Março Lilás – Atenção ao cuidado do bebê prematuro

Março Lilás – Atenção ao cuidado do bebê prematuro

Texto divulgado em 27/02/2026


Durante o mês de março, a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) promove a campanha “Março Lilás – Atenção ao cuidado do bebê prematuro”, organizada pelo Departamento Científico de Neonatologia da SPSP, que tem por objetivo informar e capacitar equipes médicas sobre os cuidados e desafios relacionados aos bebês prematuros (todo recém-nascido que nasce antes de completar 37 semanas de gestação). Além disso, a iniciativa busca também alertar a sociedade como um todo para a realização de pré-natal adequado, desde o início da gestação, uma vez que existem fatores relacionados à saúde da gestante os quais predispõem a um risco maior de prematuridade.

De acordo com Jamil Pedro de Siqueira Caldas, presidente do Departamento Científico de Neonatologia da SPSP e coordenador da campanha, a prematuridade atinge uma proporção significativa dos nascimentos e o recém-nascido prematuro exige cuidados especiais para que o seu amadurecimento aconteça do melhor modo possível, mesmo estando no ambiente extrauterino. “Em 2009, foi promulgado um projeto de lei no Estado de São Paulo para chamar a atenção para o cuidado da criança prematura, em que foi escolhido o dia 14 de março como o “Dia de Atenção ao Cuidado do Prematuro” e, a partir de 2017, a SPSP e outras organizações pediátricas e de cuidados à criança dedicam este dia, e todo o mês de março, em prol do cuidado ao bebê prematuro – a campanha Março Lilás”, afirma o neonatologista.

Claudio Barsanti, coordenador das Campanhas SPSP, explica que existem cuidados que devem ser dirigidos especificamente ao bebê prematuro, pois há riscos que são inerentes (ou maiores) nessa população. “Diante do aumento na incidência de prematuros no país e da importância de se ter um atendimento/seguimento adequado, a SPSP decidiu destacar esse tema em uma de suas campanhas”, declara o médico, salientando que o incremento no acompanhamento pré-natal, a realização das consultas com esclarecimento de dúvidas, solicitação de exames e tratamentos de eventuais patologias que se apresentarem reduzem o risco de um parto prematuro e diminuem a possibilidade de várias comorbidades que possam se manifestar durante o crescimento e desenvolvimento da criança.

Caldas revela que a prematuridade apresenta, no mundo todo, uma taxa significativamente alta. “No Brasil, dos cerca de 3 milhões de nascidos vivos anualmente, 10% deles nascem antes de iniciar a 37ª semana de vida e são prematuros. No tocante aos prematuros extremos, aqueles que nascem antes de 28 semanas de gestação, a taxa se situa entre 2% a 3% dos nascidos vivos”, comenta, ressaltando que, entretanto, nos hospitais de nível terciário de referência no atendimento ao recém-nascido prematuro, essa taxa pode chegar de 5% a 6% dos nascidos vivos e a prematuridade é o principal motivo de internação hospitalar dentre os recém-nascidos. 

Segundo o especialista, essas taxas, infelizmente, não têm tido tendência à diminuição nas últimas décadas e constituem um sério problema de saúde no país. “Esses índices influenciam a taxa de mortalidade infantil e de doenças associadas à prematuridade e que podem ter repercussões para o resto da vida dessas crianças”, avalia Caldas. Para Barsanti, é fundamental que haja, portanto, uma atenção muito bem-feita no atendimento desses bebês. “Felizmente a atenção neonatal se desenvolveu muito nas últimas décadas e, atualmente, os cuidados aos bebês prematuros, mesmo aqueles com menor idade gestacional e peso – os prematuros extremos, nascidos antes de 28 semanas de gestação e, frequentemente, com peso abaixo de 1.000g – têm proporcionado a muitos deles um melhor prognóstico”, conclui.

 

Organização: Departamento Científico de Neonatologia da SPSP