Dia Internacional das Crianças Desaparecidas

Dia Internacional das Crianças Desaparecidas

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 25/05/2022


Desde 1983 o dia 25 de maio é lembrado como o Dia das Crianças Desaparecidas.

Tudo começou em 1983 nos Estados Unidos, quando um menino de 6 anos, Etan Patz, desapareceu em Nova York a caminho da escola, no dia 25 de maio de 1979; sua história recebeu cobertura nacional quando seu pai, um fotógrafo, circulou fotos em preto e branco de seu filho desaparecido para os meios de comunicação. O caso gerou indignação generalizada e a preocupação com crianças desaparecidas aumentou em todo o país.

Desde então outros países ao redor do mundo adotaram comemorações semelhantes. Em 2001, o dia 25 de maio foi formalmente reconhecido pela primeira vez como o Dia Internacional das Crianças Desaparecidas. Recebeu a flor do miosótis – também conhecida por “não te esqueças de mim” – como seu emblema e a data é lembrada por muitas culturas e organizações diferentes, na esperança de que as crianças encontrem o caminho de volta para casa.

Em todo o mundo, estima-se que mais de um milhão de jovens são dados como desaparecidos a cada ano e estima-se que cerca de 10% das crianças e adolescentes desaparecidos jamais serão encontrados.

Nos Estados Unidos estima-se que 2.300 crianças desapareçam todos os dias e a estimativa anual é de 460.000. No Brasil, cerca de 50 mil crianças e adolescentes somem todos os anos no Brasil.

 

Fatos sobre crianças desaparecidas

– Das crianças e adolescentes que são realmente sequestrados, a maioria é levada por um familiar ou conhecido, 25% das crianças são levadas por estranhos.

– Quase todas as crianças sequestradas por estranhos são levadas por homens, e cerca de dois terços dos sequestros de estranhos envolvem crianças do sexo feminino.

– Quase 90% das crianças desaparecidas perdem-se, fogem ou houve um mal-entendido com seus pais sobre onde deveriam estar.

– A maioria das crianças é sequestrada na fase da adolescência.

– As crianças raramente são raptadas do terreno da escola.

– Nos EUA estima-se que um em cada seis fugitivos relatados (para o Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas) acaba no tráfico sexual infantil.

– Muitos casos estão envolvidos com o tráfico de pessoas: adoções irregulares, trabalhos forçados, redes de pornografia e prostituição, violência intrafamiliar, narcotráfico ou mesmo comércio de órgãos.

– Apenas cerca de 100 casos de crianças desaparecidas (menos de 1% do total de crianças desaparecidas) são cobertos pelas notícias.

 

Sugestões para ajudar a manter seu filho seguro

– Faça a carteira de identidade ainda na infância. Um documento com foto da criança e nome dos pais ou responsáveis pode dificultar ações de subtração, facilitar a busca, a localização e a identificação.

– Tire fotos de seus filhos a cada 6 meses e tire suas impressões digitais – muitos departamentos de polícia patrocinam programas de coleta de impressões digitais.

– Mantenha os registros médicos e odontológicos de seus filhos atualizados.

– Quando a criança sair de casa, mesmo em companhia de pais ou responsáveis, mantenha contato físico constante, como dar as mãos, e procure identificá-la com um cartão ou crachá contendo dados como: nome completo, telefone do responsável, número de identidade – que deve ficar num bolso (fora da vista de estranhos).

– Evite vestir seus filhos com roupas com seus nomes – as crianças tendem a confiar em adultos que sabem seus nomes.

– Nunca deixe crianças sozinhas em um carro ou carrinho, mesmo que por um minuto.

– Escolha cuidadores – babás e prestadores de cuidados infantis – com cuidado e verifique suas referências. Se você providenciou para que alguém pegue seus filhos na escola ou creche, discuta os arranjos antecipadamente com seus filhos e com a escola ou creche.

– Mantenha as crianças sob supervisão constante de um adulto responsável. Jamais deixe-as se afastar, muito menos perder o contato visual com elas.

– Não atribua a outra criança ou adolescente a responsabilidade de olhar a criança. Esse cuidado e proteção devem sempre partir dos adultos.

– Ao verificar que uma criança está perdida, sozinha, ajude-a levando à presença da autoridade policial mais próxima, do Conselho Tutelar, de um agente da guarda municipal, ou mesmo do Corpo de Bombeiros.

– Ensine-as a não aceitar objetos, dinheiro, balas ou qualquer presente ou vantagem, bem como caronas de desconhecidos ou pessoas que se fizerem conhecidas apenas dela.

– Estabeleça limites sobre os lugares que seus filhos vão. Supervisione-os em lugares como shoppings, cinemas, parques, banheiros públicos ou durante a arrecadação de fundos de porta em porta.

– Toda vez que levar seu filho à escola, festas ou casa de amigos, espere ele entrar no local e verifique se ele realmente chegou a seu destino e está em segurança.

– Converse com as crianças sobre os adultos de confiança em suas vidas que ajudam a mantê-las seguras e o que fazer quando encontrarem alguém que não conhecem. Ensine-os a nunca entrar em um carro ou andar com alguém desconhecido para eles – mesmo que o estranho esteja perguntando se eles podem conhecer o “cachorrinho perdido” em seu carro. Pratique com seu filho para dizer “não” com força! e se afastar o mais rápido possível, gritando por socorro em voz alta.

– Seu filho deve sempre contar a vocês sobre ser abordado por um estranho – mesmo que alguém tivesse ameaçado que iria machucá-lo, ou a você, se contasse. Deixe seu filho saber que ele não terá problemas, e você o protegerá do mal.

 

O mundo virtual e as telas

– Os telefones celulares podem ajudar os pais a se manterem conectados a seus filhos, verificando o paradeiro por meio de chamadas telefônicas, mensagens de texto e aplicativos de localização de amigos. Mas pessoas de fora da família também podem usar esses dispositivos de localização. Ensine seus filhos a não compartilhar suas configurações de localização com vários aplicativos e pessoas e a não postar seu número de celular.

– Internet Segura. Mesmo crianças pequenas se conectam com pessoas sem o conhecimento de seus pais – muitas vezes sem saber quem está do outro lado do bate-papo ou do videogame. É fácil compartilhar informações de identificação ou pessoais sem perceber. Alguns aplicativos permitem conversas anônimas em grupo, mas as fotos compartilhadas podem revelar facilmente locais por meio de uma placa de carro ou logotipo de time esportivo.

– Esteja ciente das atividades de seus filhos na Internet e dos “amigos” da sala de bate-papo. Evite postar informações de identificação ou fotos de seus filhos online.

– Oriente seu filho ou sua filha a nunca colocar nomes, endereços ou telefones, dados pessoais, como escola que estuda, clubes que frequenta em páginas da internet, ou qualquer outra informação que torne possível localizar os locais que frequenta.

– Oriente seus filhos e crianças sob sua responsabilidade a evitarem jogos interativos com outras pessoas que não conheçam no mundo real, na rede digital em qualquer idade, especialmente se não tiver idade ou maturidade para diferenciar as diversas situações de aliciamento.

 

Outras dicas

– Certifique-se de que as crianças mais novas saibam seus nomes, endereço, número de telefone e para quem ligar em caso de emergência.

– Oriente o que fazer se acontecer de se perder em um local público ou loja – a maioria dos lugares tem procedimentos de emergência para lidar com crianças perdidas. Lembre-o de que nunca deve ir ao estacionamento procurar por você. Instrua a pedir ajuda a um caixa ou ficar perto das caixas registradoras ou na frente do prédio, longe das portas.

– Indique as casas de amigos ao redor do bairro onde seus filhos podem ir em caso de problemas.

– Se seus filhos têm idade suficiente para ficar em casa sozinhos, certifique-se de que mantenham a porta trancada, nunca a abram e nunca digam a ninguém que bateu na porta ou ligou que estão sozinhos em casa.

 

Se uma criança for sequestrada

Não se deve esperar transcorrer 24 horas para comunicar o desaparecimento. A Lei assegura que as buscas por crianças se iniciem imediatamente após o recebimento da notícia, assegurando maior chance de encontrá-la.

As primeiras horas são as mais críticas em casos de crianças desaparecidas. Portanto, é importante entrar em contato com a polícia local e fornecer imediatamente informações sobre a criança.

Vão pedir uma foto recente da criança, o que estava vestindo e detalhes sobre quando e onde foi vista pela última vez.

Após notificar as autoridades, é importante manter a calma – para que possam lembrar de detalhes sobre o desaparecimento da criança com mais facilidade.

No Brasil este problema ainda é mais grave, em razão da falta de políticas públicas e sociais que tratem essa distorção na perspectiva de defesa dos direitos humanos.

Em 2022 foi feita uma parceria entre a Sociedade Brasileira de Pediatria e o Conselho Nacional do Ministério Público, com uma campanha de peso sobre as crianças desaparecidas, que vem para ajudar a reverter esta situação tão dramática e impactante.

Como indivíduos, profissionais e organizações, temos a responsabilidade de proteger nossas crianças e adolescentes. Juntos podemos ajudar a trazê-los para casa.

 

Saiba mais

  1. Sociedade Brasileira de Pediatria. Recomendações aos pediatras e às famílias. Disponível em: https://www.sbp.com.br/especiais/criancas-desaparecidas/
  2. INTERNATIONAL MISSING CHILDREN’S DAY.AUSTRALIAN FEDERAL POLICE. Disponível em: https://www.missingpersons.gov.au/about/national-events/international-missing-childrens-day
  3. National Today. National Missing Children’s Day – May 25, 2022. Disponível em: https://nationaltoday.com/national-missing-childrens-day/
  4. Help Prevent Your Child from Going Missing: Safety Tips from the AAP. Disponível em: https://www.healthychildren.org/English/safety-prevention/all-around/Pages/Preventing-Child-Abductions.aspx
  5. 2018 KIDSHEALTH Preventing Abductions. Disponível em: https://kidshealth.org/en/parents/abductions.html

 

Relatora:

Renata D Waksman
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: IonasNicolae I pixabay.com