TRANSTORNO DE ANSIEDADE NA INFÂNCIA

Introdução: Transtornos mentais na infância afetam cerca de 20 das crianças em todo o mundo e os transtornos ansiosos (TAs) têm prevalência estimada de 8 a 12 na população americana e de 4,6 na brasileira. Há uma tendência que estes persistam até a vida adulta, caso não sejam tratados. Descrição do Caso: Paciente masculino, 15 anos, iniciou atendimento psiquiátrico aos 10 anos. Encaminhado pela psicóloga com sintomas de ansiedade mistos: manifestações de rituais compulsivos do tipo verbal e de limpeza, preocupação exacerbada com sua saúde acompanhado de episódios súbitos de mal estar, sem desencadeantes e com tremores, dor abdominal, inquietação e sensação de que algo ruim irá acontecer. Prescrito Fluoxetina, evoluindo com estabilização dos sintomas, embora ficasse claro sua tendência à ansiedade e preocupações exageradas. Paciente apresentou episódios de descompensação do quadro ao longo dos anos oscilando entre crises de pânico com manifestações somáticas e pensamentos obsessivos, sendo necessário o ajuste da Fluoxetina conforme a demanda e uso de Alprazolam para controle de crises. Discussão: A ansiedade é uma reação defensiva ao perigo ou situações consideradas ameaçadoras. Caracteriza-se por um mal estar físico e psíquico e é uma reação comum e fisiológica da resposta ao estresse. É um transtorno quando impede o funcionamento da criança em sua vida cotidiana. A comorbidade de problemas de comportamento na infância é comum e estima-se que metade das crianças com TA possui outro transtorno associado, seja ele também da esfera da ansiedade ou não. Conclusão: Portanto, é indispensável que os pediatras compreendam à importância do diagnóstico precoce dos TAs, uma vez que estes são os quadros psiquiátricos mais comuns na infância e podem inferir em repercussões negativas na vida da criança, utilização demasiada de serviços de pediatria por queixas somáticas associadas à ansiedade e, possivelmente, ocorrência de problemas psiquiátricos futuros.