Maio Amarelo – Depressão entre crianças e adolescentes

Maio Amarelo – Depressão entre crianças e adolescentes

Texto divulgado em 30/04/2026


A Sociedade de Pediatria de São Paulo está alerta à questão do aumento de casos de depressão e suicídio entre crianças e adolescentes. Devido à importância e gravidade do assunto – e os grandes riscos físicos e psicológicos envolvidos -, a SPSP criou a campanha “Maio Amarelo – Depressão entre crianças e adolescentes: Pare, observe, acolha”, promovida pelo Núcleo de Estudos da Depressão entre Crianças e Adolescentes da SPSP, cujo objetivo é fazer um alerta e trazer para discussão a depressão na faixa etária pediátrica, suas causas, consequências, prevenção e formas de tratamento.

Segundo Carolina Tchakrian Gueogjian, presidente do Núcleo de Estudos da Depressão da SPSP e coordenadora da campanha Maio Amarelo, os pontos chaves da campanha – pare, observe, acolha – têm um significado muito importante. “Essas palavras na sua forma imperativa são para chamar a nossa atenção para que façamos uma pausa e observemos as mudanças nos hábitos de vida das crianças e adolescentes”, revela a pediatra, esclarecendo que essas modificações no comportamento incluem isolamento social, alteração do humor e do sono, queda no desempenho escolar, entre outras. “A partir disso, devemos acolher estes indivíduos, oferecendo apoio emocional e escuta ativa. Esses pontos são fundamentais para que façamos o diagnóstico e o tratamento da depressão dos nossos pacientes”, completa.

Na opinião de Claudio Barsanti, coordenador das Campanhas da SPSP, o papel do pediatra é fundamental na observação dos sinais da depressão que sirvam de alerta e possam se antepor a situações mais críticas. “É muito importante que o médico converse com os pais e pacientes e perceba, além dos sinais e sintomas, a ocorrência de situações que se apresentam no dia a dia das crianças e adolescentes que aumentam o risco de depressão e até de tentativas de suicídio”, aponta o pediatra, esclarecendo que situações como de elevado estresse, agressões sofridas – físicas ou psicológicas, presenciais ou virtuais -, ou de grandes frustrações, mostram-se como importantes fatores de risco e, em alguns casos, como indutores de depressão.

Carolina revela que os casos de depressão têm aumentado no Brasil e no mundo. “Importante citar a 5ª Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, na qual o IBGE entrevistou quase 120 mil adolescentes que frequentavam escolas públicas e privadas no Brasil, cujo resultado apontou para um quadro de saúde mental muito preocupante”, comenta a médica, citando que 42,9% dos alunos responderam que se sentem irritados, nervosos ou mal-humorados, enquanto 18,5% pensam sempre, ou na maioria das vezes, que “a vida não vale a pena ser vivida”. “Apenas com essas informações isoladas, não é possível afirmar que o adolescente tem depressão, ele precisa ser avaliado como um todo. Contudo, é um sinal de alerta de um sofrimento emocional”, avalia. 

Barsanti diz que abordar continuamente o tema depressão e procurar alternativas para sua prevenção e abordagem, conjuntamente a outras entidades sérias e representantes da área da saúde e da sociedade em geral, é uma das missões da SPSP. “Essa discussão perene mantém os profissionais de saúde vigilantes para buscar formas de acolher familiares e pacientes e apresentar respostas e soluções para o problema”, destaca, enfatizando que a depressão é uma doença avassaladora, que deve ser levada a sério em qualquer idade. “Porém, na adolescência, existe um risco ainda maior dela resultar em abuso de drogas ou suicídio”, alerta o médico.

De acordo com o especialista, é também essencial que os pediatras alertem os pais sobre os riscos da exposição de seus filhos nas mídias sociais e informações prejudiciais que circulam na internet e que podem ser extremamente nocivas. “Havendo suspeita de bullying ou outros tipos de agressões que contribuam para causar depressão, é preciso procurar atendimento psicológico e médico o mais rápido possível, no intuito de evitar uma autoagressão ou, pior, um desfecho trágico.” Para Carolina, é fundamental que a família, junto ao pediatra, ouça com muita atenção e empatia a fala dessa criança ou adolescente, sem qualquer julgamento, porque, a partir das informações obtidas, o médico conseguirá chegar a um diagnóstico e, consequentemente, na conduta mais apropriada.

Organização: Núcleo de Estudos da Depressão entre Crianças e Adolescentes da SPSP