Glaucoma também afeta crianças e muitas vezes começa sem aviso

O glaucoma é uma doença que pode comprometer a visão de forma silenciosa. Na maioria das vezes, não causa dor, não dá sinais no começo e evolui lentamente. Quando a pessoa percebe, parte da visão já pode ter sido perdida de forma definitiva.

Por isso, o glaucoma é conhecido como o “ladrão silencioso da visão”.

No Dia Nacional de Combate ao Glaucoma, lembrado em 26 de maio, o principal alerta é simples: não espere sintomas para cuidar da saúde dos olhos.

O que é o glaucoma?

O glaucoma é uma doença que afeta o nervo óptico, responsável por levar as imagens dos olhos até o cérebro. Quando esse nervo sofre danos, a visão vai sendo comprometida, geralmente começando pelas laterais (visão periférica).

Na maioria dos casos, está associado ao aumento da pressão dentro do olho. Mas nem sempre. Algumas pessoas desenvolvem glaucoma mesmo com pressão normal, o que reforça a importância da avaliação oftalmológica completa e periódica.

Por que ele é tão perigoso?

Porque evolui sem dar sinais claros. A perda visual acontece aos poucos, e o cérebro consegue compensar essa falha por um tempo. Isso faz com que muitas pessoas só percebam o problema em fases mais avançadas.

O mais importante é lembrar que a visão que se perde por causa do glaucoma não volta.

Quem tem mais risco?

Idade acima de 40 anos; histórico familiar de glaucoma; miopia elevada; uso prolongado de corticoides; doenças como diabetes e hipertensão.

Mas qualquer pessoa pode ter glaucoma, mesmo sem fatores de risco aparentes.

E nas crianças?

Embora seja mais raro, o glaucoma também pode afetar bebês e crianças, e nesses casos o diagnóstico precoce é ainda mais importante.

Fiquem atentos a sinais como olhos maiores que o normal, lacrimejamento frequente, sensibilidade à luz, olho esbranquiçado e irritabilidade sem causa clara.

Nas crianças, o tratamento precoce pode preservar o desenvolvimento da visão, mas o dano ao nervo óptico não volta ao normal.

Como é feito o diagnóstico?

O glaucoma é diagnosticado por exames realizados pelo oftalmologista, que avaliam a pressão do olho, a saúde do nervo óptico, da visão e possíveis alterações no campo visual.

Mesmo sem sintomas, é fundamental realizar consultas oftalmológicas regulares.

O glaucoma tem tratamento?

Sim. Embora não tenha cura, o glaucoma pode ser controlado com colírios ou cirurgia, dependendo do caso. O tratamento só funciona se for seguido corretamente.

Um cuidado que não pode esperar. O glaucoma é uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo. Em muitos casos, o diagnóstico precoce permite controlar a doença e evitar a perda de visão.

Cuidar da visão também é fazer prevenção.

 

Relator:
Marcelo Alexandre A. Cavalcante
Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP