Cuidados com as crianças no Carnaval

Cuidados com as crianças no Carnaval

Depois de três anos de pandemia, o Carnaval volta com tudo no ano de 2023, incluindo blocos, festas e outras atividades voltadas para o público infantil. É uma das festas mais alegres e divertidas, estimulando a imaginação e a criatividade das crianças, além de ser um momento importante para a socialização. O principal cuidado que se deve ter é escolher eventos direcionados para o público infantil. Devem ocorrer em locais arejados, claros, limpos e seguros. Recomenda-se que as crianças permaneçam a uma distância mínima de 15 metros das caixas de som, evitando-se ambientes com sons muito altos, para que não prejudiquem a audição.

As crianças devem estar SEMPRE acompanhadas pelos pais ou responsáveis, que não devem perdê-las de vista. Devem usar pulseira de identificação, com o nome completo da criança e dos responsáveis e telefones de contato, podendo-se improvisar costurando um papel com as informações na roupa da criança. Também é importante estabelecer pontos de encontro, caso a família se separe.

O carnaval ocorre em pleno verão brasileiro, com dias quentes, que aumentam a sudorese e o risco de desidratação. Escolha roupas ou fantasias de algodão, leves, de cores claras, folgadas no corpo e que permitam a circulação de ar. Tecidos sintéticos e apertados que, juntamente com o excesso de suor, podem provocar irritações e alergias na pele, não devem ser usados. Evite fantasias longas, cheias de babados, para que as crianças não tropecem e caiam na hora da folia.

Lantejoulas e brilhos que se soltam facilmente da roupa também devem ser evitados, pois podem machucar os olhos ou ir à boca das crianças, da mesma forma que cordões e correntes no pescoço. Dê preferência para calçados que não apertem os pés, pois as crianças terão muito mais segurança para correr e pular, evitando possíveis cortes ou machucados, além de ser muito mais confortável para elas. Evite sandálias com salto, pois, além de cansativas, podem causar, entre outras coisas, torção de tornozelos. Da mesma forma, evite deixar as crianças descalças: além do risco de queda, as crianças podem se machucar com vidros ou algum objeto no chão.

Com o calor e agitação é essencial beber muito líquido, devendo-se oferecer água, sucos naturais ou água de coco frescos. A alimentação deve ser leve e nutritiva, devendo-se evitar alimentos de procedência duvidosa nas ruas.

Em locais abertos, deve-se aplicar protetores solares em todas as crianças, a partir dos seis meses, mesmo em dias nublados, devendo-se reaplicar a cada duas horas, recomendando-se também colocar um boné ou chapéus para maior proteção.

Lembrem-se também de que estamos em época de dengue e outras doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti: o repelente também não pode faltar no arsenal do folião atento com a saúde, devendo ser aplicado por cima do protetor solar.

Cuidado com máscaras que, quando deslocadas, podem dificultar a respiração das crianças. Os cosméticos adultos podem provocar alergias nas crianças, por conterem substâncias químicas para maior fixação. Pinturas devem ser feitas com tintas com base aquosa e maquiagens hipoalergênicas, específicas para crianças, de fácil eliminação, evitando-se regiões próximas aos olhos e à boca. Procure sempre produtos registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Caso a criança apresente qualquer sinal de sensibilidade, a pele deve ser lavada imediatamente com água e sabão neutro.

Cuidado com as tradicionais “guerras de confetes”! Elas acabam sendo perigosas, pois podem levar a engasgos ou aspiração do material. O mesmo cuidado deve se ter com os sprays de espuma e de serpentina, que contêm na sua composição elementos que podem causar irritação na pele e nos olhos, intoxicação quando inalados ou ingeridos, além de serem inflamáveis.

Respeite o limite da criança, até mesmo para a diversão, pois chega um momento em que a energia se esgota, ou, como dizem, a “bateria acaba”, necessitando de descanso.

 

Relator:
Alexandre Massashi Hirata
Secretário do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo