A maconha costuma ser vista como algo “leve”, “natural” e sem grandes consequências. Mas a realidade, principalmente para quem ainda está em fase de crescimento, é bem diferente. O cérebro de adolescentes e jovens continua em desenvolvimento até por volta dos 25 anos. E é exatamente nesse período que a maconha pode causar mais impacto.
O principal componente, o THC (tetra-hidrocanabinol), interfere em áreas importantes do cérebro, como memória, atenção, tomadas de decisões e controle de emoções.
Nem tudo acontece no momento do uso: alguns efeitos vão surgindo com o tempo, como ansiedade e crises de pânico, desmotivação, alterações de sono etc. Alguns jovens podem ter depressão e quadros psicóticos.
“Mas todo mundo usa…”
Mentira. Nem todo mundo usa! E quem usa, nem sempre está bem. Muitos escondem dificuldades na escola, problemas emocionais, dependência. Sim, dependência! Principalmente em quem iniciou o uso cedo.
Fique atento aos sinais de alerta: precisa usar com frequência, sem interesse por outras coisas, não consegue parar, mesmo querendo.
O uso também aumenta riscos de acidentes (dirigir ou andar de bike), decisões impulsivas e outras situações de risco.
A maconha sai caro – e vira prioridade sem você perceber! No começo parece pouco, mas vira gasto fixo. Dinheiro que poderia ser usado em viagens, esportes, namoro. E quando o uso aumenta, o custo acompanha, sendo que em alguns casos a pessoa começa a priorizar a droga acima de outras coisas.
No fim, você paga não só com dinheiro – mas com oportunidades.
Se você ainda não se convenceu que não é uma boa o uso, aqui vão mais alguns pontos:
- O uso no Brasil não é liberado. A maconha está ligada à Lei de Drogas (Lei nº 11.343/2006). Porte para uso pessoal não é considerado crime com prisão, mas pode gerar abordagem policial, registro, advertência e comparecimento ao juiz. Pode trazer uma quantidade grande de problemas. E na prática, a distinção entre usuário e traficante nem sempre é clara.
- Você não sabe nem o que está consumindo. Diferente de um remédio, não existe controle de qualidade. Pode ter concentração muito alta de THC, pode estar misturada a outras substâncias e ter até contaminação com bactérias, etc. Ou seja: você nunca sabe exatamente o que está entrando no seu corpo.
Se você está atrás de boas emoções, vá praticar esportes. Ao se exercitar, seu corpo libera endorfinas (causam sensação de bem-estar e redução da dor), dopamina (origina recompensa e motivação), serotonina (gera melhora do humor). É um prazer progressivo e duradouro, diferentemente do prazer artificial do uso da maconha e sem os efeitos deletérios mencionados acima.
Nem todo prazer vale o preço que cobra depois. Você não precisa de química para ser quem você pode ser.
Relatora:
Tania Zamataro
Presidente do Núcleo de Estudos do Combate ao Uso de Drogas da SPSP
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP
