4 de março – Dia Mundial da Obesidade

4 de março – Dia Mundial da Obesidade

A obesidade é uma doença crônica, caracterizada pelo aumento e acúmulo de gordura corporal, que pode trazer graves riscos à saúde. Considerada uma epidemia e um grande desafio de saúde pública no Brasil, assim como em todo o mundo, pode ocorrer em qualquer fase da vida, mas o início precoce traz uma maior preocupação aos profissionais de saúde.

O excesso de peso associa-se a um maior risco de aparecimento de alterações do colesterol, doenças cardiovasculares, hepáticas e ortopédicas. Outras complicações incluem hipertensão arterial, diabetes, alguns tipos de câncer, além de problemas psicológicos, que certamente impactarão todas as fases da vida.

Dados recentes do Ministério da Saúde estimam que cerca de 6,4 milhões de crianças brasileiras menores de 10 anos estão acima do peso considerado saudável. Dentre essas, mais de 3 milhões já são consideradas obesas. Aproximadamente 11 milhões de adolescentes apresentam excesso de peso, dos quais 4,1 milhões são obesos.

Filhos de pais obesos têm maior risco de desenvolver obesidade, e o início ainda na infância associa-se a uma maior chance de persistirem obesos na idade adulta – estima-se que 50% dos adolescentes com obesidade continuarão obesos na idade adulta. A doença atinge todas as classes sociais, mas o surgimento de novos casos é ainda maior entre os mais pobres.

A obesidade tem vários fatores envolvidos. O aumento expressivo de casos nas últimas quatro décadas parece, porém, resultar de uma combinação entre os fatores biológicos e comportamentais, presentes em vários cenários, como a família, a escola e a sociedade.

No ambiente em que vivemos há um consumo exagerado de alimentos altamente calóricos e de baixa qualidade nutricional, associado à falta de atividade física e ao sedentarismo, decorrente do uso constante de computadores, smartphones, tablets, videogames, etc. As questões culturais, sociais e psicológicas, bem como a dinâmica familiar, contribuem com esses fatores.

A prevenção é a melhor forma de enfrentarmos esse grande desafio. Nesse sentido, dicas de prevenção podem ser úteis para contribuir nessa batalha:

 – Gestação: período de oportunidade para a reflexão e adoção de hábitos alimentares e um estilo de vida mais saudável. Assim, é possível prevenir o ganho de peso excessivo durante esse período, proporcionando um desenvolvimento adequado ao feto. Além disso, sabe-se que a alimentação da gestante pode influenciar a preferência alimentar da criança após o nascimento.

– Aleitamento materno: exclusivo até os 6 meses de idade e complementar até os 2 anos ou mais tem efeito protetor, diminuindo o risco de a criança desenvolver obesidade.

– Alimentação complementar: realizar a introdução na idade adequada, respeitando o desenvolvimento da criança, através da introdução de refeições nutritivas e balanceadas, que favoreçam o crescimento, desenvolvimento e a aquisição de um comportamento alimentar saudável precocemente, que terá maior chance de persistir durante toda a vida.

 – Consumo de alimentos: preferir alimentos naturais como arroz, feijão, carnes magras, verduras, legumes e frutas, evitando os alimentos industrializados. É interessante oferecer várias vezes o mesmo alimento para que a criança tenha inúmeras oportunidades de experimentar e se familiarizar com novas texturas e sabores. Estimular a curiosidade natural dos lactentes por alimentos novos é uma boa estratégia para criar um hábito alimentar saudável.

– Respeitar a fome e saciedade de cada criança, compreendendo sua capacidade de autorregulação para a ingestão de alimentos, evitando dessa forma a insistência e a cobrança, que podem estimular o consumo alimentar excessivo.

– Evitar oferecer alimentos diante de qualquer desconforto, expresso ou não através do choro. Nem todo choro é fome – pode ser a expressão de outras sensações e emoções como desconforto, tristeza e frustração, que fazem parte da vida e não são resolvidas através da ingestão de alimentos.

– Os pais e outros familiares têm a responsabilidade de dar o bom exemplo às crianças durante os momentos de refeição em família, com hábitos alimentares saudáveis.

– O estabelecimento de regras e o respeito a uma disciplina na rotina alimentar, com horários e local adequados para as refeições principais, são fundamentais para a aquisição de um hábito alimentar saudável.

– Proibir distrações como televisão, celular e tablets durante as refeições, para que a criança possa usufruir ao máximo esse momento, sentindo com prazer sensações como cheiro, sabor e visual dos alimentos oferecidos.

– Incentivar, proporcionar e promover a atividade física através de brincadeiras ao ar livre, passeios a parques, jogos de recreação e atividades esportivas.

– Controlar o tempo gasto com telas de um modo geral (televisão, smartphone, tablets, computador e videogames), reduzindo essa exposição ao mínimo possível.

– Estabelecer uma rotina de sono, respeitando horários adequados para cada faixa etária, em ambiente tranquilo e com pouca iluminação.

– As consultas de rotina com o pediatra oferecem uma oportunidade de aprendizagem, apoio, incentivo e reforço de comportamentos que favoreçam a construção de um ambiente familiar saudável para o desenvolvimento da criança. Esse acompanhamento é fundamental para a prevenção da obesidade e outras doenças, através do constante monitoramento do crescimento e desenvolvimento, além do estabelecimento de uma rotina que contribua com a promoção da saúde das crianças.

 

Saiba mais:

 

Cassoni C. Estilos parentais e práticas educativas parentais: revisão sistemática e crítica da literatura. Tese de Mestrado, 2013. https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59137/tde-14122013-105111/publico/MESTRADO_CYNTHIA_CASSONI.pdf

Dietz WH. Childhood weight affects adult morbidity and mortality. The Journal Of Nutrition 1998;[s.l.]128(2):411-414. Oxford University Press (OUP). Disponível em: https://academic.oup.com/jn/article/128/2/411S/ 4724031. Acesso em: 20 fev. 2019.

Karnik S, Kanekar A. Childhood obesity: A global public health crisis. Int J Prev Med, Bethesda. 2012;1(3):1-7. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3278864/. Acesso em: 21 maio 2019.

Lopez NV, Schembre S, Belcher BR, O’Connor S, Maher JP, Arbel R, et al. Parental styles, food-related parenting practices, and children’s healthy eating: A mediation analysis to examine relationships between parenting and child diet. Appetite. 2018 Sep 1;128:205-213. doi: 10.1016/j.appet.2018.06.021. Epub 2018 Jun 18. PMID: 29920321; PMCID: PMC7529118. <https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29920321/> Acesso em 20/05/2021.

Ministério da Saúde – Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS) – Promoção da Saúde e da Alimentação Adequada e Saudável

Santana CP et al. Associação entre supervisão parental e comportamento sedentário e de inatividade física em adolescentes brasileiros. Cien Saude Colet Rio de Janeiro; 2019;05(01):01-01. Disponível em: https://bit.ly/2ymlyl6. Acesso em: 10 fev. 2020.

Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de orientação – Obesidade na Infância e na Adolescência. 3. Edição Revisada e Ampliada https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/Manual_de_Obesidade_-_3a_Ed_web_compressed.pdf

 

Relatora:
Valéria Moro
Departamento Científico de Nutrição da Sociedade de Pediatria de São Paulo