Texto divulgado em 01/06/2026
A campanha “Junho Púrpura – Distúrbios de aprendizagem: conhecer, perceber, enfrentar”, promovida pela Sociedade de Pediatria de São Paulo e organizada pelo Núcleo de Estudos de Desenvolvimento e Aprendizagem da SPSP, tem por objetivo auxiliar os pediatras a identificar os distúrbios de aprendizagem nas crianças e adolescentes, bem como levar informações pertinentes sobre o tema aos pais e responsáveis, escolas, professores e demais profissionais que atuam com a faixa etária pediátrica.
Segundo Mariana Facchini Granato, presidente do Núcleo de Estudos de Desenvolvimento e Aprendizagem da SPSP e coordenadora da campanha “Junho Púrpura – Distúrbios de aprendizagem: conhecer, perceber, enfrentar”, é cada vez mais frequente nos consultórios pediátricos os pais trazerem queixa de dificuldades relacionadas ao desempenho escolar de seus filhos. No entanto, quando se trata de dificuldade escolar, ela diz que é fundamental que se faça uma distinção entre os conceitos de dificuldade de aprendizado e de transtorno de aprendizado.
“O transtorno de aprendizado se refere a uma afecção de natureza neurobiológica, relacionada a uma inabilidade específica, como por exemplo para a leitura (dislexia) ou escrita (disgrafia)”, explica a pediatra. Por outro lado, ela esclarece que o conceito de dificuldade de aprendizado abrange um grupo heterogêneo de problemas que podem alterar a capacidade da criança aprender, independentemente de suas condições neurológicas. “O primeiro ponto importante é definir se a criança/adolescente realmente apresenta uma dificuldade de aprendizado ou se existe uma cobrança desproporcional por parte dos pais acerca do seu desempenho”, questiona.
Para a médica, se de fato for observada uma dificuldade de aprendizado, o pediatra deve levar em conta, na investigação do quadro, vários fatores, como escolares, socioambientais, emocionais e orgânicos. Claudio Barsanti, coordenador das Campanhas da SPSP, afirma que é preciso estar muito atento para situações nas quais a criança ou o adolescente apresentam sinais, como alterações de percepção, escuta, visão, entre outras, para que, assim, todos os envolvidos – famílias, cuidadores, educadores e profissionais de saúde – possam se unir e evitar complicações subsequentes para o futuro destes indivíduos.
Na opinião do pediatra, é preciso haver uma maior conscientização por parte dos familiares responsáveis e profissionais da educação e da saúde a respeito dos distúrbios de aprendizagem, que afetam inúmeras crianças e adolescentes. Ele ressalta que o diagnóstico precoce é fundamental, pois quanto mais cedo é feito o encaminhamento adequado e realizadas as intervenções necessárias, melhores são os resultados do tratamento. “Lembrando, também, que uma ação multidisciplinar e multiprofissional é crucial na tentativa de corrigir o problema, para que não haja um déficit ainda maior no aprendizado”, recomenda.
Mariana cita como exemplos de diagnósticos que podem se manifestar com dificuldade de aprendizado o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e também o Transtorno do Espectro Autista (TEA). “Dificilmente o diagnóstico de TEA será efetuado apenas com base em dificuldade escolar, porém indivíduos que estão no espectro podem apresentar dificuldades acadêmicas”, avalia, salientando que, além disso, transtornos de humor – ansiedade e depressão -, cada vez mais frequentes na população pediátrica, também podem se manifestar com queda do rendimento acadêmico.
Por fim, um aspecto muito importante a ser avaliado, segundo a especialista, é o sono, tanto no que diz respeito à qualidade como à quantidade, muitas vezes atreladas ao uso excessivo de telas. “Cabe, portanto, ao pediatra da criança ou adolescente a função de avaliar seus possíveis comprometimentos para que, junto aos pais e à escola, possam traçar o melhor caminho de ajuda a eles”, conclui Mariana.
Organização: Núcleo de Estudos de Desenvolvimento e Aprendizagem da SPSP
