RESULTADOS DA IMPLANTAÇÃO DE UM PROTOCOLO DE BRONQUIOLITE VIRAL AGUDA NUMA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA PEDIÁTRICA

Introdução: A Bronquiolite Viral Aguda (BVA) é uma doença que acomete lactentes, é causa frequente de internação nas unidades de terapia intensiva pediátrica (UTIP), e seu tratamento é de suporte.
Objetivo: Analisar os resultados da implantação de um protocolo clínico de BVA numa UTIP.
Método: Estudo retrospectivo e observacional, com coleta de dados nos prontuários eletrônicos. O protocolo multidisciplinar incluiu a avaliação clínica pelo escore de Wood Modificado (M-WCAS), para guiar a intervenção respiratória recomendada, o não uso de inalação com broncodilatadores, salina hipertônica e o não uso de corticoides. Todas as internações com diagnóstico de BVA em menores de 24 meses, de março de 2021 a março de 2022, foram incluídas. Os desfechos foram a necessidade de VMI e a adesão ao protocolo. Foi construída a curva Receiver Operator Characteristics (ROC) para o desfecho ventilação mecânica invasiva e M-WCAS na admissão. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição.
Resultados: Cento e cinquenta e dois pacientes foram incluídos nas análises, sendo 82 (53,2%) do gênero masculino, com média de idade de 6,1 meses (DP 5,6). Nenhum paciente usou inalação com salina hipertônica, o uso de corticoides ocorreu em 11,8% e de beta-agonistas inalados em 12,5%, 15,2% não tinham registro do M-WCAS na admissão e em 46% o suporte respiratório inicial não foi o recomendado pelo protocolo. Todos os pacientes coletaram painel viral, sendo os vírus mais frequentes o VSR (55,3%), e o Rinovírus (20,5%). Sete pacientes (4,6%) foram submetidos a VMI. O M-WCAS na admissão apresentou área abaixo da curva ROC de 0.81 para predição de VMI.
Conclusão: A adesão ao protocolo foi boa, exceto para o uso do M-WCAS na admissão. O M-WCAS apresentou bom desempenho como preditor da necessidade de VMI. A evolução para VMI foi comparável aos menores valores da literatura internacional.