Celebrado em 1º de julho, o Dia da Vacina BCG é uma oportunidade para lembrar a importância de uma das vacinas mais antigas e eficazes da história da saúde pública. Desenvolvida há mais de 100 anos pelos cientistas franceses Albert Calmette e Camille Guérin, a vacina BCG (abreviação de Bacilo de Calmette-Guérin) continua sendo uma ferramenta fundamental para reduzir complicações e salvar vidas, especialmente na infância.
Aplicada logo nos primeiros dias de vida, a BCG protege crianças contra as formas mais graves da tuberculose, uma doença infecciosa que ainda representa um importante desafio para a saúde em todo o mundo.
O que é a tuberculose?
A tuberculose é uma doença causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como bacilo de Koch. A transmissão ocorre pelo ar, por meio da eliminação de pequenas partículas liberadas quando uma pessoa com a doença pulmonar ativa tosse, fala ou espirra.
Embora afete principalmente os pulmões, a tuberculose pode atingir praticamente todos os órgãos e sistemas do corpo. Em crianças pequenas, a infecção pode evoluir para formas particularmente graves, como a meningite tuberculosa e a tuberculose miliar, que podem causar sequelas importantes e até levar ao óbito.
Apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento, a tuberculose ainda está entre as doenças infecciosas que mais causam mortes no mundo. No Brasil, milhares de novos casos são registrados todos os anos, o que reforça a importância das medidas de prevenção.
Por que a vacina BCG é tão importante?
A principal função da BCG é proteger bebês e crianças pequenas contra as formas mais graves da tuberculose. Embora ela não impeça todos os casos da doença, sua eficácia na prevenção das complicações mais severas é amplamente reconhecida.
Estudos mostram que a vacina reduz significativamente o risco de meningite tuberculosa e tuberculose disseminada na infância, contribuindo para diminuir hospitalizações, sequelas e mortes relacionadas à doença.
Por esse motivo, a BCG faz parte do Calendário Nacional de Vacinação e é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Quando a vacina deve ser aplicada?
A recomendação é que a vacina seja administrada preferencialmente ainda na maternidade ou nos primeiros dias de vida. Caso isso não seja possível, ela pode ser aplicada posteriormente, conforme as orientações do calendário vacinal vigente. A aplicação é feita no braço direito, por via intradérmica, utilizando uma técnica específica que permite uma resposta adequada do organismo. Quanto mais cedo a criança estiver protegida, menor será o risco de desenvolver as formas graves da doença durante os primeiros anos de vida.
O que acontece após a vacinação?
Muitos pais ficam preocupados ao observar alterações no local da aplicação, mas a maioria delas faz parte da resposta normal à vacina. Nas semanas seguintes à vacinação, é comum surgir uma pequena área avermelhada, que pode evoluir para uma lesão semelhante a uma pequena ferida. Com o tempo, essa região cicatriza e geralmente deixa uma pequena marca no braço, característica da BCG.
Todo esse processo pode levar alguns meses para ser concluído e normalmente não exige nenhum cuidado especial, além da higiene habitual com água e sabão. Não é recomendado espremer, cobrir ou aplicar pomadas sem orientação médica. É importante destacar que a ausência da cicatriz não significa falta de proteção, e, por isso, atualmente não existe mais recomendação de revacinação apenas porque a marca não apareceu.
Quando a BCG não deve ser aplicada?
A vacina é segura para a grande maioria dos recém-nascidos. No entanto, existem situações específicas em que sua aplicação deve ser adiada ou evitada, especialmente em crianças com suspeita ou diagnóstico de imunodeficiências graves. Por isso, a avaliação médica e os programas de triagem neonatal são tão importantes. Quando o teste de triagem neonatal para erros inatos da imunidade (chamado TREC/KREC) for coletado na maternidade, recomenda-se aguardar o resultado do exame para liberação da aplicação da BCG.
Quando existe histórico familiar de imunodeficiência ou alguma condição que possa comprometer o sistema imunológico do bebê, a vacinação deve ser analisada individualmente pelo especialista. Algumas medicações que impactam o sistema imunológico da gestante (como o Rituximabe) também interferem parcialmente na imunidade do recém-nascido, por isso a BCG deve ser adiada de acordo com a medicação utilizada.
Um compromisso com a saúde das crianças
O Dia da Vacina BCG reforça uma mensagem simples, mas muito importante: a vacinação continua sendo uma das formas mais eficazes de prevenir doenças graves e proteger a infância. Ao garantir que os bebês recebam a BCG no momento adequado, pais, cuidadores e profissionais de saúde contribuem para reduzir o impacto da tuberculose e oferecem às crianças uma proteção essencial desde os primeiros dias de vida.
Vacinar é um gesto de cuidado, responsabilidade e amor. Afinal, proteger hoje é construir um futuro mais saudável para toda a sociedade.
Relatores:
Pedro Vale Bedê
Médico pela Universidade Federal do Ceará (UFC)
Infectologista Pediátrico pela Universidade de São Paulo (USP)
Médico Infectologista Pediátrico do Hospital Sírio-Libanês
Preceptor do Ambulatório de Infectologia Pediátrica do Hospital Municipal Infantil Menino Jesus (HMIMJ)
Membro do Departamento Científico de Infectologia da SPSP
Daniel Jarovsky
Professor Instrutor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSC-SP)
Infectologista Pediátrico do Sabará Hospital Infantil e do Hospital Israelita Albert Einstein
Vice-Presidente do Departamento Científico de Imunizações da SPSP
Membro do Departamento Científico de Infectologia da SPSP
