O Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, celebrado em 20 de fevereiro, é mais do que uma data no calendário: é um alerta para famílias, escolas e toda a sociedade sobre um tema que começa cada vez mais cedo e pode impactar profundamente o desenvolvimento de crianças e adolescentes.
Por que falar sobre isso desde cedo?
O uso de álcool e outras drogas na adolescência traz riscos severos e muitas vezes irreversíveis, pois ocorre em uma fase crítica de maturação cerebral. O cérebro humano continua em desenvolvimento até cerca dos 25 anos. Durante a infância e a adolescência, áreas fundamentais para tomada de decisões, controle dos impulsos, planejamento e avaliação de riscos ainda estão amadurecendo. O uso precoce de álcool e outras drogas pode interferir nesse processo e aumentar o risco de desenvolver problemas de memória e atenção, ansiedade e depressão, psicose – incluindo esquizofrenia, comportamentos de risco e dependência química na vida adulta (quanto mais cedo o início de uso de drogas, maior o risco de dependência, do desenvolvimento de transtornos mentais associados e de alterações de comportamento).
Álcool também é droga e das mais perigosas para adolescentes. Existe uma falsa ideia de que o álcool é “menos grave” por ser legalizado. Seu uso está associado a maior impulsividade, redução da capacidade de julgamento, exposição a acidentes, violências, relações sexuais desprotegidas e a maior chance de experimentar outras substâncias. Nenhuma quantidade é segura para adolescentes.
O maior fator de proteção ainda mora dentro de casa: o vínculo familiar é uma das mais poderosas medidas de segurança. O adolescente que se sente ouvido, que tem espaço para conversar sem medo, apresenta menor risco de uso de álcool e drogas. O exemplo fala ainda mais alto. Crianças aprendem muito mais pelo que observam do que pelo que escutam. Portanto, vale a reflexão: como o álcool aparece na rotina da família? Ele está associado à diversão obrigatória? Existe consumo exagerado em frente aos filhos? A família é um espaço de proteção, quando os pais se preocupam com as atitudes dos filhos e os desencorajam a atitudes consideradas de risco.
Prevenir o uso de drogas não significa criar uma redoma, mas formar jovens capazes de fazer escolhas seguras mesmo quando os pais não estão por perto. Muitos pais têm receio de abordar o assunto por medo de “dar ideias”. A ciência mostra exatamente o oposto: crianças e adolescentes que conversam abertamente com seus pais têm menor risco de uso precoce de álcool e drogas. A disponibilidade de informações, adquiridas por diálogos e observação acerca do consumo de drogas e suas complicações, e os laços afetivos entre pais e filhos são importantes para a redução das possibilidades do uso das drogas.
Para você que é adolescente e está lendo este texto:
Ser independente não é fazer tudo que os outros fazem: é ter coragem de dizer não e de fazer o que é melhor para você. Você tem uma vida inteira pela frente. Não arrisque!!!
No Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, transforme o silêncio em conversa, o medo em orientação e a informação em proteção.
De olho no vício!
Saiba mais:
- Alcohol e-cigarettes, cannabis: concerning trends in adolescent substance use, shows new WHO/Europe report. Disponível em: https://www.who.int/europe/news/item/25-04-2024-alcohol–e-cigarettes–cannabis–concerning-trends-in-adolescent-substance-use–shows-new-who-europe-report
- Monteiro MG. Alcohol and public health in the Americas: a case for action. Washington, D.C: PAHO, © 2007. Disponível em -https://www.who.int/docs/default-source/substance-use/alcohol-public-health-americas.pdf?sfvrsn=9227a4f_2
- WHO: Neurociencia del consumo y dependencia de sustancias psicoactivas. Washington, D.C: OPS© 2005. Disponível em: https://www.who.int/docs/default-source/substance-use/neuroscience-spanish.pdf
Relatora:
Tania Zamataro
Presidente do Núcleo de Estudos do Combate ao Uso de Drogas da SPSP
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP


