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	<title>Arquivos Tribo - SPSP</title>
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	<title>Arquivos Tribo - SPSP</title>
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		<title>Dia Internacional dos Povos Indígenas</title>
		<link>https://www.spsp.org.br/dia-internacional-dos-povos-indigenas-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fabio Teófilo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Aug 2023 13:51:51 +0000</pubDate>
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<p>A comemoração do Dia Internacional dos Povos Indígenas (9 de agosto) dá visibilidade àqueles que a história tornou invisíveis do ponto de vista social e político. Nem Iracema, índia tabajara</p>
<p>O post <a href="https://www.spsp.org.br/dia-internacional-dos-povos-indigenas-2/">Dia Internacional dos Povos Indígenas</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.spsp.org.br">SPSP</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2023/08/Imagem-indigena-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2023/08/Imagem-indigena-150x150.jpg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2023/08/Imagem-indigena-75x75.jpg 75w" sizes="(max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p><strong> </strong>A comemoração do Dia Internacional dos Povos Indígenas (9 de agosto) dá visibilidade àqueles que a história tornou invisíveis do ponto de vista social e político.</p>
<p style="text-align: justify;">Nem Iracema, índia tabajara – a virgem dos lábios de mel (1865), nem Peri, da tribo dos Goitacazes, do romance O Guarani (1857) – obras do escritor indigenista José de Alencar; nem Caramuru (1528), apaixonado por Paraguaçu – a índia filha do cacique Taparica, da tribo tupinambá; nem o cacique Raoni Metuktire de lábios exóticos e proeminentes da tribo caiapó; nem o folclórico deputado Juruna, da tribo xavante – aquele que percorria as salas do Planalto com gravador a tiracolo; nem a artista plástica Duhigó, da tribo tucano ou o escritor Ailton Krenak conseguem descrever a riqueza cultural, a diversidade étnica dos nossos povos originários.</p>
<p>Segundo o IBGE, existem mais de 300 etnias, fazendo do Brasil um dos países com a maior diversidade de povos locais no mundo. O número de línguas faladas em um país é um dos critérios para se avaliar o grau de diversidade cultural nele existente. No Brasil, são faladas mais de 170 línguas indígenas, o que o coloca entre os dez países de maior diversidade cultural do planeta.</p>
<p style="text-align: justify;">Atualmente, São Paulo tem a quarta maior população indígena do país, com mais de 10 mil índios vivendo em bairros periféricos. Hoje, mais de 30% dos índios brasileiros com fenótipo indígena ainda visível vivem nas cidades, representando cerca de 300 mil.</p>
<p style="text-align: justify;">A relação entre colonizadores e povos originários ao longo da história tem sido marcada por inúmeros aspectos éticos e antropológicos problemáticos. O índio idealizado e mitificado nas obras de José de Alencar não traduz as agruras dessa relação. Enumero alguns desses aspectos:</p>
<ol>
<li style="text-align: justify;"><strong>Desrespeito à autodeterminação:</strong> Colonizadores frequentemente impuseram seus valores, crenças e formas de governo sobre os povos originários, ignorando a sua autodeterminação e soberania, resultando em perda de identidade cultural.</li>
<li style="text-align: justify;"><strong>Apropriação indevida de terras e recursos naturais:</strong> A colonização envolveu a tomada de terras ancestrais dos povos originários, bem como a exploração descontrolada de recursos naturais, sem levar em conta a sua sustentabilidade ou a vontade das comunidades locais. A luta pela demarcação e proteção de terras indígenas continua sendo um dos principais desafios enfrentados pelos povos originais.</li>
<li style="text-align: justify;"><strong>Violência e genocídio:</strong> Muitas vezes, a colonização resultou em conflitos violentos e genocídios, com consequências devastadoras para as comunidades indígenas, como massacres, epidemias e remoções forçadas.</li>
<li><strong>Políticas assimilacionistas:</strong> Governos colonizadores frequentemente adotaram políticas de assimilação cultural, tentando forçar os povos originários a abandonar suas tradições, línguas e crenças em favor da cultura dominante.</li>
<li style="text-align: justify;"><strong>Exploração econômica e trabalho forçado:</strong> Os povos originários, frequentemente, foram explorados e forçados a trabalhar em condições desumanas, muitas vezes em sistemas de trabalho compulsório ou escravidão. Hoje, outro aspecto dessa assimetria de poder é a apropriação cultural, na qual elementos da cultura indígena – práticas e símbolos tradicionais – são comercializados sem a devida contrapartida.</li>
</ol>
<ol start="6">
<li style="text-align: justify;"><strong>Negligência na proteção do meio ambiente:</strong> Exploração não sustentável dos recursos naturais pelo dominador (madeireiras, mineradores, agropecuária, hidrelétricas, rodovias e ferrovias, entre outros), resultando em danos irreparáveis ao meio ambiente e afetando negativamente a vida das comunidades indígenas que dependem desses recursos.</li>
<li style="text-align: justify;"><strong>Perda de tradições culturais:</strong> A interferência da colonização pode levar ao desaparecimento de línguas, conhecimentos tradicionais, rituais religiosos e práticas culturais, resultando na perda de identidade e coesão social nas comunidades indígenas. A preservação da cultura e das tradições é fundamental para a identidade dos povos indígenas.</li>
<li style="text-align: justify;"><strong>Discriminação e marginalização contínua:</strong> Mesmo após séculos de colonização, muitos povos originários continuam a enfrentar discriminação, marginalização e exclusão social nos países em que vivem<em>.</em> Muitos indígenas enfrentam dificuldades para obter documentos, cidadania e outros direitos básicos, o que pode resultar em exclusão social e marginalização. O acesso a serviços de saúde e educação de qualidade ainda é uma questão crítica para muitas comunidades indígenas.</li>
<li><strong>Reparação e reconhecimento:</strong> Muitas vezes, os colonizadores não reconhecem a responsabilidade pelos danos causados às comunidades indígenas e a necessidade de reparação histórica, como pedidos de desculpas, compensação ou devolução de terras.</li>
</ol>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">Nas comunidades dos povos originários, o cuidado com as crianças é um valor central, sendo visto como uma responsabilidade coletiva, que envolve toda a tribo ou aldeia. Os laços familiares são fortalecidos não apenas pelo sangue, mas pela educação e proteção oferecida às crianças desde os primeiros dias de vida. O conceito de cuidado vai além das necessidades básicas e abrange a formação de um indivíduo integrado à cultura e ao meio ambiente.</p>
<p style="text-align: justify;">As crianças indígenas são ensinadas desde cedo sobre suas tradições, línguas nativas, técnicas de sobrevivência, rituais e práticas culturais. A transmissão desse conhecimento ancestral é feita de forma oral, por meio de histórias, canções e danças que envolvem os mais velhos, permitindo que as crianças compreendam suas origens e valores como povo.</p>
<p style="text-align: justify;">As tarefas diárias também são compartilhadas e as crianças aprendem por meio da observação e participação ativa nas atividades cotidianas. Elas são envolvidas em processos como a coleta, a caça, a pesca e a preparação de alimentos, a confecção de artesanatos e outras práticas que são fundamentais para a sustentabilidade da comunidade. Elas aprendem a respeitar o meio ambiente e a valorizar os recursos naturais, pois compreendem que sua sobrevivência está diretamente ligada à preservação do ambiente em que vivem.</p>
<p style="text-align: justify;">As comunidades indígenas têm seus próprios métodos de cura e tratamentos tradicionais, transmitidos de geração em geração. Entretanto, o contato com o mundo exterior trouxe impactos negativos em algumas regiões, como a perda de territórios, a exploração predatória dos recursos naturais e a disseminação de doenças.</p>
<p style="text-align: justify;">A comemoração do Dia dos Povos Originários é uma data importante para reconhecer e valorizar a rica diversidade cultural e ancestralidade dos povos indígenas que habitam a nossa terra há séculos, bem como fortalecer a discussão ética e antropológica sobre os aspectos da nossa colonização, recordando-nos os danos causados nesse processo, com a finalidade de construir relações mais justas e respeitosas. É essencial não apenas valorizar sua cultura e modo de vida, mas também reconhecer a importância de apoiar suas lutas por direitos, autonomia e preservação das tradições ancestrais, incluindo o cuidado com suas crianças, assegurando que elas cresçam com respeito à sua identidade cultural e com a possibilidade de desenvolverem-se plenamente em harmonia com o mundo ao seu redor.</p>
<p> </p>
<p><strong>Relator:<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Fernando MF Oliveira<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP</strong></p>
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		<title>#nóstodossomosyanomamis</title>
		<link>https://www.spsp.org.br/nostodossomosyanomamis/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fabio Teófilo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Feb 2023 14:58:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Voz do Blog]]></category>
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					<description><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2023/02/Foto-Yanomami-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2023/02/Foto-Yanomami-150x150.jpg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2023/02/Foto-Yanomami-75x75.jpg 75w" sizes="(max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p>A desgraça humanitária que está acometendo a tribo dos Yanomamis incomoda e entristece aqueles que ainda não têm coração endurecido, seja pela crueza imposta pela vida</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2023/02/Foto-Yanomami-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2023/02/Foto-Yanomami-150x150.jpg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2023/02/Foto-Yanomami-75x75.jpg 75w" sizes="auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p style="text-align: justify;">A desgraça humanitária que está acometendo a tribo dos Yanomamis incomoda e entristece aqueles que ainda não têm coração endurecido, seja pela crueza imposta pela vida ou, simplesmente, pelo cinismo. Para nós pediatras, com um pouco mais de idade, dói profundamente ver crianças com quadro que nos remete ao passado de nossa formação acadêmica e de especialização, quando eram frequentes os casos de desnutrição grave, do tipo Marasmo ou Kwashiorkor. Não quero repetir um discurso já “surrado” de que houve negligência, conivência, intencionalidade, ou qualquer outro adjetivo que queiram utilizar para descrever atitudes no mínimo arrogantes – este assunto é ético.</p>
<p style="text-align: justify;">Os Yanomamis estão no mesmo patamar dos desprotegidos pela pobreza, dos desvalidos da sorte, dos que não nasceram em berço de ouro, dos que não são brancos, dos que perambulam pelas ruas sem emprego e sem teto. Há seres humanos de primeira classe e os que são de outra espécie.</p>
<p>Aos primeiros “eu trato como um igual”; aos outros, “eu trato como objeto de minha manipulação”. “Melhor seria se não existissem”&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">A linha ética que separa um Yanomami de um cidadão da cidade marginalizado é inexistente. Ambos estão fora do mercado de trabalho e parecem não contribuir para o progresso. A sensibilidade para este assunto não pode ser rebaixada a um patamar menos importante que o racismo, ou a xenofobia, ou qualquer outro tipo de preconceito – em todos eles o que está em jogo é o conceito de pessoa humana e da dignidade humana.</p>
<p style="text-align: justify;">Ah, o progresso! O progresso está em respeitar as terras delimitadas de um povo que vive da caça, pesca ou plantação local; está em impedir que haja contaminação de rios com os produtos do garimpo, principalmente do ilegal; está em proteger crianças e mulheres de sofrerem abuso. E está em governar para todos e não só para alguns – afinal somos uma sociedade com “diferentes” e não “só de iguais”.</p>
<p style="text-align: justify;">E uma sociedade que não sofre com o drama humanitário dos Yanomamis está doente. Aqueles que são indiferentes estão num descaminho perigoso – quando não se respeita a dignidade humana, nada impedirá que outros holocaustos também venham a acontecer.</p>
<p style="text-align: justify;">A história quando se repete é porque os homens nada aprenderam com ela. O pior dos mundos é aquele em que um homem é incapaz de se ver no outro. Quando esta afirmação for avaliada como ingênua ou romântica, é porque estamos começando a endurecer o coração.</p>
<p>Que os poetas nos socorram e os governantes nos protejam (a todos!).</p>
<p> </p>
<p><strong>Relator:<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Fernando MF Oliveira<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP</strong></p>
<p>O post <a href="https://www.spsp.org.br/nostodossomosyanomamis/">#nóstodossomosyanomamis</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.spsp.org.br">SPSP</a>.</p>
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