A Semana Nacional de Mobilização para Doação de Medula Óssea acontece entre os dias 14 e 21 de dezembro, com o objetivo de conscientizar e incentivar a população sobre a importância dessa doação, um ato voluntário que pode representar a única chance de cura para muitas crianças e adolescentes com doenças graves.
Na pediatria, o transplante de medula óssea é um tratamento importante para doenças como leucemias, linfomas, alguns tumores sólidos, doenças da hemoglobina (anemia falciforme, talassemia), aplasia de medula óssea e imunodeficiências. Encontrar um doador compatível pode ser um desafio! Portanto, contar com pessoas solidárias cadastradas no Programa Nacional de Doação de Medula Óssea é muito importante!
O que é a medula óssea?
A medula óssea (“tutano do osso”) fica dentro dos ossos e é responsável pela produção das células do sangue (glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). Os glóbulos vermelhos são responsáveis, entre outras funções, por carregar o oxigênio pelo corpo e, quando diminuídos, ocorre a anemia. Os glóbulos brancos são responsáveis pela proteção contra infecções. As plaquetas protegem o nosso corpo contra sangramentos.
Em algumas situações, o transplante de medula óssea é a única forma de cura para determinadas doenças, dando a chance de uma vida saudável para as crianças e adolescentes com indicação de transplante de medula óssea.
A importância do cadastro de doadores
Para que um transplante de medula óssea seja realizado, é necessário que a pessoa que vai doar a medula óssea tenha compatibilidade genética (HLA) com o paciente. Essa compatibilidade é um desafio importante para a realização do procedimento.
Entre irmãos, a chance de encontrar um doador de medula óssea totalmente compatível é de cerca de 25%. Os pais não são 100% compatíveis porque o filho herda metade do material genético da mãe e a outra metade do pai. Assim, estima-se que apenas 30% dos pacientes conseguem um doador de medula óssea totalmente compatível na família. Os outros 70% dos pacientes dependem de doadores voluntários cadastrados nos registros de medula óssea.
Fora do núcleo familiar, a chance de encontrar um doador compatível pode ser de 1 em 100 mil ou até 1 em 1 milhão, dependendo do perfil genético da criança. Portanto, quanto mais pessoas se cadastrarem como doadoras de medula óssea, maiores são as chances de salvar vidas!
É seguro doar medula óssea?
Sim. A doação de medula óssea é um procedimento seguro, realizado sob supervisão médica. A avaliação e o acompanhamento do doador são feitos pela equipe de saúde antes, durante e após o procedimento. Doar medula óssea não causa paralisia, não compromete a saúde do doador e a medula óssea se regenera naturalmente em pouco tempo. Portanto, não há prejuízo para o doador.
Como se tornar um doador de medula óssea?
Para se cadastrar como doador de medula óssea, o voluntário tem que ter entre 18 e 35 anos, estar bem de saúde e procurar um hemocentro autorizado. No momento do cadastro, a equipe responsável esclarece todas as dúvidas durante a entrevista. No dia do cadastro, o voluntário preenche um formulário com seus dados pessoais e coleta um pouco de sangue ou saliva para avaliar o seu perfil genético (HLA). O seu HLA fica registrado no REDOME (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea) e, caso seja compatível com algum paciente, o doador será contatado para saber se quer doar a sua medula óssea. Após avaliação da sua saúde e esclarecimento de todos os detalhes do processo, a doação só acontecerá com o seu consentimento.
Um gesto simples que pode salvar vidas
Tornar-se doador de medula óssea é mais simples do que se imagina! Quanto mais pessoas cadastradas como doadoras, maiores são as chances de salvar vidas!
O transplante de medula óssea pode ser a única chance de cura para muitas crianças e adolescentes, assim como para adultos. Um doador compatível significa esperança, tratamento e futuro para os pacientes e suas famílias!
Relatoras:
Sandra Regina Loggetto
Hematologista Pediatra no Banco de Sangue de São Paulo – Grupo GSH e no Sabará Hospital Infantil
Presidente do Departamento Científico de Hematologia e Hemoterapia da SPSP
Ana Cláudia Carramaschi Villela Soares
Hematologista Pediatra no Centro de Hematologia de São Paulo e no Hospital Santa Catarina e Citometria de Fluxo no Diagnósticos da América S.A (DASA)
Vice-Presidente do Departamento Científico de Hematologia e Hemoterapia da SPSP
Célia Martins Campanaro
Hematologista Pediatra – Professora Emérita na Faculdade de Medicina de Jundiaí.
Secretária do Departamento Científico de Hematologia e Hemoterapia da SPSP


