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	<title>Arquivos Vovó - SPSP</title>
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	<description>Sociedade de Pediatria de São Paulo</description>
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	<title>Arquivos Vovó - SPSP</title>
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	<item>
		<title>O álbum de fotografias da vovó &#8211; Seriedade</title>
		<link>https://www.spsp.org.br/o-album-de-fotografias-da-vovo-seriedade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fabio Teófilo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Nov 2025 13:07:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Adolescência]]></category>
		<category><![CDATA[Infância]]></category>
		<category><![CDATA[Vovó dizia]]></category>
		<category><![CDATA[Álbum de Fotografias]]></category>
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					<description><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/11/Imagem-O-album-de-fotografias-da-vovo-Texto-2-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/11/Imagem-O-album-de-fotografias-da-vovo-Texto-2-150x150.jpeg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/11/Imagem-O-album-de-fotografias-da-vovo-Texto-2-75x75.jpeg 75w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/11/Imagem-O-album-de-fotografias-da-vovo-Texto-2-500x500.jpeg 500w" sizes="(max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p>É um momento de muita alegria para a vovó quando o(a) netinho(a) chega daescola, afoito, para perguntar suplicando: – vovó, você me ajuda a fazer a árvore da família?</p>
<p>O post <a href="https://www.spsp.org.br/o-album-de-fotografias-da-vovo-seriedade/">O álbum de fotografias da vovó &#8211; Seriedade</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.spsp.org.br">SPSP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/11/Imagem-O-album-de-fotografias-da-vovo-Texto-2-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/11/Imagem-O-album-de-fotografias-da-vovo-Texto-2-150x150.jpeg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/11/Imagem-O-album-de-fotografias-da-vovo-Texto-2-75x75.jpeg 75w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/11/Imagem-O-album-de-fotografias-da-vovo-Texto-2-500x500.jpeg 500w" sizes="(max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p style="text-align: justify;">É um momento de muita alegria para a vovó quando o(a) netinho(a) chega daescola, afoito, para perguntar suplicando: – vovó, você me ajuda a fazer a árvore da família? Preciso de muitas fotos. Ele(a) bem que tentou falar a palavra complicada – genealógica, mas saiu tropeçando nas letras.</p>
<p style="text-align: justify;">Os diversos álbuns de família são retirados do armário. Parecem muitos aos olhos da avó, mas o(a) netinho(a) comenta: – só tem esses? Eu tenho mais fotos do que você.</p>
<p style="text-align: justify;">Ah! Que delícia para a vovó ir explicando (esse “gerundismo” aqui vai bem!), foto a foto, quem são aqueles personagens exóticos. Tudo parece muito estranho para o(a) netinho(a), mas a vovó pensa e não fala: – “agora, até pra mim parece muito esquisito”.</p>
<p style="text-align: justify;">A vovó aproveita a ocasião e filosofa para o(a) netinho(a): “quando você chegar na mesma idade que eu tenho agora, com certeza você vai rir muito com as suas próprias fotos&#8230; elas parecerão tiradas em outro mundo e você parecerá um alienígena”.</p>
<p style="text-align: justify;">Conversa vai, conversa vem&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">– Vó, por que todos nessas fotos estão paradinhos e olhando pra frente, sem ninguém dar uma risadinha?</p>
<p style="text-align: justify;">– Você é muito observador(a). É verdade&#8230; naquele tempo, para se tirar uma foto tinha que se pensar muito – escolher um local, um cenário de fundo, uma roupa adequada e ficar como estátua, para nada sair errado. Naquela época,</p>
<p style="text-align: justify;">os filmes de fotografia eram muito caros. Os filmes coloridos eram mais caros ainda. Cada rolo de filme dava para 12, 24 ou até 36 fotografias.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois de tiradas, tinham que ser levadas para uma loja especializada para revelar o filme: aí é que você via o que saiu. Às vezes, a constatação era muito triste – o filme queimou, ou a fotografia saiu tremida, enfim, ela não servia para nada. A grande maioria dessas fotos carece então de uma coisa</p>
<p style="text-align: justify;">fundamental: a espontaneidade. O riso brota da espontaneidade, dessa liberdade em ser do jeito que se é ou está e de agir como quiser.</p>
<p style="text-align: justify;">– Nossa vó, que chato.</p>
<p style="text-align: justify;">– É, meu neto(a), por isso você tem mais fotos que a vovó. Hoje, as novas tecnologias tornaram esse aspecto da vida muito mais fácil. Todo mundo quer registar tudo em foto. Além disso, querem divulgar por aí nas redes sociais, não é mesmo?</p>
<p style="text-align: justify;">– Claro, vó! Senão, qual é a graça?</p>
<p> </p>
<p><strong>Relator:<br />Fernando MF Oliveira<br />Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP</strong></p>
<p> </p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Efeito Mateus</title>
		<link>https://www.spsp.org.br/efeito-mateus/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Aug 2024 18:56:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Vovó dizia]]></category>
		<category><![CDATA[Crescimento]]></category>
		<category><![CDATA[Crescimento Econômico]]></category>
		<category><![CDATA[crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Desenvolvimento]]></category>
		<category><![CDATA[Desigualdades]]></category>
		<category><![CDATA[Digital]]></category>
		<category><![CDATA[Efeito Mateus]]></category>
		<category><![CDATA[spsp]]></category>
		<category><![CDATA[Telas]]></category>
		<category><![CDATA[Tempo]]></category>
		<category><![CDATA[Transtornos]]></category>
		<category><![CDATA[Vovó]]></category>
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					<description><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-Efeito-Mateus-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-Efeito-Mateus-150x150.jpeg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-Efeito-Mateus-75x75.jpeg 75w" sizes="(max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p>“Sai da frente da TV e vai ver o céu, menino”, conclamava a vovó, incomodada com o tempo que o netinho estava parado diante de uma tela.  Ah! A vovó não aceitava que o neto ficasse “sem gastar energia”, “sem interagir com a natureza”, “sem brincar com os amigos”. Desconfiava que tinha alguma coisa errada: “tem caroço nesse angu”. Hoje, o caroço nesse angu tem o nome de ‘Efeito Mateus’. O &#8220;Efeito Mateus&#8221; é um fenômeno observado em estatísticas e análises econômicas, que descreve como as diferenças e desequilíbrios tendem a se ampliar durante períodos de crescimento econômico ou recuperação após uma crise. O termo deriva de uma passagem do Novo Testamento da Bíblia cristã, no Evangelho de Mateus, onde Jesus diz: &#8220;Pois a quem tem, mais será dado, e terá em abundância. Mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado&#8221;. Essa passagem é frequentemente interpretada como uma reflexão sobre a dinâmica das desigualdades sociais. Em períodos de crescimento econômico as desigualdades podem se agravar, perpetuando um ciclo sem fim e aumentando as disparidades sociais. Michel Desmurget* aplica esse conceito ao analisar a importância dos efeitos negativos no desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças, em especial na idade entre 0 e 6 anos, causados pela exposição inadequada às telas. Nessa faixa etária ocorre um enorme crescimento do tecido neural, extraordinário na formação de sinapses, fundamentais para o processo de aprendizagem e memorização. A analogia se estabelece ao afirmar que o comprometimento do crescimento e maturação desse sistema, nessa faixa etária, determina um patamar para aquisições futuras aquém do que poderia ter sido estabelecido. Portanto, quaisquer fatores que interfiram nesse desenvolvimento, sequestram oportunidades, são “ladrões de tempo oportuno e insubstituível”. As telas são descritas como as “grandes vilãs” quanto ao uso desse bem primordial e essencial – o tempo. Elas competem, nas 24 horas do dia, com outras utilizações melhores e mais saudáveis para o desenvolvimento infantil.   Esse é o ponto.   É uma falácia bastante disseminada que uma criança que é estimulada ao uso precoce das diversas mídias terá uma performance melhor em sua vida futura, tanto acadêmica, quanto profissional. Podemos afirmar, sem risco de errar, que essa melhora, por exemplo com o treinamento continuado nos videogames, produz apenas melhores jogadores de videogames, sem repercutir em outras habilidades. O que é essencial é a qualidade dos estímulos recebidos por uma criança. Nenhum programa de TV, como Vila Sésamo, Peppa Pig ou equivalente, será um estímulo melhor do que a criança brincar com jogos de encaixar, multicoloridos, contando com a interação de um adulto que as supervisione. É a tese do livro de Michel Desmurget: “As crianças precisam que falemos com elas, leiamos histórias para elas, que ganhem e leiam livros. Elas precisam se “entediar”, “ter tempo para não fazer nada”, brincar, montar quebra-cabeças, construir casas com blocos, correr, pular, cantar. Elas necessitam desenhar, praticar atividades físicas, ouvir músicas, tocar instrumentos, etc. Todas essas atividades (e muitas outras semelhantes) constroem seu cérebro de forma mais segura e eficaz do que qualquer tela recreativa. Dito de outra maneira, a criança não se tornará um deficiente no mundo digital porque não foi exposta às telas durante os seis primeiros anos de sua vida. Ao contrário. O que ela desenvolverá longe das telas a ajudará a melhor utilizar o que o digital pode oferecer de positivo”. Há os que subestimam, ou não acreditam nisso. Resgato, como alerta, uma frase veiculada pela Academia Americana de Pediatria: “Se não sabemos que algo é bom e há razões para acreditar que é mau, por que fazê-lo?” (**) Listo para terminar, os principais problemas médicos, relacionados com a exposição inadequada às telas, que podem afetar a saúde das crianças e adolescentes: Dependência digital e uso problemático das mídias interativas; Problemas de saúde mental: irritabilidade, ansiedade e depressão; Transtornos do déficit de atenção e hiperatividade; Transtornos do sono; Transtornos de alimentação: sobrepeso/obesidade e anorexia/bulimia; Sedentarismo e falta da prática de exercícios; Bullying &#38; cyberbullying; Transtornos da imagem corporal e da autoestima; Riscos da sexualidade, nudez, sexting, abuso sexual, estupro virtual; Comportamentos autolesivos, indução e riscos de suicídio; Aumento da violência, abusos e fatalidades; Problemas visuais, miopia e síndrome visual do computador; Problemas auditivos e PAIR (perda auditiva induzida pelo ruído); Transtornos posturais e musculoesqueléticos; Uso de nicotina, vaping, bebidas alcoólicas, maconha, anabolizantes e outras drogas.   Saiba mais:   * A Fábrica de Cretinos Digitais: os perigos das telas para nossas crianças. Michel Desmurget. São Paulo: Vestígio, 2023. ** Falck RS et al. What is the association between behaviour and cognitive function? A systematic review. British Journal of Sports Medicine, 2017; 51.   Relator: Fernando MF OliveiraCoordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP</p>
<p>O post <a href="https://www.spsp.org.br/efeito-mateus/">Efeito Mateus</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.spsp.org.br">SPSP</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-Efeito-Mateus-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-Efeito-Mateus-150x150.jpeg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2024/08/Imagem-Efeito-Mateus-75x75.jpeg 75w" sizes="auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p style="text-align: justify;">“Sai da frente da TV e vai ver o céu, menino”, conclamava a vovó, incomodada com o tempo que o netinho estava parado diante de uma tela.  Ah! A vovó não aceitava que o neto ficasse “sem gastar energia”, “sem interagir com a natureza”, “sem brincar com os amigos”. Desconfiava que tinha alguma coisa errada: “tem caroço nesse angu”.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje, o caroço nesse angu tem o nome de ‘Efeito Mateus’.</p>
<p style="text-align: justify;">O &#8220;Efeito Mateus&#8221; é um fenômeno observado em estatísticas e análises econômicas, que descreve como as diferenças e desequilíbrios tendem a se ampliar durante períodos de crescimento econômico ou recuperação após uma crise.</p>
<p style="text-align: justify;">O termo deriva de uma passagem do Novo Testamento da Bíblia cristã, no Evangelho de Mateus, onde Jesus diz: &#8220;Pois a quem tem, mais será dado, e terá em abundância. Mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado&#8221;. Essa passagem é frequentemente interpretada como uma reflexão sobre a dinâmica das desigualdades sociais. Em períodos de crescimento econômico as desigualdades podem se agravar, perpetuando um ciclo sem fim e aumentando as disparidades sociais.</p>
<p style="text-align: justify;">Michel Desmurget* aplica esse conceito ao analisar a importância dos efeitos negativos no desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças, em especial na idade entre 0 e 6 anos, causados pela exposição inadequada às telas. Nessa faixa etária ocorre um enorme crescimento do tecido neural, extraordinário na formação de sinapses, fundamentais para o processo de aprendizagem e memorização.</p>
<p style="text-align: justify;">A analogia se estabelece ao afirmar que o comprometimento do crescimento e maturação desse sistema, nessa faixa etária, determina um patamar para aquisições futuras aquém do que poderia ter sido estabelecido. Portanto, quaisquer fatores que interfiram nesse desenvolvimento, sequestram oportunidades, são “ladrões de tempo oportuno e insubstituível”.</p>
<p style="text-align: justify;">As telas são descritas como as “grandes vilãs” quanto ao uso desse bem primordial e essencial – o tempo. Elas competem, nas 24 horas do dia, com <strong>outras utilizações melhores e mais saudáveis para o desenvolvimento infantil. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Esse é o ponto.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">É uma falácia bastante disseminada que uma criança que é estimulada ao uso precoce das diversas mídias terá uma performance melhor em sua vida futura, tanto acadêmica, quanto profissional. Podemos afirmar, sem risco de errar, que essa melhora, por exemplo com o treinamento continuado nos <em>videogames</em>, produz apenas melhores jogadores de videogames, sem repercutir em outras habilidades.</p>
<p style="text-align: justify;">O que é essencial é a qualidade dos estímulos recebidos por uma criança. Nenhum programa de TV, como Vila Sésamo, <em>Peppa Pig</em> ou equivalente, será um estímulo melhor do que a criança brincar com jogos de encaixar, multicoloridos, contando com a interação de um adulto que as supervisione.</p>
<p style="text-align: justify;">É a tese do livro de Michel Desmurget: “As crianças precisam que falemos com elas, leiamos histórias para elas, que ganhem e leiam livros. Elas precisam se “entediar”, “ter tempo para não fazer nada”, brincar, montar quebra-cabeças, construir casas com blocos, correr, pular, cantar. Elas necessitam desenhar, praticar atividades físicas, ouvir músicas, tocar instrumentos, etc. Todas essas atividades (e muitas outras semelhantes) constroem seu cérebro de forma mais segura e eficaz do que qualquer tela recreativa. Dito de outra maneira, a criança não se tornará um deficiente no mundo digital porque não foi exposta às telas durante os seis primeiros anos de sua vida. Ao contrário. O que ela desenvolverá longe das telas a ajudará a melhor utilizar o que o digital pode oferecer de positivo”.</p>
<p style="text-align: justify;">Há os que subestimam, ou não acreditam nisso. Resgato, como alerta, uma frase veiculada pela Academia Americana de Pediatria: “Se não sabemos que algo é bom e há razões para acreditar que é mau, por que fazê-lo?” (**)</p>
<p style="text-align: justify;">Listo para terminar, os principais problemas médicos, relacionados com a exposição inadequada às telas, que podem afetar a saúde das crianças e adolescentes:</p>
<ul style="text-align: justify;">
<li>Dependência digital e uso problemático das mídias interativas;</li>
<li>Problemas de saúde mental: irritabilidade, ansiedade e depressão;</li>
<li>Transtornos do déficit de atenção e hiperatividade;</li>
<li>Transtornos do sono;</li>
<li>Transtornos de alimentação: sobrepeso/obesidade e anorexia/bulimia;</li>
<li>Sedentarismo e falta da prática de exercícios;</li>
<li><em>Bullying &amp; cyberbullying</em>;</li>
<li>Transtornos da imagem corporal e da autoestima;</li>
<li>Riscos da sexualidade, nudez, <em>sexting</em>, abuso sexual, estupro virtual;</li>
<li>Comportamentos autolesivos, indução e riscos de suicídio;</li>
<li>Aumento da violência, abusos e fatalidades;</li>
<li>Problemas visuais, miopia e síndrome visual do computador;</li>
<li>Problemas auditivos e PAIR (perda auditiva induzida pelo ruído);</li>
<li>Transtornos posturais e musculoesqueléticos;</li>
<li>Uso de nicotina, <em>vaping</em>, bebidas alcoólicas, maconha, anabolizantes e outras drogas.</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Saiba mais:</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">* A Fábrica de Cretinos Digitais: os perigos das telas para nossas crianças. Michel Desmurget. São Paulo: Vestígio, 2023.</p>
<p style="text-align: justify;">** Falck RS et al. What is the association between behaviour and cognitive function? A systematic review. British Journal of Sports Medicine, 2017; 51.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Relator:</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fernando MF Oliveira<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP</strong></p>
<p>O post <a href="https://www.spsp.org.br/efeito-mateus/">Efeito Mateus</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.spsp.org.br">SPSP</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>23 de setembro &#8211; Dia dos Filhos</title>
		<link>https://www.spsp.org.br/23-de-setembro-dia-dos-filhos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fabio Teófilo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Sep 2022 14:58:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Vovó dizia]]></category>
		<category><![CDATA[crianças]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[filhos]]></category>
		<category><![CDATA[Gerúndio]]></category>
		<category><![CDATA[Pais]]></category>
		<category><![CDATA[spsp]]></category>
		<category><![CDATA[Vovó]]></category>
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					<description><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-Dia-do-Filho-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-Dia-do-Filho-150x150.jpg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-Dia-do-Filho-75x75.jpg 75w" sizes="auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p>A vida acontece no gerúndio, diria a vovó! Vou estar explicando! Ops!! Perdão, isso é um exemplo de “gerundismo”, do mau uso do gerúndio. Devemos esse modismo, provavelmente, aos que trabalham em telemarketing, que incorporaram em nossa gramática uma construção da língua inglesa. Explico, então&#8230; Gerúndio é uma das formas nominais do verbo. É formado pelo sufixo NDO, como em acontecendo. Deve ser usado quando se quer expressar uma ideia ou ação que ocorre no momento. Se já aconteceu é passado. Se acontecerá é futuro. Quando estiver acontecendo, o futuro vira presente. A vida é assim. No momento ela existe; ontem foi, amanhã ainda não é. A vida é feita de muitos presentes que se sucedem. E qual é o problema? É você não viver o presente – aquele momento único que não volta, nem se repete. Por isso, no corre-corre da vida, corremos o risco de não vivê-la em plenitude e em qualidade. Isso é muito mais dramático quando pensamos na criação de filhos. Essas “criaturas” crescem, desenvolvem-se, impulsionadas pela própria genética, com um jeito peculiar e único, influenciadas pelo ambiente, pela família, pela oferta de alimentos e estímulos, pelas oportunidades de vivenciarem cenários de aprendizagem e criatividade. O fato é que eles vão crescendo sem pedir licença à vida. O crescimento e desenvolvimento das crianças se dá num grande gerúndio existencial, não como um acontecimento sem fim, mas que se dá no agora. É preciso viver a vida no presente, especialmente com os filhos. Não é possível rebobinar esse filme. Dia dos filhos parece ser todos os dias na perspectiva dos pais, pois eles não deixam de nos alegrar, de nos preocupar e exaurir. Dicotomia, lindamente expressa pelo nosso “poetinha”*. Parece que vivemos em função deles e trabalhamos para dar-lhes o melhor. Há verdade nesse pensamento! Entretanto, não podemos confundir algumas coisas: ao nos tornarmos pai e mãe assumimos uma responsabilidade inerente à paternidade/maternidade, a de prover cuidado, diversão, proteção, zelo, educação, afeto, entre outros. Não cumprir ou fugir desse compromisso é, objetivamente, cometer um erro. O outro lado da moeda é o que os filhos esperam dos pais: a presença, o “tempo com”, o estar junto, quando estiverem juntos. Esse tempo não é, necessariamente, medido em minutos. Mede-se pela intensidade e pela entrega. “Filhos, filhos? / Melhor não tê-los! / Mas se não os temos / como sabê-los? (&#8230;) Porém, que coisa/ Que coisa louca/ Que coisa linda/ Que os filhos são!”* No Dia dos Filhos, um lembrete da vovó para os pais: é tempo de viver (no gerúndio) com eles.  “Aprendemos a ser filhos depois que somos pais. Só aprendemos a ser pais depois que somos avós”.**   * Poema Enjoadinho. Vinicius de Moraes **Antes que eles cresçam. Affonso Romano de Sant’Anna   Relator:Fernando MF OliveiraCoordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP  Foto: @wavebreakmedia_micro / www.freepik.com</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-Dia-do-Filho-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-Dia-do-Filho-150x150.jpg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-Dia-do-Filho-75x75.jpg 75w" sizes="auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p>A vida acontece no gerúndio, diria a vovó!</p>
<p style="text-align: justify;">Vou estar explicando! Ops!! Perdão, isso é um exemplo de “gerundismo”, do mau uso do gerúndio. Devemos esse modismo, provavelmente, aos que trabalham em <em>telemarketing</em>, que incorporaram em nossa gramática uma construção da língua inglesa.</p>
<p>Explico, então&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Gerúndio é uma das formas nominais do verbo. É formado pelo sufixo NDO, como em acontecendo. Deve ser usado quando se quer expressar uma ideia ou ação que ocorre no momento. Se já aconteceu é passado. Se acontecerá é futuro. Quando estiver acontecendo, o futuro vira presente.</p>
<p style="text-align: justify;">A vida é assim. No momento ela existe; ontem foi, amanhã ainda não é. A vida é feita de muitos presentes que se sucedem. E qual é o problema? É você não viver o presente – aquele momento único que não volta, nem se repete. Por isso, no corre-corre da vida, corremos o risco de não vivê-la em plenitude e em qualidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso é muito mais dramático quando pensamos na criação de filhos. Essas “criaturas” crescem, desenvolvem-se, impulsionadas pela própria genética, com um jeito peculiar e único, influenciadas pelo ambiente, pela família, pela oferta de alimentos e estímulos, pelas oportunidades de vivenciarem cenários de aprendizagem e criatividade. O fato é que eles vão crescendo sem pedir licença à vida. O crescimento e desenvolvimento das crianças se dá num grande gerúndio existencial, não como um acontecimento sem fim, mas que se dá no agora.</p>
<p>É preciso viver a vida no presente, especialmente com os filhos. Não é possível rebobinar esse filme.</p>
<p style="text-align: justify;">Dia dos filhos parece ser todos os dias na perspectiva dos pais, pois eles não deixam de nos alegrar, de nos preocupar e exaurir. Dicotomia, lindamente expressa pelo nosso “poetinha”*. Parece que vivemos em função deles e trabalhamos para dar-lhes o melhor. Há verdade nesse pensamento! Entretanto, não podemos confundir algumas coisas: ao nos tornarmos pai e mãe assumimos uma responsabilidade inerente à paternidade/maternidade, a de prover cuidado, diversão, proteção, zelo, educação, afeto, entre outros. Não cumprir ou fugir desse compromisso é, objetivamente, cometer um erro. O outro lado da moeda é o que os filhos esperam dos pais: a presença, o “tempo com”, o estar junto, quando estiverem juntos. Esse tempo não é, necessariamente, medido em minutos. Mede-se pela intensidade e pela entrega.</p>
<p style="text-align: justify;">“Filhos, filhos? / Melhor não tê-los! / Mas se não os temos / como sabê-los? (&#8230;) Porém, que coisa/ Que coisa louca/ Que coisa linda/ Que os filhos são!”*</p>
<p>No Dia dos Filhos, um lembrete da vovó para os pais: é tempo de viver (no gerúndio) com eles.</p>
<p> “Aprendemos a ser filhos depois que somos pais. Só aprendemos a ser pais depois que somos avós”.**</p>
<p> </p>
<p>* <a href="https://www.letras.mus.br/vinicius-de-moraes/86964">Poema Enjoadinho. Vinicius de Moraes</a></p>
<p>**<a href="https://www.italiamiga.com.br/artecultura/artigos/para_quem_e_pai.htm">Antes que eles cresçam. Affonso Romano de Sant’Anna</a></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Relator:<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Fernando MF Oliveira<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP</strong></p>
<p><strong> </strong><strong>Foto: @<a href="https://www.freepik.com/author/wavebreakmedia-micro">wavebreakmedia_micro</a> / www.freepik.com</strong></p>
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		<title>A liturgia do cargo</title>
		<link>https://www.spsp.org.br/a-liturgia-do-cargo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fabio Teófilo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Sep 2022 18:32:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Vovó dizia]]></category>
		<category><![CDATA[Liturgia]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Símbolos Nacionais]]></category>
		<category><![CDATA[spsp]]></category>
		<category><![CDATA[Vovó]]></category>
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					<description><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-Liturgia-1024x683-1-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-Liturgia-1024x683-1-150x150.jpg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2022/09/Imagem-Liturgia-1024x683-1-75x75.jpg 75w" sizes="auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p>Saiu na mídia: “A primeira-ministra mais jovem da Europa enfrentou (08/2022) uma crise de imagem após o vazamento de um vídeo em que ela é vista dançando e cantando animada em uma festa em sua residência. A gravação foi publicada em uma rede social. À beira das lágrimas, com a voz trêmula, durante um ato organizado por seu partido, disse: &#8220;Sou um ser humano. Às vezes também busco alegria, luz e prazer em meio a essas nuvens escuras&#8221;. Acrescentou: &#8220;Isso é algo privado, é alegria e vida&#8221;, declarou ela, com os olhos marejados. &#8220;Mas eu não faltei um único dia de trabalho&#8221;. Para &#8220;dissipar qualquer suspeita&#8221; de uso de drogas, fez um exame toxicológico, que deu negativo. &#8220;Quero acreditar que as pessoas observam o que fazemos enquanto trabalhamos e não o que fazemos em nosso tempo livre&#8221;, declarou admitindo que a semana foi &#8220;muito difícil&#8221;. O ex-primeiro-ministro inglês – aquele do penteado “desconstruído” – também foi punido publicamente pela festa particular que realizou em sua residência durante o período restritivo na pandemia, desrespeitando a própria recomendação que impunha à população naquele momento pandêmico – não ajuntar. Nestas notícias, fartamente veiculadas na imprensa, estampam-se o conflito entre a vida pública e a vida particular, o direito à privacidade de todo e qualquer cidadão, o perigo da exposição nas mídias sociais da intimidade, a notícia como fonte de venda para a promoção pessoal ou institucional de terceiros, o julgamento moral. Do outro lado desse ringue está uma pessoa que foi à “lona”. Acusou o golpe, com dor e sofrimento. A política mulher naquele momento foi julgada não como política, mas como pessoa; não por suas atitudes no cargo, mas pelas suas atitudes como indivíduo. Esse é o dilema da pessoa pública, em que a vida pessoal não se distancia da vida pública, o cargo é uma verdadeira tatuagem que não sai da sua pele. Cargos públicos, ou não, têm uma conotação simbólica associada aos mesmos. A vovó, muito curiosa, diz para os seus netinhos, comentando a notícia da ministra, em particular: &#8211; “Ah! meus queridos &#8230; é a liturgia do cargo”. &#8211; “Que coisa é essa vovó, liturgia*?” &#8211; “É o cerimonial, é o ritual, é o que a pessoa deve aparentar no exercício de um cargo ou de uma função. É uma linguagem religiosa, meus netinhos. &#8211; Que papo mais careta, vó! A mulher tem o direito de fazer o que ela quer em sua casa. &#8211; Tem coisas que são complicadas. Aí, &#8220;não basta ser, tem que parecer&#8221;. &#8211; “Vó, dá pra mudar de assunto?”. Em 18 de setembro é comemorado o “Dia dos Símbolos Nacionais”. Um símbolo, grosso modo, é algo que evoca a presença de outra pessoa ou de algo &#8211; é como se fosse um substituto daquela pessoa ou daquele algo. Assim, os símbolos nacionais, como a bandeira ou o hino nacional, remetem-nos àquilo que chamamos de pátria, e com quem nos identificamos com senso de pertencimento. O fato é que os símbolos nacionais estão em baixa. No tempo da vovó se hasteava a bandeira nacional nos pátios das escolas toda semana. Nas aulas de canto se aprendiam os hinos pátrios: Nacional, da Bandeira, Nove de Julho, da Proclamação da República, do Estado de São Paulo. Tempo em que os alunos se levantavam das carteiras e ficavam em pé quando o professor entrava na sala de aula. Tempo de respeito a determinados valores, determinados cargos, de respeito à hierarquia. Hoje somos mais liberais. Parece que não se dá muita bola para tudo isso. Quando se toca o hino nacional nos estádios de futebol, ninguém ouve, pois os cânticos dos hinos das torcidas ecoam, simultaneamente, mais altos. Nem o minuto de silêncio em homenagem póstuma é respeitado – não dura um minuto, muito menos gera silêncio. Qual a importância prática desses símbolos e dessas “liturgias” para uma nação, neste século XXI? O assunto é mais complexo do que parece. Na resposta se questiona autoridade, o conceito de desenvolvimento dos povos, a distribuição geopolítica da humanidade, o sistema de distribuição de riquezas e muito mais. O enfraquecimento desses símbolos é um dos mecanismos disruptivos, de crítica social, que caracteriza o início deste século. Ao ouvir um hino pátrio, pelo contemplar de uma bandeira, arregimentam-se pessoas e movem-se sentimentos. Em época de “copa do mundo de futebol” esse fenômeno explode. Há poder nesses símbolos. Ao mesmo tempo que nos unem, também nos separam de outros ao nos tornar únicos – somos os habitantes daquele solo e, no nosso caso, habitantes do Brasil. O não cumprimento da liturgia do cargo pode ofender. Não esperamos que nossos líderes sejam destemperados, falem errado nosso idioma, não saibam se comportar à mesa (gastronômica ou de conversação). A liturgia do cargo significa cumprir a representação que é delegada de capacidade, honestidade, seriedade, responsabilidade. (*) O vocábulo &#8220;Liturgia&#8220;, em grego, formado pelas raízes leit- (de &#8220;laós&#8221;, povo) e -urgía (trabalho, ofício) significa serviço ou trabalho público. Por extensão de sentido, passou a significar também, no mundo grego, o ofício religioso, na medida em que a religião no mundo antigo tinha um caráter eminentemente público. (Wikipédia)   Relator:Fernando MF OliveiraCoordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP   Foto: @yanadjana / br.freepik.com</p>
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<p style="text-align: justify;">Saiu na mídia: <em>“A primeira-ministra mais jovem da Europa enfrentou (08/2022) uma crise de imagem após o vazamento de um vídeo em que ela é vista dançando e cantando animada em uma festa em sua residência. A gravação foi publicada em uma rede social. À beira das lágrimas, com a voz trêmula, durante um ato organizado por seu partido, disse: &#8220;Sou um ser humano. Às vezes também busco alegria, luz e prazer em meio a essas nuvens escuras&#8221;. Acrescentou: &#8220;Isso é algo privado, é alegria e vida&#8221;, declarou ela, com os olhos marejados. &#8220;Mas eu não faltei um único dia de trabalho&#8221;. Para &#8220;dissipar qualquer suspeita&#8221; de uso de drogas, fez um exame toxicológico, que deu negativo. &#8220;Quero acreditar que as pessoas observam o que fazemos enquanto trabalhamos e não o que fazemos em nosso tempo livre&#8221;, declarou admitindo que a semana foi &#8220;muito difícil&#8221;. </em></p>
<p style="text-align: justify;">O ex-primeiro-ministro inglês – aquele do penteado “desconstruído” – também foi punido publicamente pela festa particular que realizou em sua residência durante o período restritivo na pandemia, desrespeitando a própria recomendação que impunha à população naquele momento pandêmico – não ajuntar.</p>
<p style="text-align: justify;">Nestas notícias, fartamente veiculadas na imprensa, estampam-se o conflito entre a vida pública e a vida particular, o direito à privacidade de todo e qualquer cidadão, o perigo da exposição nas mídias sociais da intimidade, a notícia como fonte de venda para a promoção pessoal ou institucional de terceiros, o julgamento moral.</p>
<p style="text-align: justify;">Do outro lado desse ringue está uma pessoa que foi à “lona”. Acusou o golpe, com dor e sofrimento. A política mulher naquele momento foi julgada não como política, mas como pessoa; não por suas atitudes no cargo, mas pelas suas atitudes como indivíduo. Esse é o dilema da pessoa pública, em que a vida pessoal não se distancia da vida pública, o cargo é uma verdadeira tatuagem que não sai da sua pele. Cargos públicos, ou não, têm uma conotação simbólica associada aos mesmos.</p>
<p style="text-align: justify;">A vovó, muito curiosa, diz para os seus netinhos, comentando a notícia da ministra, em particular:</p>
<p style="text-align: justify;">&#8211; “Ah! meus queridos &#8230; é a liturgia do cargo”.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8211; “Que coisa é essa vovó, liturgia*?”</p>
<p style="text-align: justify;">&#8211; “É o cerimonial, é o ritual, é o que a pessoa deve aparentar no exercício de um cargo ou de uma função. É uma linguagem religiosa, meus netinhos.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8211; Que papo mais careta, vó! A mulher tem o direito de fazer o que ela quer em sua casa.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8211; Tem coisas que são complicadas. Aí, &#8220;não basta ser, tem que parecer&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8211; “Vó, dá pra mudar de assunto?”.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 18 de setembro é comemorado o “Dia dos Símbolos Nacionais”.</p>
<p style="text-align: justify;">Um símbolo, grosso modo, é algo que evoca a presença de outra pessoa ou de algo &#8211; é como se fosse um substituto daquela pessoa ou daquele algo. Assim, os símbolos nacionais, como a bandeira ou o hino nacional, remetem-nos àquilo que chamamos de pátria, e com quem nos identificamos com senso de pertencimento.</p>
<p style="text-align: justify;">O fato é que os símbolos nacionais estão em baixa. No tempo da vovó se hasteava a bandeira nacional nos pátios das escolas toda semana. Nas aulas de canto se aprendiam os hinos pátrios: Nacional, da Bandeira, Nove de Julho, da Proclamação da República, do Estado de São Paulo. Tempo em que os alunos se levantavam das carteiras e ficavam em pé quando o professor entrava na sala de aula. Tempo de respeito a determinados valores, determinados cargos, de respeito à hierarquia.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje somos mais liberais. Parece que não se dá muita bola para tudo isso. Quando se toca o hino nacional nos estádios de futebol, ninguém ouve, pois os cânticos dos hinos das torcidas ecoam, simultaneamente, mais altos. Nem o minuto de silêncio em homenagem póstuma é respeitado – não dura um minuto, muito menos gera silêncio.</p>
<p style="text-align: justify;">Qual a importância prática desses símbolos e dessas “liturgias” para uma nação, neste século XXI? O assunto é mais complexo do que parece. Na resposta se questiona autoridade, o conceito de desenvolvimento dos povos, a distribuição geopolítica da humanidade, o sistema de distribuição de riquezas e muito mais. O enfraquecimento desses símbolos é um dos mecanismos disruptivos, de crítica social, que caracteriza o início deste século. Ao ouvir um hino pátrio, pelo contemplar de uma bandeira, arregimentam-se pessoas e movem-se sentimentos. Em época de “copa do mundo de futebol” esse fenômeno explode. Há poder nesses símbolos. Ao mesmo tempo que nos unem, também nos separam de outros ao nos tornar únicos – somos os habitantes daquele solo e, no nosso caso, habitantes do Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;">O não cumprimento da liturgia do cargo pode ofender. Não esperamos que nossos líderes sejam destemperados, falem errado nosso idioma, não saibam se comportar à mesa (gastronômica ou de conversação). A liturgia do cargo significa cumprir a representação que é delegada de capacidade, honestidade, seriedade, responsabilidade.</p>
<p style="text-align: justify;">(*) O vocábulo &#8220;<em>Liturgia</em>&#8220;, em <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Grego">grego</a>, formado pelas raízes leit- (de &#8220;laós&#8221;, povo) e -urgía (trabalho, ofício) significa serviço ou trabalho público. Por extensão de sentido, passou a significar também, no mundo grego, o ofício religioso, na medida em que a religião no mundo antigo tinha um caráter eminentemente público. (Wikipédia)</p>
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<p style="text-align: justify;"><strong>Relator:<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Fernando MF Oliveira<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP</strong></p>
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<p style="text-align: justify;"><strong>Foto: @<a href="https://br.freepik.com/autor/yanadjana">yanadjana</a> / br.freepik.com</strong></p>
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