A gravidez na adolescência ainda é um tema de grande relevância, tanto pelos impactos na vida dos adolescentes e de suas famílias, quanto pelos possíveis riscos à saúde do bebê e da própria adolescente. Apesar da redução observada nos últimos anos, os índices continuam elevados: estima-se uma média de 43,6 nascimentos por mil adolescentes entre 15 e 19 anos, número quase duas vezes maior que o observado em países de renda média-alta.
A adolescência é um período marcado por intensas transformações físicas, emocionais e sociais. Quando a gravidez ocorre nessa fase, surgem desafios importantes, como a interrupção dos estudos, o afastamento do convívio social, dificuldades financeiras e responsabilidades precoces relacionadas à criação e aos cuidados com uma criança.
Assumir a maternidade ou a paternidade exige tempo, apoio emocional e condições adequadas para garantir o desenvolvimento saudável do bebê. Além disso, o adolescente precisa lidar com mudanças significativas na rotina, nos projetos de vida e nas relações sociais. Por isso, a prevenção é fundamental.
O acesso à informação correta e de qualidade sobre sexualidade, métodos contraceptivos e prevenção das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) contribuem para que os jovens façam escolhas mais conscientes e responsáveis.
A orientação para a prevenção da gravidez precoce na adolescência começa na infância. Familiares que dialogam com os filhos sobre o exercício da sexualidade – prevenção de abuso, primeiras impressões sobre namoro ou sobre o gostar, os primeiros contatos com a intenção de paquera ou “crush”, intimidade com responsabilidade – tendem a lidar melhor com o que chamamos de primeiras experiências no exercício da sexualidade humana.
E elas são precoces em alguns adolescentes. A temática da criação de filhos com escuta e autocuidado está relacionada a maior responsabilidade afetiva de meninos e meninas no início da adolescência.
Dessa maneira, a prevenção da gravidez envolve o cuidado e a responsabilidade de meninos e meninas na jornada do adolescer com saúde. O convívio familiar e a parentalidade consciente traduzem todo o caminho que o jovem irá trilhar de sua sexualidade, inclusive para aqueles que pretendem não exercer a sexualidade em sua vida.
Um aspecto importante da prevenção é a dupla proteção, que consiste no uso do preservativo associado a outro método contraceptivo. Essa estratégia é eficaz tanto na prevenção da gravidez não planejada quanto das ISTs, promovendo maior segurança e cuidado com a saúde.
Também é essencial que o diálogo sobre sexualidade aconteça em diferentes ambientes sociais – escola, nos serviços de saúde e na comunidade – de forma clara, responsável e acolhedora.
Falar sobre o tema sem preconceito e sem pudor excessivo fortalece a confiança, estimula o autocuidado e favorece decisões mais seguras.
Durante a Semana de Prevenção da Gravidez na Adolescência, que acontece de 1º a 8 de fevereiro, reforçamos a importância da educação em saúde, do diálogo aberto entre adolescentes, famílias, escolas e serviços de saúde, além do apoio àqueles que já vivenciam essa realidade.
Prevenir é cuidar do presente e investir no futuro dos nossos jovens e das próximas gerações.
Relatoras:
Mariana Telles de Castro
Carolina Maria Soares Cresciulo
Departamento Científico de Adolescência da SPSP


