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	<title>Arquivos Winnicott - SPSP</title>
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	<description>Sociedade de Pediatria de São Paulo</description>
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	<title>Arquivos Winnicott - SPSP</title>
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		<title>O brincar como essência da infância &#8211; e da vida</title>
		<link>https://www.spsp.org.br/o-brincar-como-essencia-da-infancia-e-da-vida/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fabio Teófilo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 May 2025 11:10:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Crescimento e desenvolvimento]]></category>
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					<description><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/05/Imagem-Dia-Internacional-do-Brincar-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/05/Imagem-Dia-Internacional-do-Brincar-150x150.jpg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/05/Imagem-Dia-Internacional-do-Brincar-75x75.jpg 75w" sizes="(max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p>“A infância é um chão sobre o qual caminharemos o resto de nossos dias” Lya Luft  28 de maio é o Dia Internacional do Brincar. Quando falamos sobre o desenvolvimento</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/05/Imagem-Dia-Internacional-do-Brincar-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/05/Imagem-Dia-Internacional-do-Brincar-150x150.jpg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/05/Imagem-Dia-Internacional-do-Brincar-75x75.jpg 75w" sizes="(max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p style="text-align: right;"><em>“A infância é um chão sobre o qual caminharemos o resto de nossos dias”</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Lya Luft</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em>28 de maio é o Dia Internacional do Brincar. Quando falamos sobre o desenvolvimento saudável das crianças, uma palavra se impõe com força e leveza ao mesmo tempo: brincar. Mais do que um passatempo, o brincar é linguagem, é afeto, é descoberta. Ele está presente desde os primeiros dias de vida &#8211; no sorriso que provoca o balbucio do bebê, na exploração das mãos, no esconder e aparecer do rosto etc. Cresce com a criança, transforma-se com ela e a acompanha até a vida adulta, ainda que em novas formas e “roupagens”.</p>
<p style="text-align: justify;">Do ponto de vista da psicologia do desenvolvimento, nomes como Jean Piaget, Lev Vygotsky e Donald Winnicott ajudaram a consolidar a ideia de que o brincar não é apenas reflexo do desenvolvimento, mas também um motor fundamental para que ele aconteça. Piaget via no jogo simbólico uma forma de construção do pensamento. Vygotsky destacava a importância do faz-de-conta como espaço de criação de sentido e mediação cultural. Já Winnicott nos presenteou com a noção de &#8220;espaço potencial&#8221;, um território de transição entre o mundo interno e o mundo real, acessado justamente por meio do brincar.</p>
<p style="text-align: justify;">Do olhar da educação, o brincar é campo de aprendizagem rica e espontânea. Crianças aprendem regras, limites, cooperação, criatividade e resiliência ao brincar &#8211; aspectos que nenhuma tela é capaz de transmitir com a mesma intensidade. Quando uma criança constrói com blocos, negocia papéis em uma brincadeira de faz-de-conta ou se equilibra em um tronco no parque, ela está desafiando a si mesma, desenvolvendo habilidades cognitivas, sociais e motoras. Aprendendo a viver em sociedade.</p>
<p style="text-align: justify;">Num mundo cada vez mais digital, é urgente lembrar que brincar é também um antídoto. O excesso de telas tem se mostrado nocivo ao desenvolvimento infantil, afetando sono, atenção, linguagem e saúde emocional. Ao incentivar o brincar livre &#8211; dentro e fora de casa, com adultos ou com outras crianças &#8211; estamos não apenas resgatando a infância, mas oferecendo uma poderosa alternativa para reduzir o tempo de exposição às telas.</p>
<p style="text-align: justify;">É papel de todos nós &#8211; pais, pediatras, educadores e profissionais da saúde – proteger esse tempo sagrado do brincar. Isso não exige brinquedos caros nem espaços sofisticados. Brincar pode ser inventar uma história com panos e almofadas, pular corda, criar uma cabana com cadeiras e lençóis ou simplesmente correr descalço no quintal. Mais do que o objeto, é o vínculo, o tempo disponível e o ambiente seguro que fazem do brincar uma experiência transformadora.</p>
<p style="text-align: justify;">O brincar não se esgota na infância. Ele reaparece nas brincadeiras entre adolescentes, nos jogos de tabuleiro em família, no teatro, na música, nas expressões lúdicas da vida adulta. Manter viva essa dimensão do brincar é preservar o que há de mais humano em nós: a capacidade de criar, imaginar e se relacionar de forma genuína.</p>
<p style="text-align: justify;">Em tempos de pressa, agendas cheias e estímulos digitais por todos os lados, brincar é também um ato de resistência, de permitir-se estar presente, de olhar nos olhos, de rir junto, de aprender com o outro.</p>
<p style="text-align: justify;">E para a criança, isso não é um luxo. É uma necessidade.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Relator:</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fernando Lamano Ferreira<br /></strong><strong style="font-size: revert; color: initial;">Presidente do Núcleo de Estudos de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo</strong></p>


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			</item>
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		<title>Tudo começa em casa</title>
		<link>https://www.spsp.org.br/tudo-comeca-em-casa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fabio Teófilo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 May 2024 18:05:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Crescimento e desenvolvimento]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Bebê]]></category>
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		<category><![CDATA[depressão]]></category>
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		<category><![CDATA[Vida]]></category>
		<category><![CDATA[Winnicott]]></category>
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					<description><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2024/05/Imagem-Dia-da-Familia1-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2024/05/Imagem-Dia-da-Familia1-150x150.jpg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2024/05/Imagem-Dia-da-Familia1-75x75.jpg 75w" sizes="(max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div>
<p>O título deste breve texto em comemoração ao Dia Internacional da Família, celebrado em 15 de maio, é uma homenagem ao pediatra e psicanalista Donald Winnicott. Seu legado contém inúmeras publicações sobre a importância que a família tem no processo de amadurecimento de um indivíduo, incluindo o livro homônimo Tudo começa em casa. 1 Para esse importante autor, a família é a base estruturante da condição de um indivíduo se tornar uma pessoa, com condições plenas de se socializar e manter relações de respeito e consideração com um outro. Em sua teoria do desenvolvimento emocional primitivo, o bebê nasce em um estado físico e psíquico de absoluta dependência, sem nenhuma condição de sobrevivência sem que um adulto totalmente disponível possa se ocupar de seus cuidados essenciais. O bebê, nesse primeiro estágio, experimenta a sensação de estar aos pedaços, como se seu corpo não fosse uma unidade. A angústia é de desamparo e somente os braços de um cuidador que possa se identificar com suas necessidades, vai permitir que ele viva a experiência de estar contido por uma pele. Em geral é a mãe quem ocupa essa função e se dedica plenamente ao bebê durante os primeiros meses de vida. Ela precisa estar muito perto e atenta, numa relação quase fusional, tal a adaptação que estabelece com ele, que inclui um estado de regressão aos seus próprios registros inconscientes de ter sido um bebê. De acordo com Winnicott, a mãe no último mês de gestação e durante o puerpério adquire uma condição especial para essa função, a preocupação materna primária, que é um estado de regressão e identificação com o bebê, quase como uma “doença”. Uma doença saudável de mães saudáveis. Porém, se a mãe ocupa um lugar protagonista junto ao bebê, só pode exercer plenamente essa função e entrar nesse estado mental primitivo se houver um suporte que a sustente também. É essa a tarefa do pai ou de alguém que ocupe esse lugar de função paterna. Refiro-me à função de guardião do ambiente mãe-bebê, para que ele tenha um mínimo de desconfortos. O estado emocional do bebê é de extrema fragilidade e não pode sofrer grandes abalos, que nessa fase representam ameaças à sua existência psíquica. Portanto, esse terceiro, que é o pai ou substituto, precisa cuidar do ambiente e do suprimento para quem se ocupa do bebê na função mãe. Toda essa configuração vai mudando à medida que o bebê cresce e vai adquirindo condições mais estruturadas de lidar com desconfortos, dores, frustrações e, principalmente, com a ausência gradativa da mãe. Essa mudança de etapa e readaptação do ambiente familiar às novas necessidades do bebê é o que vai construindo a condição para o indivíduo se desenvolver plenamente e alcançar o estágio de independência. Na primeira infância, independência significa autonomias básicas de andar, comer, dormir em seu quarto e cama, separar-se dos pais por períodos maiores. A mesma estrutura desse modelo que vemos durante os dois primeiros anos de vida da criança vai se repetir ao longo de sua vida e permitir que na idade adulta esse filho possa sair de casa e construir sua própria vida adulta e uma nova família. A família é a base e o modelo fundamental para que cada indivíduo seja um “sujeito”, com plenas condições de se relacionar com seus grupos e desenvolver relações de intimidade. Quando algo não vai bem nas relações familiares, há um comprometimento nessas condições de desenvolvimento das crianças, complicando também seus futuros descendentes. É a estabilidade familiar que oferece o continente seguro para a saúde de seus membros. Isso não significa que não existam conflitos, que são parte de uma vida saudável. Nos conflitos familiares, a criança e o adolescente aprendem a se relacionar e desenvolver ferramentas de articulação com um outro. É preciso aprender a lidar com frustrações, ceder, negociar, atender às demandas da realidade e não apenas das expectativas pessoais. Adultos saudáveis e responsáveis podem ser os pilares de uma organização familiar que favoreça o desenvolvimento contínuo de seus membros. O grupo familiar então serve de base para as relações nos grupos mais amplos da sociedade. Conhecemos algumas das razões que fazem essa longa e exigente tarefa – o trabalho dos pais de compreender os filhos – valer a pena! E, de fato, acreditamos que esse trabalho provê a única base real para a sociedade, sendo o único fator para a tendência democrática do sistema social de um país.2 (Winnicott, 1986 – pág. 98) A vivência dos conflitos familiares oferece a possibilidade de lidar internamente com emoções intensas e transbordantes em um ambiente seguro e amoroso. Para tanto, é fundamental que os pais possam ser capazes de sustentar as leis que organizam o convívio grupal e ajudar os filhos na experiência da frustração que deriva dos limites que a realidade impõe aos desejos individuais. Atualmente há um equívoco no que tange à educação dos filhos, que é a ideia de que os pais devam buscar um mínimo de incômodo aos filhos, evitando a todo custo expressões de tristeza, dor, raiva, tomadas como emoções “negativas”. Com essa premissa, temos cada vez mais crianças e jovens que não desenvolvem condições de lidar com a realidade e seus infortúnios. Isso pode gerar um sentimento de vazio e impotência, contribuindo para várias patologias, como a depressão, que pode até levar ao suicídio. A depressão não é necessariamente negativa, como muito bem desenvolveu Winnicott em seu artigo O valor da depressão. Paradoxalmente, esse estado pode ser a condição de um processo de desenvolvimento, desde que possa ser vivido e superado dentro de um ambiente que acolha e suporte as dores que nele estão contidas. A família é uma referência para isso. Se a pessoa que sofre pode contar com um sentimento amoroso de sustentação, a depressão pode evoluir para um processo de cura, como afirmou Winnicott.3 Muito poderia ser ainda desenvolvido sobre o valor da estrutura familiar para o desenvolvimento saudável de uma pessoa, mas o assunto de tão rico e vasto não pode se esgotar em tão poucas...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div><img width="150" height="150" src="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2024/05/Imagem-Dia-da-Familia1-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" style="margin-bottom: 15px;" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2024/05/Imagem-Dia-da-Familia1-150x150.jpg 150w, https://www.spsp.org.br/wp-content/uploads/2024/05/Imagem-Dia-da-Familia1-75x75.jpg 75w" sizes="auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px" /></div><p style="text-align: justify;">O título deste breve texto em comemoração ao Dia Internacional da Família, celebrado em 15 de maio, é uma homenagem ao pediatra e psicanalista Donald Winnicott. Seu legado contém inúmeras publicações sobre a importância que a família tem no processo de amadurecimento de um indivíduo, incluindo o livro homônimo <em>Tudo começa em casa.</em><sup> 1</sup></p>
<p style="text-align: justify;">Para esse importante autor, a família é a base estruturante da condição de um indivíduo se tornar uma pessoa, com condições plenas de se socializar e manter relações de respeito e consideração com um outro.</p>
<p style="text-align: justify;">Em sua teoria do <em>desenvolvimento emocional primitivo,</em> o bebê nasce em um estado físico e psíquico de absoluta dependência, sem nenhuma condição de sobrevivência sem que um adulto totalmente disponível possa se ocupar de seus cuidados essenciais. O bebê, nesse primeiro estágio, experimenta a sensação de estar aos pedaços, como se seu corpo não fosse uma unidade. A angústia é de desamparo e somente os braços de um cuidador que possa se identificar com suas necessidades, vai permitir que ele viva a experiência de estar contido por uma pele.</p>
<p style="text-align: justify;">Em geral é a mãe quem ocupa essa função e se dedica plenamente ao bebê durante os primeiros meses de vida. Ela precisa estar muito perto e atenta, numa relação quase fusional, tal a adaptação que estabelece com ele, que inclui um estado de regressão aos seus próprios registros inconscientes de ter sido um bebê.</p>
<p style="text-align: justify;">De acordo com Winnicott, a mãe no último mês de gestação e durante o puerpério adquire uma condição especial para essa função, a <em>preocupação materna primária</em>, que é um estado de regressão e identificação com o bebê, quase como uma “doença”. Uma doença saudável de mães saudáveis.</p>
<p style="text-align: justify;">Porém, se a mãe ocupa um lugar protagonista junto ao bebê, só pode exercer plenamente essa função e entrar nesse estado mental primitivo se houver um suporte que a sustente também. É essa a tarefa do pai ou de alguém que ocupe esse lugar de <em>função paterna.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Refiro-me à função de guardião do ambiente mãe-bebê, para que ele tenha um mínimo de desconfortos. O estado emocional do bebê é de extrema fragilidade e não pode sofrer grandes abalos, que nessa fase representam <em>ameaças à sua existência psíquica</em>. Portanto, esse terceiro, que é o pai ou substituto, precisa cuidar do ambiente e do suprimento para quem se ocupa do bebê na função mãe.</p>
<p style="text-align: justify;">Toda essa configuração vai mudando à medida que o bebê cresce e vai adquirindo condições mais estruturadas de lidar com desconfortos, dores, frustrações e, principalmente, com a ausência gradativa da mãe.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa mudança de etapa e readaptação do ambiente familiar às novas necessidades do bebê é o que vai construindo a condição para o indivíduo se desenvolver plenamente e alcançar o estágio de independência.</p>
<p style="text-align: justify;">Na primeira infância, independência significa autonomias básicas de andar, comer, dormir em seu quarto e cama, separar-se dos pais por períodos maiores.</p>
<p style="text-align: justify;">A mesma estrutura desse modelo que vemos durante os dois primeiros anos de vida da criança vai se repetir ao longo de sua vida e permitir que na idade adulta esse filho possa sair de casa e construir sua própria vida adulta e uma nova família.</p>
<p style="text-align: justify;">A família é a base e o modelo fundamental para que cada indivíduo seja um “sujeito”, com plenas condições de se relacionar com seus grupos e desenvolver relações de intimidade. Quando algo não vai bem nas relações familiares, há um comprometimento nessas condições de desenvolvimento das crianças, complicando também seus futuros descendentes.</p>
<p style="text-align: justify;">É a estabilidade familiar que oferece o continente seguro para a saúde de seus membros. Isso não significa que não existam conflitos, que são parte de uma vida saudável. Nos conflitos familiares, a criança e o adolescente aprendem a se relacionar e desenvolver ferramentas de articulação com um outro. É preciso aprender a lidar com frustrações, ceder, negociar, atender às demandas da realidade e não apenas das expectativas pessoais. Adultos saudáveis e responsáveis podem ser os pilares de uma organização familiar que favoreça o desenvolvimento contínuo de seus membros. O grupo familiar então serve de base para as relações nos grupos mais amplos da sociedade.</p>
<p style="text-align: justify;">Conhecemos algumas das razões que fazem essa longa e exigente tarefa – o trabalho dos pais de compreender os filhos – valer a pena! E, de fato, acreditamos que esse trabalho provê a única base real para a sociedade, sendo o único fator para a tendência democrática do sistema social de um país.<sup>2</sup> (Winnicott, 1986 – pág. 98)</p>
<p style="text-align: justify;">A vivência dos conflitos familiares oferece a possibilidade de lidar internamente com emoções intensas e transbordantes em um ambiente seguro e amoroso. Para tanto, é fundamental que os pais possam ser capazes de sustentar as leis que organizam o convívio grupal e ajudar os filhos na experiência da frustração que deriva dos limites que a realidade impõe aos desejos individuais.</p>
<p style="text-align: justify;">Atualmente há um equívoco no que tange à educação dos filhos, que é a ideia de que os pais devam buscar um mínimo de incômodo aos filhos, evitando a todo custo expressões de tristeza, dor, raiva, tomadas como emoções “negativas”. Com essa premissa, temos cada vez mais crianças e jovens que não desenvolvem condições de lidar com a realidade e seus infortúnios. Isso pode gerar um sentimento de vazio e impotência, contribuindo para várias patologias, como a depressão, que pode até levar ao suicídio.</p>
<p style="text-align: justify;">A depressão não é necessariamente negativa, como muito bem desenvolveu Winnicott em seu artigo <em>O valor da depressão. </em>Paradoxalmente, esse estado pode ser a condição de um processo de desenvolvimento, desde que possa ser vivido e superado dentro de um ambiente que acolha e suporte as dores que nele estão contidas. A família é uma referência para isso. Se a pessoa que sofre pode contar com um sentimento amoroso de sustentação, a depressão pode evoluir para um processo de cura, como afirmou Winnicott.<sup>3</sup></p>
<p style="text-align: justify;">Muito poderia ser ainda desenvolvido sobre o valor da estrutura familiar para o desenvolvimento saudável de uma pessoa, mas o assunto de tão rico e vasto não pode se esgotar em tão poucas linhas. Fica então a mensagem central dessa importância e o necessário olhar para que a sociedade contribua para o trabalho fundamental do qual cabe à família se ocupar.</p>
<p>Saiba mais:</p>
<ol>
<li>Winnicott D. Tudo começa em casa, 1996, Editora Martins Fontes.</li>
<li>Winnicott D. A contribuição da mãe para a sociedade. In: Tudo começa em casa, 1996, Editora Martins Fontes.</li>
<li>Winnicott D. O valor da depressão. In: Tudo começa em casa, 1996, Editora Martins Fontes.</li>
</ol>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Relatora:<br />
</strong><strong style="font-size: 1rem;">Denise de Sousa Feliciano<br />
</strong><strong style="font-size: 1rem;">Presidente do Núcleo de Estudos de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo</strong></p>
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