Nas últimas décadas, os avanços tecnológicos em engenharia clínica, técnicas cirúrgicas e ferramentas diagnósticas e terapêuticas, o uso da medicina de precisão, a formação de equipes multidisciplinares cada vez mais especializadas e diversas outras descobertas científicas transformaram a medicina moderna, revolucionaram os conceitos de diagnóstico precoce e tratamento avançado e mudaram o prognóstico de milhares de crianças ao redor do mundo.
Muitas condições, que antes eram conhecidas como fatais, são tratadas na atualidade não apenas para garantir que as crianças sobrevivam nos seus primeiros anos de vida, mas também para que elas possam crescer, estudar, brincar e planejar o futuro.
Prematuridade extrema, malformações congênitas, que muitas vezes precisam de correção cirúrgica logo após o nascimento ou ainda dentro do útero materno, cardiopatias complexas que necessitam de suporte de circulação sanguínea “fora” do corpo do paciente, doenças oncológicas como leucemias e linfomas, que hoje podem alcançar índices de cura superiores a 80%, transplantes de medula óssea ou de órgãos sólidos (inclusive com técnicas de transplante intervivos), pacientes graves em unidades de terapia intensiva, com suporte dialítico, portadores de doenças da hemoglobina, vítimas de acidentes graves, entre outras condições de extrema criticidade, possivelmente não teriam alcançado o sucesso terapêutico sem o auxílio de um recurso fruto de uma ação voluntária, altruísta e benevolente, conhecida por todos como DOAÇÃO DE SANGUE.
Em 14 de junho comemoramos o Dia Mundial do Doador de Sangue e não cansamos de agradecer a esse público, que apesar de ser menor que o esperado para mantermos os estoques adequados nos Bancos de Sangue, segue fazendo milagres por pessoas que, na grande maioria das vezes, nunca viram antes.
Menos de 2% da população nacional é doadora de sangue, quando o ideal sugerido pela Organização Mundial da Saúde seria entre 3%-5%, e sendo assim aproveitamos esta data para fazermos também um grande pedido: ajudem os Bancos de Sangue e Hemocentros da sua região a manterem os estoques de sangue seguros, principalmente em períodos de férias, festas, feriados prolongados, eventos comemorativos, como a Copa do Mundo, e até mesmo o friozinho nas regiões onde o inverno parece ter começado antes da hora. Nessas situações, o número de doadores diminui consideravelmente e o suporte ao paciente grave pode ficar comprometido.
Apesar do desenvolvimento de diversas técnicas, medicamentos e estratégias clínicas que podem auxiliar na redução da necessidade de transfusão em diversas situações, ainda não existem substitutos sintéticos equivalentes aos componentes sanguíneos, e em muitas ocasiões apenas a transfusão desses componentes é capaz de assegurar o transporte adequado de oxigênio para as células do corpo, a prevenção e o controle de distúrbios de coagulação, que podem resultar em sangramentos graves, levando inclusive ao óbito.
Se você é saudável, tem entre 16 e 69 anos (já tendo realizado sua primeira doação antes dos 60 anos e tendo autorização do seu responsável legal, caso tenha entre 16 e 18 anos) e tenha mais de 50 kg, você é um excelente candidato para se tornar um doador de sangue. Porém, se por algum motivo você não atenda aos critérios, mas é dono de um coração gigante, pronto para fazer o bem, você pode espalhar essa mensagem e convidar geral para tornar-se um doador e seguir conosco na missão de ajudar o próximo.
Relatora:
Paula Gracielle Guedes Granja
Hemoterapeuta e Hematologista Pediátrica do Hospital Vila Santa Catarina (Hospital Municipal Dr. Gilson de C. Marques de Carvalho)
Hematologista Pediátrica do Hospital SEPACO
Coordenadora Médica da Enfermaria de Transição de Cuidados em Pediatria do Instituto Perdizes – HC – FM – USP
Pediatra na Rede de Atenção Básica: Unidade Dr. José Toledo Piza, da Sociedade Brasileira Caminho de Damasco
Membro do Departamento Científico de Hematologia e Hemoterapia da SPSP
