Texto divulgado em 01/04/2026
Com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância e os benefícios da vacinação, a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) lançou, em 2018, a campanha “Abril Azul – Confiança nas vacinas: eu cuido, eu confio, eu vacino”. Organizada e promovida pelo Departamento de Científico de Imunizações da SPSP, a campanha tem ainda por intuito lembrar o profissional de saúde do seu papel fundamental na manutenção da confiança e credibilidade das vacinas, habilitando-o a enfrentar a questão da hesitação e recusa vacinal.
Renato Kfouri, presidente do Departamento de Imunizações da SPSP e coordenador da campanha Abril Azul, diz que ela foi criada em um momento em que a desconfiança e o antivacinismo começaram a ganhar força no Brasil. “Esse era um fenômeno mundial e parecia que o Brasil estava à parte desse movimento, entretanto, com a pandemia da Covid-19, observamos que houve um favorecimento para que esses grupos antivacinas prosperassem no país”, comenta o infectologista pediátrico, enfatizando que no ápice da pandemia, em média 70% das crianças brasileiras estavam com a caderneta de vacinação em dia. “Ou seja, três de cada dez crianças estavam com atraso vacinal”, acrescenta.
De acordo com Claudio Barsanti, coordenador das Campanhas da SPSP, a confiança dos pais e responsáveis no pediatra e em suas orientações é o principal caminho para demonstrar a importância de manter o calendário vacinal das crianças atualizado. “Contudo, todos os profissionais de saúde, e não só o pediatra, que estão envolvidos na atenção à criança e ao adolescente, devem se engajar nessa campanha e esclarecer que as vacinas são aliadas na manutenção da saúde da população pediátrica”, defende o médico, ressaltando que o aumento de infecções em indivíduos não vacinados traz riscos, também, a todos os demais membros da comunidade.
Kfouri afirma que, na atualidade, os índices apontam uma recuperação do atraso vacinal no Brasil. “Estamos hoje com coberturas vacinais na média de 85%, no entanto, a meta para quase todas as vacinas é de 95%, portanto, precisamos continuar lutando para que essas taxas se elevem”, avalia o especialista, enfatizando que o pediatra desempenha um papel fundamental na recomendação das vacinas, informando a população, inclusive, acerca dos riscos da não vacinação. “O pediatra continua sendo o protagonista da informação da saúde infantil e do adolescente, especialmente no que diz respeito à imunização, que não se restringe somente à população pediátrica, mas também aos seus familiares e responsáveis e às mulheres grávidas”, pontua.
Entre as ações da campanha, ele diz que o DC de Imunizações da SPSP vem produzindo diversos documentos científicos a respeito do tema, inclusive orientando o pediatra de como ele deve enfrentar o fenômeno da hesitação vacinal. Para Barsanti, é essencial que o tópico vacinação seja incluído em todas as consultas de rotina em pediatria – um momento importante para que o especialista possa destacar as vacinas contempladas pelo PNI (Programa Nacional de Imunizações) e seus benefícios, permitindo que as famílias tenham um canal de comunicação para sanar todas as suas dúvidas e receios acerca dos imunizantes. “Vale lembrar ainda que a vacina tem também grande relevância na nossa economia, levando a uma redução de custos com consultas, tratamentos e internações”, finaliza o médico.
Organização: Departamento Científico de Imunizações da SPSP


