) e a dislexia. Os testes de diagnóstico devem ser realizados acima dos seis anos.</p>
<p><div id="attachment_1996" style="width: 848px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-1996" class="size-large wp-image-1996" src="http://www.pediatraorienta.org.br/wp-content/uploads/2018/03/child_singing_1521638538-1024x682.jpg" alt="" width="838" height="558"><p id="caption-attachment-1996" class="wp-caption-text"><a href="https://pixabay.com/users/Free-Photos/">Free-Photos</a> | Pixabay</p></div></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>___<br />
<strong>Relator:</strong><br />
<strong> Departamento Científico de Otorrinolaringologia da SPSP.<br />
</strong></p>
<p>Republicado em 12/12/2018.</p>
<p>Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.</p>
<p><a href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/deed.pt_BR" rel="license"><img decoding="async" style="border-width: 0;" src="http://i.creativecommons.org/l/by-nc-nd/3.0/br/88x31.png" alt="Licença Creative Commons"></a><br />
Esta obra foi licenciado sob uma Licença <a href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/deed.pt_BR" rel="license">Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil</a>.</p>
<p>O post <a href="https://www.spsp.org.br/retrospectiva-momento-saude-desenvolvimento-da-fala/">Retrospectiva Momento Saúde: desenvolvimento da fala</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.spsp.org.br">SPSP</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Autismo e alergia alimentar</title>
		<link>https://www.spsp.org.br/autismo-e-alergia-alimentar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[pediatria@spsp.org.br]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Jun 2018 18:20:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adolescencia]]></category>
		<category><![CDATA[Alimentação]]></category>
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		<category><![CDATA[Sinais e sintomas]]></category>
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		<category><![CDATA[Transtorno do espectro autista]]></category>
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					<description><![CDATA[<div></div>
<p>O Transtorno do Espectro Autista (TEA) caracteriza-se por uma coleção de condições do neuro desenvolvimento, levando a deficiências na comunicação e interação social, comportamentos repetitivos e padrão de interesse restrito. A criança com TEA costuma selecionar os alimentos durante a refeição, recusando o que não conhece ou que apresente textura e sabor diferentes. Daí, então, a importância de se oferecer alimentação adequada desde os primeiros meses de vida, tais como aleitamento materno e alimentos naturais. Por muito tempo, esse padrão alimentar justificou a elevada frequência de distúrbios gastrointestinais, como diarreia e constipação (intestino preso), observados nos primeiros três anos de vida das crianças com TEA. Entretanto, no início da vida, além do desenvolvimento do padrão alimentar e da colonização microbiana no trato digestório da criança, há o desenvolvimento dos sistemas nervoso e imunológico no intestino. A falha de qualquer um desses componentes pode causar alteração intestinal importante. O sistema imunológico do indivíduo com predisposição genética para o autismo, ao ser estimulado por um agente infeccioso – principalmente viral, ou outro (tóxico, estresse etc) &#8211; é capaz de ativar determinadas células e liberar substâncias inflamatórias e tóxicas ao sistema nervoso central (SNC), conhecidas como neurotoxinas. Consequentemente, há um aumento na permeabilidade da estrutura que protege o SNC, chamada barreira hematoencefálica (barreira sangue/cérebro), facilitando a entrada de outras células e substâncias pró-inflamatórias que ativam as terminações nervosas localizadas especialmente nas áreas do cérebro denominadas hipotálamo e diencéfalo, que são responsáveis pela regulação das emoções. Esse evento é também chamado encefalite focal. Recentemente, foi sugerido que a alergia, principalmente alimentar, poderia levar a essa encefalite focal, aumentando o risco de TEA. Com o objetivo de melhorar aspectos comportamentais e de aprendizagem em crianças autistas, foram criados inúmeros tratamentos dietéticos, como a dieta livre de caseína e de glúten. Alguns estudos, embora pequenos, por curto período de tempo e sem metodologia científica adequada, em que eliminaram o glúten e a caseína da dieta dos pacientes autistas, mostraram melhora da linguagem e outros aspectos. Entretanto, outros estudos mais duradouros e com maior valor científico não confirmaram esses resultados ou foram inconclusivos. Diante de tais evidências, o valor terapêutico das dietas isentas de glúten e/ou caseína ainda é limitado e indefinido. Outra consideração importante é que o número de casos de pessoas com doença celíaca (intolerância ao glúten) entre os autistas não é superior ao encontrado na população normal. Além disso, embora a sensibilidade ao glúten nāo-celíaca possa se apresentar com aspectos clínicos diversos, incluindo sintomas neurológicos, as evidências atuais não são suficientes para indicar uma dieta sem glúten nestes pacientes. Os riscos dessas restrições alimentares é que podem se associar a rejeição social, estigmatização, dificuldades de socialização e integração, com potenciais efeitos adversos no próprio TEA. As dietas de exclusão de glúten e/ou caseína, ou mesmo outro alimento, não devem, portanto, ser indicadas a pacientes com TEA, exceto se apresentarem diagnóstico bem definido de intolerância ou hipersensibilidade alimentar. ___ Relatoras: Dra. Vera Rullo Dr. Joaquina Maria Correa Bueno Departamento Científico de Alergia da SPSP. Publicado em 5/06/2018. Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.</p>
<p>O post <a href="https://www.spsp.org.br/autismo-e-alergia-alimentar/">Autismo e alergia alimentar</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.spsp.org.br">SPSP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div></div><p>O Transtorno do Espectro Autista (TEA) caracteriza-se por uma coleção de condições do neuro desenvolvimento, levando a deficiências na comunicação e interação social, comportamentos repetitivos e padrão de interesse restrito.</p>
<p>A criança com TEA costuma selecionar os alimentos durante a refeição, recusando o que não conhece ou que apresente textura e sabor diferentes. Daí, então, a importância de se oferecer alimentação adequada desde os primeiros meses de vida, tais como aleitamento materno e alimentos naturais. Por muito tempo, esse padrão alimentar justificou a elevada frequência de distúrbios gastrointestinais, como diarreia e constipação (intestino preso), observados nos primeiros três anos de vida das crianças com TEA. Entretanto, no início da vida, além do desenvolvimento do padrão alimentar e da colonização microbiana no trato digestório da criança, há o desenvolvimento dos sistemas nervoso e imunológico no intestino. A falha de qualquer um desses componentes pode causar alteração intestinal importante.</p>
<p><div id="attachment_2124" style="width: 848px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-2124" class="size-large wp-image-2124" src="http://www.pediatraorienta.org.br/wp-content/uploads/2018/06/baby_eating_1528139672-1024x682.jpg" alt="" width="838" height="558" /><p id="caption-attachment-2124" class="wp-caption-text"><a href="https://pixabay.com/users/yalehealth/">yalehealth</a> | Pixabay</p></div></p>
<p>O sistema imunológico do indivíduo com predisposição genética para o autismo, ao ser estimulado por um agente infeccioso – principalmente viral, ou outro (tóxico, estresse etc) &#8211; é capaz de ativar determinadas células e liberar substâncias inflamatórias e tóxicas ao sistema nervoso central (SNC), conhecidas como neurotoxinas. Consequentemente, há um aumento na permeabilidade da estrutura que protege o SNC, chamada barreira hematoencefálica (barreira sangue/cérebro), facilitando a entrada de outras células e substâncias pró-inflamatórias que ativam as terminações nervosas localizadas especialmente nas áreas do cérebro denominadas hipotálamo e diencéfalo, que são responsáveis pela regulação das emoções. Esse evento é também chamado encefalite focal. Recentemente, foi sugerido que a alergia, principalmente alimentar, poderia levar a essa encefalite focal, aumentando o risco de TEA.</p>
<p>Com o objetivo de melhorar aspectos comportamentais e de aprendizagem em crianças autistas, foram criados inúmeros tratamentos dietéticos, como a dieta livre de caseína e de glúten. Alguns estudos, embora pequenos, por curto período de tempo e sem metodologia científica adequada, em que eliminaram o glúten e a caseína da dieta dos pacientes autistas, mostraram melhora da linguagem e outros aspectos. Entretanto, outros estudos mais duradouros e com maior valor científico não confirmaram esses resultados ou foram inconclusivos. Diante de tais evidências, o valor terapêutico das dietas isentas de glúten e/ou caseína ainda é limitado e indefinido.</p>
<p>Outra consideração importante é que o número de casos de pessoas com doença celíaca (intolerância ao glúten) entre os autistas não é superior ao encontrado na população normal. Além disso, embora a sensibilidade ao glúten nāo-celíaca possa se apresentar com aspectos clínicos diversos, incluindo sintomas neurológicos, as evidências atuais não são suficientes para indicar uma dieta sem glúten nestes pacientes.</p>
<p>Os riscos dessas restrições alimentares é que podem se associar a rejeição social, estigmatização, dificuldades de socialização e integração, com potenciais efeitos adversos no próprio TEA. As dietas de exclusão de glúten e/ou caseína, ou mesmo outro alimento, não devem, portanto, ser indicadas a pacientes com TEA, exceto se apresentarem diagnóstico bem definido de intolerância ou hipersensibilidade alimentar.</p>
<p>___<br />
<strong>Relatoras:</strong><br />
<strong> Dra. Vera Rullo</strong><br />
<strong> Dr. Joaquina Maria Correa Bueno</strong><br />
Departamento Científico de Alergia da SPSP.</p>
<p>Publicado em 5/06/2018.</p>
<p>Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.</p>
<p><a href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/deed.pt_BR" rel="license"><img decoding="async" style="border-width: 0;" src="http://i.creativecommons.org/l/by-nc-nd/3.0/br/88x31.png" alt="Licença Creative Commons" /></a><br />
Esta obra foi licenciado sob uma Licença <a href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/deed.pt_BR" rel="license">Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil</a>.</p>
<p>O post <a href="https://www.spsp.org.br/autismo-e-alergia-alimentar/">Autismo e alergia alimentar</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.spsp.org.br">SPSP</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Momento Saúde: autismo e linguagem</title>
		<link>https://www.spsp.org.br/momento-saude-autismo-e-linguagem/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[pediatria@spsp.org.br]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Mar 2018 18:35:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bebê]]></category>
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					<description><![CDATA[<div></div>
<p>A coluna Momento Saúde foi criada para que você possa ter informações rápidas sobre um determinado tema de relevância para a saúde das crianças e adolescentes, com textos curtos e de linguagem simples. Com uma postagem por semana, esta coluna será seu momento de dicas, alertas e cuidados. O assunto é: atraso no desenvolvimento da fala: quando investigar? &#160; Autismo e linguagem A linguagem é o meio pelo qual os seres humanos estabelecem relações sociais, conexões emocionais e profissionais. O transtorno do espectro autista afeta primordialmente a capacidade de estabelecer relações sociais. Sendo assim, tanto a linguagem verbal quanto a não verbal (gestos, expressões faciais, entonação) estarão afetadas. Os autistas têm uma comunicação ineficaz porque não conseguem adaptar a mensagem às necessidades do ouvinte e perceber as sutis informações não verbais, ironias, piadas. Podem adquirir e reconhecer o significado de muitas palavras, mas sua linguagem está limitada a significados concretos. Tendem a compreender a informação de forma literal. Muitas crianças com autismo não desenvolvem a linguagem oral e quase 65% apresentam apraxia de fala (falha na articulação dos sons). O diagnóstico envolve a diferenciação entre autismo e distúrbios de linguagem, onde a interação social também pode estar prejudicada pela dificuldade de entendimento da fala da criança. A avaliação e reabilitação devem centrar nas necessidades comunicativas e sociais levando em consideração os ambientes da vida cotidiana do indivíduo: família, escola e trabalho. ___ Relatora: Dra. Sulene Pirana Departamento Científico de Otorrinolaringologia da SPSP. Publicado em 28/03/2018. Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.</p>
<p>O post <a href="https://www.spsp.org.br/momento-saude-autismo-e-linguagem/">Momento Saúde: autismo e linguagem</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.spsp.org.br">SPSP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div></div><p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignright wp-image-1994 size-medium" src="http://www.pediatraorienta.org.br/wp-content/uploads/2018/03/MomentoOtorrino-300x200.png" alt="otorrinolaringologia" width="300" height="200" />A coluna <strong><em>Momento Saúde</em></strong> foi criada para que você possa ter informações rápidas sobre um determinado tema de relevância para a saúde das crianças e adolescentes, com textos curtos e de linguagem simples. Com uma postagem por semana, esta coluna será seu momento de dicas, alertas e cuidados.</p>
<p>O assunto é:<br />
<strong>atraso no desenvolvimento da fala: quando investigar?</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<h1><strong>Autismo e linguagem</strong></h1>
<p>A linguagem é o meio pelo qual os seres humanos estabelecem relações sociais, conexões emocionais e profissionais. O transtorno do espectro autista afeta primordialmente a capacidade de estabelecer relações sociais. Sendo assim, tanto a linguagem verbal quanto a não verbal (gestos, expressões faciais, entonação) estarão afetadas.</p>
<p>Os autistas têm uma comunicação ineficaz porque não conseguem adaptar a mensagem às necessidades do ouvinte e perceber as sutis informações não verbais, ironias, piadas. Podem adquirir e reconhecer o significado de muitas palavras, mas sua linguagem está limitada a significados concretos. Tendem a compreender a informação de forma literal.</p>
<p>Muitas crianças com autismo não desenvolvem a linguagem oral e quase 65% apresentam apraxia de fala (falha na articulação dos sons).<br />
O diagnóstico envolve a diferenciação entre autismo e distúrbios de linguagem, onde a interação social também pode estar prejudicada pela dificuldade de entendimento da fala da criança.</p>
<p>A avaliação e reabilitação devem centrar nas necessidades comunicativas e sociais levando em consideração os ambientes da vida cotidiana do indivíduo: família, escola e trabalho.</p>
<p><div id="attachment_1999" style="width: 848px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-1999" class="size-large wp-image-1999" src="http://www.pediatraorienta.org.br/wp-content/uploads/2018/03/Depositphotos_56688669_original-1024x683.jpg" alt="autismo e linguagem" width="838" height="559" /><p id="caption-attachment-1999" class="wp-caption-text">altanaka | depositphotos.com</p></div></p>
<p>___<br />
<strong>Relatora:</strong><br />
<strong>Dra. Sulene Pirana</strong><br />
Departamento Científico de Otorrinolaringologia da SPSP.</p>
<p>Publicado em 28/03/2018.</p>
<p>Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.</p>
<p><a href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/deed.pt_BR" rel="license"><img decoding="async" style="border-width: 0;" src="http://i.creativecommons.org/l/by-nc-nd/3.0/br/88x31.png" alt="Licença Creative Commons" /></a><br />
Esta obra foi licenciado sob uma Licença <a href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/deed.pt_BR" rel="license">Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil</a>.</p>
<p>O post <a href="https://www.spsp.org.br/momento-saude-autismo-e-linguagem/">Momento Saúde: autismo e linguagem</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.spsp.org.br">SPSP</a>.</p>
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