ALERGIAS ALIMENTARES NA INFÂNCIA: BANIR OU INTRODUZIR O ALÉRGENO?

INTRODUÇÃO: As alergias alimentares representam um risco iminente à saúde dos indivíduos acometidos, tendo como manifestações mais comuns reações cutâneas, gastrointestinais, respiratórias e até sistêmicas, como anafilaxia. Os alimentos com proteínas de difícil digestão, que mais causam reação alérgica, são ovos, leite, amendoim, frutos do mar, soja e frutas secas. Por muito tempo, acreditou-se que o ideal seria banir os alimentos perigosos da dieta das crianças. Entretanto, diversos estudos vêm comprovando que a introdução precoce desses itens pode proteger e modular o sistema imunológico. OBJETIVOS: Avaliar qual é a forma mais adequada de prevenir alergias alimentares na infância. METODOLOGIA: Pesquisa de ensaios clínicos prospectivos randomizados através de plataformas como Scielo, PubMed e ScienceDirect. Utilizou-se 11 artigos após exclusão e desduplicação. RESULTADOS: Os estudos comprovaram que a introdução proativa de alérgenos a partir dos 4 meses de idade reduz significativamente o risco de alergia alimentar. A introdução de amendoim, por exemplo, dos 4 aos 11 meses, gerou uma redução absoluta de 11-25% no risco de desenvolver alergia em crianças de alto risco. Outro estudo similar demonstrou que apenas 3,2% do grupo que consumia amendoim entre 4 a 11 meses desenvolveram teste de provocação positivo aos cinco anos, comparado com 17,2% do grupo que evitava o alimento. CONCLUSÃO: Diferente do que se pensava antigamente, é essencial a introdução de alimentos potencialmente alergênicos no período de janela imunológica dos bebês- dos 6 meses a 1 ano de idade- para a prevenção de alergias alimentares. Essa introdução deve ser feita de forma gradual e contínua, nunca misturando mais de um alérgeno num mesmo momento. Por fim, é importante ressaltar que é a amamentação o principal pilar para a prevenção primária de alergias, devendo ser exclusiva até os 6 meses de idade e simultânea com a alimentação até os 2 anos.