PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA RAIVA HUMANA EM ADOLESCENTES NO BRASIL ENTRE 2007 E 2019

Introdução: A raiva humana trata-se de uma doença infecciosa de alta morbimortalidade, transmitida por animais infectados pelo vírus da família Rhabdoviridae para o ser humano, através do contato de saliva e/ou secreções contaminadas com a corrente sanguínea ou mucosas do indivíduo. Caracterizando-se como uma encefalite progressiva e aguda, essa doença acomete apenas mamíferos, sobretudo caninos e felinos, que são as principais fontes de infecção nas áreas urbanas. Objetivo: Analisar o perfil epidemiológico da raiva humana em adolescentes no Brasil, no período de 2007 até 2019. Metodologia: Estudo transversal, quantitativo, observacional e descritivo dos casos registrados de raiva humana em adolescentes entre 2007 e 2019, utilizando dados secundários do Sistema de Informações de Agravos de Notificação, do Ministério da Saúde. Resultados: No período estudado, foram registrados 12 casos confirmados de raiva em adolescentes, ocorrendo 50,0% deles na região Norte e 41,7% na região Nordeste. 66,7% dos indivíduos eram do sexo masculino, 58,3% tinham entre 10 e 14 anos e 91,7% eram pardos. Quanto à escolaridade, 8,3% tinham o ensino fundamental I completo, 16,7% o ensino fundamental I incompleto, e 41,7% o ensino fundamental II incompleto. Conclusão: A análise conta com um pequeno número de casos confirmados de raiva humana em adolescentes, predominando em rapazes, pardos, com baixo nível de escolaridade, nas regiões Norte e Nordeste do país. Tais achados demonstram a importância da educação em saúde acerca de práticas profiláticas às doenças infecciosas, com destaque para a raiva. Ademais, deve-se salientar a necessidade de iniciativas públicas mais abrangentes no âmbito do acesso à saúde, em geral, e da vacinação humana e animal, em particular, visto que a parcela da população mais atingida por essa patologia é a que detém a menor garantia de direitos relacionados à saúde e educação.