Bronquiolite

Bronquiolite

Bronquiolite viral aguda é uma inflamação dos brônquios e bronquíolos que são os canais que conduzem o ar para os pulmões. Acontece principalmente em bebês abaixo de 2 anos e, mais frequentemente, nos menores de 1 ano. A sua causa são os vírus respiratórios, como o vírus sincicial respiratório (VSR), metapneumovírus, rinovírus, adenovírus, parainfluenza e influenza. O mais frequente é o VSR. Esses vírus são os mesmos que causam resfriado nas crianças maiores e adultos. Quando eles ficam apenas nas vias aéreas superiores (nariz e garganta) os sintomas serão de resfriado: coriza, espirros, nariz entupido, garganta inflamada, febre e, às vezes, pouca tosse. Na bronquiolite, esses mesmos vírus descem para as vias aéreas inferiores, inflamando e fechando brônquios e bronquíolos e causando os sintomas da bronquiolite: chiado no peito, tosse e dificuldade para respirar, em graus variados – desde casos bem leves até casos graves, com necessidade de internação em unidade de terapia intensiva.

O tratamento da bronquiolite é de suporte, já que não existe um remédio eficaz que combata o vírus. Deve-se manter a criança bem hidratada, alimentá-la com mais cuidado para evitar engasgos, fluidificar as secreções respiratórias através de inalações com soro fisiológico, além de lavar bem o nariz, também com soro fisiológico. Em alguns casos pode-se usar inalações com solução salina hipertônica ou com broncodilatadores. Em casos onde haja insuficiência respiratória, a criança precisa ser internada para receber oxigênio e, às vezes, suporte ventilatório através de aparelhos.

A maioria das crianças melhora em cerca de 1 semana, mas em outras, a evolução é mais lenta. Há um grupo de crianças que tem risco de apresentar bronquiolite mais grave: os prematuros e os portadores de cardiopatias e pneumopatias crônicas. Em alguns desses casos deve-se fazer a prevenção da bronquiolite por VSR através de uma injeção mensal de um anticorpo chamado palivizumabe, durante o período do ano quando o vírus é mais frequente (março a julho).

É importante ressaltar que esses vírus são muito contagiosos, sendo a sua transmissão principalmente através do contato direto com secreções respiratórias, geralmente nas mãos e objetos contaminados. Portanto, a lavagem das mãos é fundamental após o manuseio dessas crianças. Sempre que possível, deve-se evitar o contato dos bebês com crianças maiores e adultos resfriados.

Também é importante saber que muitas das crianças que apresentam bronquiolite ficam com os brônquios mais sensíveis e se tornam “bebês chiadores”, isto é, frente a algumas situações, como outros resfriados e mudanças climáticas, apresentam novamente episódios de chiado no peito. Isso tende a melhorar com o passar dos anos, mas algumas dessas crianças se tornam asmáticas.

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Relatora:
Fabíola Villac Adde
Departamento de Pneumologia da SPSP.

Publicado em 20/02/2015.
photo credit: © Renaud Vejus | Dreamstime.com

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